terça-feira, 30 de novembro de 2010

American GoldfinchRainbow finch

Um ano de extremos climáticos expostos em Cancún

30/11/2010 -

Por Stephen Leahy, da IPS

Cancún, México
– Este ano, provavelmente, foi o mais quente da história: altas temperaturas oceânicas arrasaram os corais tropicais, o calor e a seca tomaram conta da Rússia e as inundações devastaram o Paquistão.
 Delegados internacionais, desde ontem em Cancun, procuram soluções na 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

Apesar das evidências científicas cada vez mais contundentes quanto à urgência e aos riscos das mudanças climáticas, e ao fato de cada vez mais se defender a adopção de medidas, é improvável que os representantes de quase 200 países, reunidos até o dia 10 de Dezembro neste balneário, cheguem a um novo acordo vinculante. Quando muito, questões como reflorestamento, financiamento climático e compromissos em matéria de mitigação serão mais desenvolvidos com a escassa esperança de que a próxima conferência, em 2011 na África do Sul, possa produzir algum tipo de tratado.

“As emissões de carbono continuam a aumentar apesar da recessão econômica, e nunca vi expectativas tão baixas em relação a uma Conferência das Partes”, disse Richard Somerville, destacado cientista climático da Scripps Institution of Oceanography, com sede no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos. “A ciência é bastante convincente quanto à necessidade de uma ação urgente. Não temos outros cinco anos para chegar a um acordo”, disse Richard à IPS/TerraViva


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

2011 - ANO INTERNACIONAL DA FLORESTA

Centenário de morte de Leon Tolstói, mestre de Gandhi



Por Leonardo Boff*
Ocupando um lugar central da sala de estar de  minha casa há um impressionante quadro de um pintor polonês mostrando Tolstói (1828-1910) sendo abraçado pelo Cristo coroado de espinhos. 
Ele está vestido como um camponês russo e parece  extuado como a simbolizar a humanidade inteira chegando finalmente ao abraço infinito da paz depois de milhões de anos ascendendo penosamente o caminho da evolução.
Foi um presente que recebi do então Presidente da Assembléia da ONU Miguel d’Escoto Brockmann, grande devoto do pai do pacifismo moderno. 
No dia 20 de novembro  celebrou-se o centenário de sua morte em 1910. 
Ele merece ser recordado não só como um dos maiores escritores da humanidade com seus romances Guerra e Paz (1868) e Anna Karenina (1875) entre outros tantos, perfazendo 90 volumes, mas principalmente como um dos espíritos mais comprometidos com os pobres e com a paz, considerado o pai do pacifismo moderno.

A importância do ócio

 Instituto Akatu

Hoje, em grande medida, vive-se concentrado nos meios de vida, mas subestima-se o fim da vida - Alberto Benegas Lynch.

Aristóteles escreve na obra Ética a Nicômaco, que as ocupações para contar com recursos para viver são “para ter ócio”, ou seja, para a vida contemplativa, para adentrar-se no sentido da vida e para o conhecimento (daí que “a virtude é o conhecimento”, de acordo com os ensinamentos socráticos).

É por isso que, de acordo com Josef Pieper em “O ócio e a vida intelectual”, a expressão “ócio” deriva de escola, “assim, pois, o nome com que denominamos os lugares em que se leva adiante a educação, e inclusive a educação superior, significa ócio”. É por isso que Aristóteles em “A política” sustenta que o ócio é o ponto cardeal em torno do qual gira tudo.

Hoje, em grande medida, vive-se concentrado nos meios de vida, mas subestima-se o fim da vida.
 
Muitos se vangloriam de ter agendas cheias de meios, mas não deixam espaço para os fins. Trabalhar para a arbitragem cotidiana, ou seja, trabalhar para comprar barato e vender caro sem o menor esforço de trabalhar o espírito. Como já dito, ninguém no seu leito de morte se arrepende de não ter ido mais ao escritório, contudo, há arrependimentos por não ter alimentado mais a alma.

Não são poucos os opulentos materiais, mas paupérrimo os intelectuais. 

O que nos caracteriza como seres humanos e nos diferencia das outras espécies é a psiqué, é a capacidade de mergulhar na nossa origem e de conjecturar acerca de nosso destino. 
Não contribuímos para fazer que o mundo seja melhor porque nos dedicamos exclusivamente aos meios alimentares, mas sim pelo trabalho que dedicamos para dar alimento aos fins e ao escopo de nossa existência. Sem bússola não é possível chagar a nenhum lugar.

Os Paraísos artificiais e os Infernos reais

Pessimismo sobre Cancún...




Por Kanya D’Almeida, da IPS

Nova York, Estados Unidos, 29/11/2010
A 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática começa hoje no balneário mexicano de Cancún  num ambiente de pessimismo. 
O encontro internacional acontece quase um ano depois da última conferência, em Copenhaga, considerada um fracasso diplomático. Enquanto aumenta a preocupação mundial pela incapacidade dos governos para encontrar uma alternativa adequada ao Protocolo de Kyoto, único instrumento contra a mudança climática que expirará em 2012, o ceticismo ronda Cancún, sobretudo após o que aconteceu na Dinamarca. 
 A exploração e a falta de respeito do homem,      tem ao longo dos tempos provocado o abuso na desordem do meio ambiente, gerando uma devastação cada vez maior , assim o reflexo da desorganização do homem e os seus conflitos, acabam com a harmonia perfeita, não só dele próprio como de toda a natureza.... 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Que em 2010, você MUDE O MUNDO!

Desenvolvimento Sustentável: É possível?



Por Marcus Eduardo de Oliveira*, para a Adital

No seu mais recente livro "Cuidar da Terra, Proteger a Vida", Leonardo Boff assevera que: "Em 1961, precisávamos de metade da Terra para atender às demandas humanas. Em 1981, empatávamos: precisávamos de uma Terra inteira. Em 1995 ultrapassamos em 10% sua capacidade de reposição, mas era ainda suportável".

No entanto, os alarmes disparados continuaram anunciando a expansiva agressão sofrida pela Terra. O calendário marcava o dia 23 de setembro de 2008 vaticinado pelos estudiosos como o Earth Overshoot Day, ou seja, o dia da ultrapassagem da Terra. 

A partir dessa data constatou-se, em escala universal, que a Terra ultrapassou em 30% sua capacidade de suporte e reposição.

A partir disso, o que pensar, o que fazer? Continuar de forma desenfreada a exploração/dilapidação dos recursos naturais sem limites ou fazer a reversão de forma rápida? Continuar priorizando o mercado que exige mercadorias diversificadas a todo instante ou olhar com respeito e atenção redobrada para a qualidade de vida? Continuar com a prédica traçada desde os trabalhos seminais das ciências econômicas que pontuam que crescimento econômico é remédio eficaz para a cura dos males sociais ou fazer com que essa mesma ciência esteja submetida ao projeto de vida, cuja essência é a qualidade e não a quantidade?

Respostas a essas dúvidas estão soltas por aí, embora haja mais dissenso que consenso em matéria de se pensar a intrincada relação economia - natureza -recursos - desejos - produção - consumo.

Eric Hobsbawn, um dos maiores intelectuais do século XXI, a esse respeito já se posicionou: "Ou ingressamos num outro paradigma ou vamos de encontro à escuridão". Por outro paradigma, o renomado historiador quer dizer que não basta fazer mudanças no sistema, é preciso mudar o sistema.

Destruir a natureza em troca dos apelos da voracidade do mercado de consumo é, antes disso, destruir as teias que sustentam a vida. O mercado, assim como toda a economia, depende de algo que está acima de tudo isso: a natureza. A economia, como atividade produtiva, é apenas um subproduto do ambiente natural e depende escandalosamente dos mais variados recursos que a natureza emana. Nós, seres humanos, como todos os seres vivos, somos partes e não o todo desse ambiente natural que contempla a riqueza do viver.

É forçoso ressaltar que não estamos na Terra; somos a Terra. Não ocupamos a natureza como meros partícipes dela; somos a própria natureza a partir do fato de sermos feitos de poeira estelar. Dependemos da natureza, das terras agricultáveis, da água, do ar, do sol, da chuva, do fitoplâncton (algas microscópicas unicelulares) e dependemos das estrelas. Isso não é prosa nem verso; é fato! São as estrelas, com uma capacidade ímpar de brilhar e, por isso, com o poder de nos afastar o medo da noite, que convertem hidrogênio em hélio pela fusão nuclear e, dessa combinação, permite-se aflorar o potássio, o oxigênio, o carbono, o ferro que vão se localizar nos aminoácidos (unidades químicas que compõem as proteínas) e nas proteínas (que formam os músculos, os ligamentos, os tendões, as glândulas, enfim, que permitem o crescimento ósseo). Sem isso a vida não seria possível. Somos natureza ainda por razões filológicas (estudo científico de uma língua). Não por acaso, somos originários do Adão bíblico (Adam, em hebraico, significa "Filho da Terra"), ainda que isso seja puramente metafórico. Somos natureza quando nos damos conta ainda de que pelo aspecto filológico a palavra homem/humano vem de "húmus", cujo significado é "terra fértil".

Cada vez que percebemos avançar esses assuntos, mais ainda vamos aprofundando a importância do tema. As preocupações ecológicas, vistas num passado não muito distante como apenas retóricas românticas, hoje, para nossa felicidade, ocupam a agenda das principais lideranças governamentais.

Em certa medida, parece ser consenso que estamos falando de uma perspectiva que envolve, na essência, a manutenção da vida pelos íntimos laços que temos para com a mãe Terra, também chamada Gaia.

Isso é do interesse de todos e de todas, e não mais dos praticantes da militância verde - os primeiros a chamar a atenção para esses graves assuntos.

Nesse pormenor, é oportuno resgatarmos a argumentação do educador canadense Herbert M. McLuhan (1911-1980): "Na espaçonave Terra não há passageiros. Todos somos tripulantes".

A economia, sendo um espaço de conhecimento das ciências humanas, não pode prescindir de ajudar na disseminação de um discurso em prol da vida, e não a favor do deus mercado como tem sido freqüente desde o surgimento da Escola Clássica no século XVIII.

Discutir desenvolvimento pelas lentes das ciências econômicas é, antes de mais nada, pensar em aspectos qualitativos, e não na atual dimensão económica dos projetos que apontam, unicamente, para o aspecto quantitativo. Perceber a economia apenas pela quantidade de coisas produzidas é um erro abissal que somente tem feito provocar ainda mais a cultura do desperdício e da falta de parcimônia em matéria de regular a atividade produtiva, ao passo que aprofunda o consumismo, essa chaga do sistema capitalista.

Ainda hoje, mesmo diante dos mais contundentes e acirrados discursos sobre a grave crise ambiental que se estabelece, apresenta-se como sendo uma boa política econômica aquela capaz de fazer o PIB subir, independente se esse crescimento se dará nas bases da exploração/destruição ambiental.

Esquecem ou ignoram os apedeutas que tudo que cresce muito, ou explode ou esparrama. Explodir, esparramar, significa, grosso modo, perdas, desperdícios. Crescer por crescer é a base das células cancerígenas. 

A economia não pode mais trilhar esse caminho. Isso leva à morte. 
Ora, isso não é solidificável; é altamente destrutível. O caminho de qualquer economia que apenas prioriza e faz de tudo para atender aos ditames do mercado que clama por mais produção e consumo, atingindo picos de crescimentos inimagináveis, é por todos conhecido: destruição, desmatamento, poluição, escassez, extinção das espécies.

É em nome desse modelo perverso e criminalmente responsável por mortes que o mercado é abastecido enquanto a natureza é descapitalizada, ao passo que a vida é posta em risco. Uma hora qualquer - e que não seja tarde demais - alguém irá perceber que as palavras do cacique Seatlle ditas ao governante norte-americano em 1854 estavam pontualmente certas: "(...) Eles vão perceber que não dá para comer dinheiro".

Para o bem de todos é necessário aludir que não se pode medir crescimento de uma economia quando se derruba uma árvore, se polui um rio, se contamina uma nascente. Isso tem outro nome: insanidade...

* Economista brasileiro, especialista em Política Internacional. Articulista do site "O Economista", do Portal EcoDebate e da Agência Zwela de Notícias (Angola)

ÁGUAS...

ÁGUA - Um bem escasso

Há uma ideia muito errada por esse mundo fora de que a água não é um bem escasso. De facto, há muita água no mar, nas nuvens, e ainda vai havendo nos rios, sob a forma de gelo, e ainda a água subterrânea. O ciclo da água prevê a sua constante transformação e movimentação, mas a quantidade total de água na terra tem-se mantido mais ou menos constante.

Então como é a água um bem escasso? Quando falamos da água como um bem escasso, estamos a falar da água que nos é directamente mais útil - a água potável.

Mais de 92% da água existente na terra é salgada (oceanos e mares), e apenas cerca de 4% da água é potável. Mas este valor tende a diminuir à medida que aumenta a poluição e a população, e está distribuído de forma muito desequilibrada pelos países de vários continentes, sendo a falta de água potável a principal responsável pela extrema pobreza de vários países de África.
No mundo, morrem cerca de 4.200 crianças com menos de cinco anos por dia devido a doenças provocadas pela falta de água potável.

Entre 16 e 22 de Março ocorreu o 5º Fórum Mundial da Água, em Istambul, onde foi apresentado o 3º Relatório das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Mundial dos Recursos Hídricos.

O relatório, que estudou a situação da água em 25 países, aponta para uma crise muito séria se os hábitos de consumo não se alterarem (ver: Público).

Na minha opinião, e face ao referido nos parágrafos atrás, acho que a crise séria já está mais que instalada. Ainda não chegou foi à Europa...

As florestas e o homem






A floresta é parte integrante do nosso ecossistema, constituindo um elemento fundamental para o seu equilíbrio. Formada por árvores, arbustos, ervas e um grande número de outros seres – plantas e animais – , a floresta, logo a seguir aos desertos, ocupam a maior parte da superfície da terra emersa (fora de água): cerca de 30% dessa superfície. 
Encontra-se, no entanto, distribuída de forma irregular, devido à diversidade climática e às características dos terrenos.
Recurso renovável, a floresta contribui não só para o equilíbrio ecológico da terra, como tem sido, através dos tempos, um meio fundamental para a sobrevivência do Homem:

 A floresta renova o ar, produzindo oxigénio e consumindo dióxido de carbono;

tem uma acção regularizadora do clima, através da produção de vapor de água;

contribui para a protecção dos solos, evitando a erosão;

favorece a infiltração e conservação da água no solo;

impede, em certas zonas, o avanço da areia e dos ventos marítimos;

constitui uma fonte de alimentação para muitos seres vivos;

é, ainda, para o homem fonte de energia e de matérias-primas.

Sabias que...

As florestas produzem oxigénio e consomem dióxido de carbono. As florestas da Amazónia, no Brasil, produzem 40% do oxigénio do Mundo.

Numa área de 10 Km2 de floresta tropical típica existem mais de 2500 espécies diferentes de seres vivos – plantas e animais.

O Brasil perde, anualmente, 50 000 Km2 de floresta.

A ex-RDA (ex República Democrática Alemã) já perdeu metade das suas florestas por causa das chuvas ácidas.

Todos os anos se destroem 13 milhões de hectares (1ha = 10 000 m2) de florestas tropicais.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Atum de barbatana azul, a salvação é urgente

 .
Paris, França– Ambientalistas reclamaram dos governos medidas drásticas para salvar o atum de barbatana azul do Atlântico, à beira da extinção, durante uma reunião internacional na capital francesa. Organizações como Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Pew Environment Group e Greenpeace orquestraram uma forte campanha por ocasião deste encontro da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (Cicaa), que vai até o dia 27.

Estas entidades querem que os membros da Cicaa suspendam a pesca industrial do atum de barbatana azul do Atlântico oriental – manjar favorito no mundo –, até que sejam implementadas medidas sustentáveis e a espécie dê sinais de recuperação. 
Ou, no mínimo, que as cotas de pesca anuais passem das atuais 13.500 toneladas para seis mil toneladas.
 “ A nossa posição está ancorada na ciência”, disse Gemma Parkes, porta-voz do capítulo mediterrâneo do WWF. “Não estamos contra a pesca sustentável.
 Os próprios cientistas da Cicaa dizem que a redução ainda permite uma forte possibilidade de as espécies se recuperarem”, acrescentou. 80%, segundo os cientistas. Esta redução é atribuída à superexploração, que procura atender o voraz apetite pelo pescado de algumas Nações industrializadas, particularmente para ser usado na preparação de sushi. 
Aproximadamente 80% dessa espécie capturada no Mediterrâneo é exportada para o Japão. Este país, junto com Estados Unidos e União Europeia (UE), representam 70% do mercado desta variedade marinha

Forrageiras contra as mudanças climáticas

Por Constanza Vieira*

Duas forrageiras, uma gramínea e uma leguminosa, oferecem opções para que os pecuaristas colombianos reduzam a poluição causada por suas reses.

Bogotá, Colômbia - 2010).- A Colômbia, com 24 milhões de cabeças de gado, apresenta dois avanços para reduzir os 13% de gases causadores do efeito estufa que se atribui à indústria planetária de ruminantes. As palavras-chave: brachialactona e Lotus uliginosus. A brachialactona, um composto químico descoberto neste país andino nas raízes do pasto africano Brachiaria humidicola, dá a esta gramínea o atributo de evitar que o óxido nitroso, um poderoso gás-estufa, suba para a atmosfera.

Este composto é capaz de aumentar a fixação microbiana do nitrogênio atmosférico e também de inibir a nitrificação biológica, parte do ciclo natural do nitrogênio, o que definitivamente pode reduzir a contaminação de gases que estão causando o aquecimento global. Na sede mundial do famoso Centro Internacional para a Agricultura Tropical (Ciat), perto da cidade colombiana de Palmira, há cerca de 30 anos foi observado que a pastagem brachiaria inibia a nitrificação biológica.

O motivo não era conhecido, até que, este ano, os cientistas encontraram e caracterizaram a brachialactona, no Programa de Forragens Tropicais do Ciat, junto com seus colegas do Centro Internacional de Pesquisa para as Ciências Agrícolas e do Instituto Nacional de Pesquisa em Alimentos, ambos do Japão. A brachialactona é liberada em solos onde predomina a amônia, que desencadeia e mantém sua produção.

A América Latina tem cerca de 80 milhões de hectares de pastagem brachiaria. Por isso, o Ciat e seus associados estudam generalizar sistemas mistos de cultivos forrageiros e gado, dominados pela amônia e que incluam pastagens com capacidade moderada ou alta de inibir a nitrificação biológica. Assim, os pastos brachiaria poderiam ser a solução para uma pecuária sustentável e com impacto ecológico mínimo, disse em um comunicado o nutricionista de plantas do Ciat, Idupulapati Rao.

A alimentação com brachiaria na pequena pecuária do sudeste asiático teve sucesso, segundo o Ciat, que afirma que se trata de um pasto nutritivo e que agrada ao gado. Nos trópicos, onde não existem estações, a brachiaria é cultivada em áreas quentes e temperadas (de zero a 1.800 metros de altitude), disse ao Terramérica um cientista relacionado com a pecuária que não quis ser identificado.

É uma pastagem muito rústica, apta para solos de baixa e média fertilidade e resistente às inundações e à seca. Na Colômbia existem entre cem e duzentos tipos de brachiaria. Entretanto, segundo este especialista, não são desejáveis por serem agressivos colonizadores. Além disso, não é que o gado prefere estas pastagens, simplesmente as comem se não há mais nada. Contudo, admitiu que a descoberta da brachialactona terá “muita utilidade”.

De fato, a Federação Colombiana de Pecuarista (Fedegan) prefere a plantação de pastagens autóctones, que não necessitam ser replantadas e são muito mais resistentes a pragas e doenças. A Fedegan não se deu bem com a espécie humidicola, diz um documento desta associação de produtores ouvida pelo Terramérica. Em um teste de germinação de uma semana, brotaram apenas 3% das sementes de humidicola, contra uma média de 64% de outras cinco forrageiras, quatro delas brachiarias.

Se a humidicola é lenta para germinar, o Lotus uliginosus, uma pequena leguminosa usada também com forragem, é lenta para se expandir ou estabelecer-se em um pasto. A propriedade do Lotus é que reduz no intestino bovino a formação de metano, outro potente gás-estufa.

Assim demonstraram sucessivas pesquisas desenvolvidas durante 13 anos por 21 estudantes de zootecnia e quatro de mestrado em produção animal, dirigidos pelo professor Edgar Cárdenas, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Nacional da Colômbia. Seu trabalho de pesquisa climática se desenvolve em acordo com várias universidades, com a Massey University da Nova Zelândia.

“Uma vez estabelecido, o Lotus é uma planta perene que não necessita ser replantada. Precisa apenas de fertilizações mínimas, diferentes da fertilização com ureia, que tantos danos causa ao meio ambiente”, disse Edgar ao Terramérica. Este pasto neozelandês adapta-se bem a terras altas e frias dos Andes, entre dois mil e três mil metros de altitude. “Uruguai e Argentina têm um banco genético imenso de Lotus”, disse Edgar, especializado em meio ambiente e gases-estufa. Junto com o Paraguai, estes países possuem grandes extensões da leguminosa.

Ao ser ingerido pelo gado, o Lotus diminui radicalmente a eliminação de nitrogênio (gerador de óxido nitroso) pela urina e reduz a liberação de metano, própria da digestão dos ruminantes. A proteína do Lotus não se degrada, sendo absorvida pelo intestino do animal. As vacas produzem cinco litros de leite a mais por dia, e este apresenta “14% mais proteína e 11% mais gordura”, segundo Edgar.

O Lotus foi apresentado em sociedade em setembro, durante um dia de campo com mais de 600 pecuaristas em uma fazenda privada da savana de Bogotá. Os produtores “estavam emocionados”, recordou Edgar, “vendo os resultados da produção de leite. Ficaram maravilhados. A pergunta do milhão é quando vão querer adotá-la. Isso depende de cada pecuarista”

Os produtores dizem que esta pastagem, dependendo de como é semeada, demora entre seis e nove meses para se estabelecer, em comparação com os dois ou três meses de outras espécies. Edgar respondeu que “o imediatismo pecuário não os faz pensar de forma sustentável, mas de curto prazo. Todos querem para já”, o que não lhes permite ver que, com o Lótus, “podem reduzir a aplicação de fertilizantes nitrogenados” e economizar dinheiro no médio prazo.

Enquanto renovar as pastagens com raigrás (gramínea do gênero Lolium) custa US$ 675 por hectare, com o Lotus a despesa cai para US$ 512. A manutenção de uma pradaria mesclada com raigrás tem custo de US$ 2.920 por hectare, enquanto com Lotus é de apenas US$ 620, segundo Edgar. Contudo, o professor não gosta dessas contas pois, segundo disse, o x da questão é reduzir as emissões de gases-estufa, que também afetam o potencial exportador da pecuária. “Hoje, para poder exportar, os mercados internacionais impõem a restrição da pegada de carbono. Um produto com alta taxa de emissão de gases-estufa não é comprado no exterior e nunca exportaremos, porque nossa pecuária é alta emissora”, alertou.

* A autora é correspondente da IPS.

Crédito da Imagem: Neil Palmer-Cortesia CIAT

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Semana Nacional da Reflorestação soma adeptos para plantar mais de 100 mil árvores


Lusa
Segundo Hélio Lopes, da coordenação nacional do movimento sem fins lucrativos “Plantar Portugal”, o objectivo é distribuir mais de 100 mil árvores por vários tipos de espaços, como áreas florestais (alguma atingidas por incêndios), baldios, zonas ribeirinhas, parques, jardins ou escolas.

De forma simbólica, a semana arranca no Dia da Floresta Mediterrânica com a plantação de uma árvore autóctone no centro geodésico de Portugal, no concelho de Vila do Rei, para se espalhar depois ao restante território continental e às ilhas.

Um pouco por todo o país, equipas concelhias vão orientar os voluntários, que podem conhecer o projecto na Internet (www.plantarportugal.org).

Hélio Lopes explicou que nesta primeira edição a obtenção de árvores está a ser feita a nível municipal, mas sublinhou que a organização está a fazer contactos para que no próximo ano seja possível oferecer as espécies às equipas concelhias, através de patrocínios, associações e outras parcerias.

Isto porque, tal como anunciado pelo movimento, a ideia é instituir um evento que se repita e contribua, a longo prazo, para promover o equilíbrio dos ecossistemas e alterar comportamentos que comprometam o ambiente.

Para já, a iniciativa está a correr “plenamente dentro das expectativas”. “Para mim o movimento já vingou, porque já é uma realidade”, disse Hélio Lopes.

Entre os apoiantes da Semana Nacional da Reflorestação estão o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, a Autoridade Florestal Nacional, a Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas, a Associação Bandeira Azul da Europa e o movimento internacional “Let’s do it World”, que inspirou o já decorrido “Limpar Portugal” e iniciativas semelhantes noutros países.
A iniciativa inclui, além das plantações e actividades pedagógicas, um concurso nacional de fotografia e vídeo.

O “Plantar Portugal” arrancou oficialmente em Março, altura em que entregou o primeiro Prémio Árvore de Cristal ao arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.
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  60 municípios estão já associados à Semana Nacional da Reflorestação

O sacrifício de animais e o ensino da biologia


Em 2007, o estudante de biologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Róber Bachinski entrou com uma liminar que o liberava de dissecar e sacrificar animais nas aulas práticas do curso de Ciências Biológicas. A justiça garantiu ao aluno o direito de continuar fiel às suas convicções sem que fosse reprovado por não participar dos sacríficios. A atitude de Róber gerou diversas discussões e inúmeras ONG’s em prol dos animais o apoiaram nesta decisão. A universidade recorreu à decisão de Róber e, três anos depois, a Justiça decidiu, na semana passada, por unanimidade, a sentença de primeiro grau, tornando obrigatória a participação do estudante nos trabalhos do curso de biologia.

A IHU On-Line, que acompanhou todo o caso, entrevistou Róber, por email, que hoje vive no Rio de Janeiro, sobre a decisão. “Muitas vezes pensei em desistir da Biologia e buscar melhorar essa discussão através da Filosofia. Porém sempre quis fazer biologia e não acho justo alguém desistir de uma vontade por imposição de uma ideia, como pensam os juízes da 2ª Instância. A escolha de um curso e de uma carreira vai além das práticas dessa carreira, até mesmo na modificação dela, e todo aluno tem o direito de questionar a validade ética e metodológica do conhecimento passado na academia”, apontou.
Por Redação IHU

É preciso cuidar das Florestas


 

Por Marwaan Macan-Markar, da IPS

Bangcoc, Tailândia, 18/11/2010 A Indonésia e a sua política florestal concentram a atenção de activistas e delegados que participarão das negociações sobre mudança climática, que começarão este mês no balneário mexicano de Cancún, onde será discutida a colaboração dos países ricos manutenção das selvas do Sul.

Os delegados que participarão da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que acontecerá de 29 deste mês a 10 de Dezembro, negociarão o mecanismo conhecido como Redução de Emissões de Carbono Causadas pelo Desmatamento e a Degradação das Florestas (REDD). Por esta iniciativa, os países mais contaminantes tentam compensar as suas emissões de carbono, o principal gás responsável pelo aquecimento global.


Os esforços internacionais  concentram-se no sentido de que a Indonésia, o maior país do sudeste da Ásia, beneficie da REDD porque tem uma das selvas com maior diversidade biológica da região. Esse país tem 94 milhões de hectares de florestas tropicais, dos 124 milhões que o sudeste asiático possui, distribuídos em dez Estados, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

A Birmânia, com 32 milhões de hectares, é o país com mais território de selva depois da Indonésia. “A REDD pode ser uma ferramenta útil e um incentivo para que os países detenham o desmatamento”, disse Patrick Durst, especialista da FAO para a Ásia-Pacífico. A Indonésia já adoptou medidas para deter o corte de árvores. A proporção de desmatamento diminuiu de 1,7% na década de 1990, para 0,7% nos últimos cinco anos, completou Patrick.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O que são as alterações climáticas


Fala-se muito sobre o tempo, o que não constitui nenhuma surpresa, se considerarmos o efeito que este exerce sobre a nossa disposição, a forma como nos vestimos e mesmo sobre aquilo que comemos. No entanto, o "Clima" não é a mesma coisa que o tempo. É, isso sim, o padrão médio de tempo para uma determinada região durante um período alargado
O clima sempre variou em função de causa naturais, e assim continuará a ser. As causas naturais podem ser alterações mínimas na radiação solar, erupções vulcânicas que podem cobrir a Terra com poeiras que reflectem o calor do sol de volta para o espaço, e variações naturais no próprio sistema climático
No entanto, as causas naturais explicam apenas uma pequena parte deste aquecimento global. 
A grande maioria dos cientistas concorda que tal se deve a crescentes concentrações de gases de efeito de estufa que mantêm o calor na atmosfera e que são causados pela actividade humana
Compreender as alterações climáticas
A energia do sol aquece a superfície da terra e, à medida que a temperatura aumenta, o calor é radiado novamente para a atmosfera sob a forma de energia infravermelha. Alguma da energia é absorvida na própria atmosfera pelos gases de “efeito de estufa”
A atmosfera actua tal como as paredes de uma estufa, deixando penetrar a luz visível e absorvendo a energia infravermelha que sai, mantendo o calor no interior da estufa. Este processo natural designa-se por "efeito de estufa". Sem este efeito, a temperatura global média da terra seria -18°C, quando neste momento se situa nos +15°C.
No entanto, as nossas actividades estão a provocar a acumulação na atmosfera de gases de efeito de, especialmente dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, que ampliam o efeito de estufa natural e aquecem o planeta. Este aquecimento adicional provocado pelo homem é designado por efeito de estufa "ampliado".

Alguém falou em alterações climatéricas?

É a nossa Terra - Connosco ou sem nós...

Gostaria de poder analisar instantaneamente a pegada de carbono de cada produto no supermercado? Uma grande exposição em Bruxelas, dedicada ao nosso impacto sobre o planeta, permite que façamos precisamente isso. 
A mensagem é clara: A Terra consegue sobreviver sem nós, mas nós não temos futuro sem a Terra. Portanto, é do interesse colectivo de todos nós assegurarmo-nos de que o nosso único lar se mantém hospitaleiro para a vida – quer humana, quer de outras formas.
Houve uma altura, há milhões de anos atrás, em que a Humanidade não existia. Num futuro distante, talvez daqui a milhões de anos, esse poderá ser novamente o caso. Contudo, dado o seu poder sem precedentes para influenciar o planeta, os seres humanos podem tornar-se potencialmente as primeiras criaturas a precipitar a sua própria extinção – para além de todas as outras criaturas que estão a matar. Não somos apenas uma ameaça para o planeta e para a contínua sobrevivência da vida: somos de facto um risco para nós próprios.
Então, como seria o planeta sem nós? Esta é uma das perguntas exploradas por artistas na exposição “É a nossa Terra”, no centro de exposições Tour & Taxis, em Bruxelas (BE). Yannick Monget, um escritor francês de ficção científica e activista ambiental que contribuiu para a exposição, criou imagens de dois marcos famosos a serem reclamados pela natureza: o Capitólio, em Washington, quase completamente consumido por uma densa e luxuriante floresta, e o Atomium, em Bruxelas, tiritante no decurso de uma nova idade do gelo.
Para sublinhar quão efémero o nosso impacto se pode revelar, a exposição destaca alguns factos surpreendentes: sem a Humanidade, a rede de metropolitano de Nova Iorque ficaria debaixo de água em dois dias, o Canal do Panamá desapareceria por completo em dois anos e mesmo as nossas cidades mais magnificentes seriam consumidas pela vegetação em alguns séculos. Apenas os nossos resíduos mais duradouros, como o plástico, permaneceriam por centenas de milhares de anos.
“A exposição foi concebida para estimular a reflexão e desafiar a indiferença no que respeita à tomada de consciência e à responsabilização”, explica um dos curadores da exposição, Nicolas St-Cyr. “Tentamos apelar às pessoas tanto ao nível emocional como intelectual, apresentando-lhes obras de arte e factos científicos”.
Das emissões às omissões
As alterações climáticas são um dos grandes temas abordados pela exposição. Numa das instalações, os visitantes podem “fazer compras” num supermercado de CO2 equipado com scanners que lhes podem indicar qual a pegada de carbono dos diferentes produtos do dia-a-dia. “Temos esperança que todos os supermercados, um dia, disponibilizem aos seus clientes esta informação”, afirma St-Cyr.
A exposição proporciona também uma visão aprofundada sobre os nossos estilos de vida intensivamente consumidores de energia. Na “sala-de-estar” da exposição, os visitantes podem ficar a saber quanta energia utilizamos e as emissões que produzimos. No Ocidente, os edifícios são responsáveis por 46% do nosso consumo de energia e por 18% das emissões de gases de efeito de estufa. Desde 1990, o consumo mundial de energia multiplicou-se por um incrível factor de 18, ao passo que a população cresceu cinco vezes. Isto é verdadeiramente insustentável e têm de ser encontradas formas de controlar este consumo desenfreado.
Um exemplo pungente do nosso excesso de consumo e de produção de desperdício é-nos dado pela ofuscante representação – em tinta fluorescente iluminada por raios ultravioleta – da Time Square em Nova Iorque, um feixe incandescente de desperdício de electricidade, da autoria do artista americano Thomas Bacher. 
A exposição esforça-se igualmente por trazer para o debate sobre o aquecimento global uma perspectiva ambiental mais ampla. “Com toda a atenção que as alterações climáticas estão a receber, corremos o risco de perder de vista o cenário global”, sublinha St-Cyr. “Por isso, abordamos as alterações climáticas no contexto mais vasto do desenvolvimento sustentável”.
A água, que se encontra intimamente interligada com as alterações climáticas, é um problema importante abordado pela exposição. Na Lavandaria, o visitante é colocado perante o paradoxo de que, apesar da aparente abundância de água e em termos da sua utilização pelos seres humanos, vivemos na realidade num planeta bastante seco: apenas 0,3% da água existente na Terra estão acessíveis e são utilizáveis. Para além disso, essa água é desigualmente distribuída e consumida. Pilhas de baldes representam o consumo de água em diferentes partes do mundo: com a pilha dos EUA a erguer-se acima das restantes com 400 litros por pessoa por dia e a África subsariana na base, com apenas 20 litros. 
A exposição destaca também a forma como, alimentados pela nossa cultura do descartável e do consumismo, estamos a esgotar não apenas os combustíveis fósseis, mas também praticamente todos os recursos. Uma obra de arte da autoria da artista germano-francesa Gloria Friedmann representa um veado em dificuldades, uivando em agonia sobre uma enorme pilha de jornais, num lamento pelo seu habitat perdido. Noutro local, um gráfico assinala para quantos anos de consumo, ao ritmo actual, nos chegam as reservas dos diferentes minerais, metais e outros materiais básicos.
Um mundo de diferença
Para além de destacar os problemas, uma secção completa da exposição é dedicada à procura de soluções. São exploradas várias categorias: mobilidade, alimentação, consumo, habitação, produção, educação, responsabilidade pública e tecnologia. No que se refere à mobilidade, uma proposta é a de reduzir em 65% o trânsito nas cidades. 
Entre as propostas relativas ao consumo, encontra-se a de transformar a nossa cultura do descartável, encorajando as pessoas a comprarem produtos mais duradouros, a fazerem elas próprias mais coisas, a manterem os produtos por mais tempo e a entregarem a outras pessoas os produtos que já não querem. As soluções para a habitação tidas em conta incluem o uso de eco-edifícios e de práticas de recuperação, viver em casas mais pequenas nas áreas urbanas, e tornar as cidades mais amigas do ambiente.
Para aliviar o estado de espírito, foi introduzida uma dose de humor nesta área. Uma instalação divertida inclui uma campanha publicitária forjada, a anunciar o meio de transporte perfeito para o homem e para a mulher na cidade: os pés. Utilizando o nome de marca comercial “Pé”, os anúncios fazem a ligação entre os benefícios ambientais, para a saúde e económicos de andar a pé.
“Se não reduzirmos radicalmente a nossa pegada no planeta ao longo das próximas décadas, as gerações futuras terão de lidar com efeitos catastróficos para a Humanidade e para muitas outras espécies vivas”, adverte St-Cyr.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O novo ambientalismo para a sustentabilidade



Por Vilmar Berna*, do Portal do Meio Ambiente

O ambientalismo compara-se a uma corrida de bastão com obstáculos. Quando um cansa ou pára, outro continua. Assim, apesar de muitos terem morrido, cansado ou desistindo, a luta continuou e continua, cada vez mais complexa, à medida que cresce a compreensão na sociedade que não basta ser ambientalmente correto sem ser também socialmente justo e viável economicamente.

Se antes, bastava ser cidadão ou cidadã indignados para cobrar por direitos ambientais, agora é preciso também dominar conceitos e conhecimentos complexos sobre meio ambiente, tecnologias limpas, gestão, educação, comunicação, ecoeficiência, legislação ambientais, ecologia política, ecologia humana, economia sustentável, e tudo isso num ambiente de mudanças muito rápidas em que para se manter atualizado e não ser ultrapassado pelos fatos é preciso participar de várias redes sociais, redes de informações, ler muito, dispor-se a estudar EIA/RIMA (Estudos de Impacto Ambientais), participar de audiências publicas, acompanhar e fiscalizar o cumprimento de medidas compensatórias, mitigadoras e reparadoras de empreendimentos que produzem impactos socioambientais, etc.

Sudão continua a condenar menores à morte




Por Reem Abbas, da IPS

Cartum, Sudão, 11/11/2010 – A ambiguidade das leis no Sudão permitiu que quatro menores de idade fossem condenados à morte pelo roubo de automóveis em Jur Baskawit, na província de Darfur Sul. Ibrahim Shrief, de 17 anos, Abdalla Abadalla Doud e Altyeb Mohammad Yagoup, de 16 anos, e Abdarazig Daoud Abdelseed, de 15, foram sentenciados junto com cinco adultos no dia 21 de outubro por roubo a mão armada, crimes contra o Estado e incentivo à guerra contra as instituições, delitos previstos no Código Penal Sudanês de 1991.
 A sentença  aponta-os como membros do Movimento Justiça e Igualdade, a maior organização rebelde da província de Darfur

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

                                       O sorriso colorido da minha terra, Angola

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Cúpula do G-20 à beira do abismo

 
Por Kanya D’Almeida, da IPS


Nações Unidas, 8/11/2010 – A discussão sobre a legitimidade do Grupo dos 20 para tomar decisões globais  renova-se quando falta uma semana para uma nova reunião de cúpula, em Seul. Do encontro, que acontecerá nos dias 11 e 12 deste mês, participarão países que produzem coletivamente cerca de 85% da riqueza mundial. O G-20 foi formado a partir do Grupo dos Oito (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) e inclui Austrália, Coreia do Sul, México, Turquia e mais sete países em desenvolvimento – Brasil, Argentina, Arábia Saudita, China, Índia, Indonésia e África do Sul –, além da União Europeia.

Em resposta a uma crescente controvérsia sobre a legitimidade e competência do bloco, The Century Foundation, com sede em Nova York, organizou no fim de Outubro um debate do qual participaram quatro especialistas em economia e política internacionais. Entre os vários temas políticos figurou a dinâmica relação entre o G-20 e a Organização das Nações Unidas (ONU). Desde que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, proclamou o G-20 como o “ponto focal para a coordenação internacional”, relegando o mandato da ONU sobre direitos humanos, igualdade de gênero, boa governança e manutenção da paz, muitos autores mostraram-se preocupados pela influência do bloco.

“Existe o perigo de o G-20 ser visto como um substituto da ONU”, disse Shashi Tharoor, ex-subsecretário geral das Nações Unidas e ministro indiano das Relações Exteriores. “Mas isso não será aceitável, já que são fóruns muito diferentes e estamos muito fortemente comprometidos com a ONU”, ressaltou. Stewart Patrick, do Council on Foreign Relations, afirmou em um documento político que o “G-20 é uma organização mais ágil” do que a ONU, por não estar cheia de burocracia. Mas, no começo deste ano o chanceler norueguês, Jonas Gahr Støre acusou o G-20 de ser um bloco arbitrário, sem um mandato claro, e o descreveu como “a maior adversidade para a comunidade internacional desde a Segunda Guerra Mundial”.

Talvez, o reflexo mais preciso da posição que ocupa o G-20 na comunidade internacional sejam os protestos que ocorrem duas vezes ao ano na cidade onde faz sua reunião. Por ocasião da última cúpula do bloco, em Toronto, no mês de junho, dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas enfurecidos por considerarem que haviam sido desperdiçados US$ 1,2 bilhão de fundos fiscais na organização do encontro.

A cúpula de Seul acontecerá  num momento de imensa agitação econômica mundial, e os críticos afirmam que é vital que o G-20 se adapte ao novo clima financeiro. 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

BIODIVERSIDADE - O que é?

A biodiversidade é a diversidade de animais, plantas, microorganismos que existem na Terra e as inter-relações que estabelecem entre si.
  E, como sabe, os animais, as plantas e os microorganismos vivem nas florestas, nos desertos, nos oceanos, nos pólos, nas zonas húmidas e estabelecem relações entre si.
Que relações ?
Por exemplo, os insectos ao voarem de flor em flor transportam o pólen necessário para as plantas terem frutos e sementes. Em troca os insectos alimentam-se do néctar fabricado pelas flores.
Agora se lhe perguntarem, qual o mais importante, um insecto ou um elefante? -  Um Insecto? Um Elefante?
Ambos são importantes. Não importa o tamanho, cada um no seu lugar equilibra a balança da vida. O elefante, por exemplo, ao deitar abaixo árvores e galhos, permite que os animais mais pequenos e que gostam de ramos e folhas acedam facilmente a estes alimentos.
 E sabe quantos animais e plantas existem na Terra?
 Existem muitos, muitos animais e muitas plantas na Terra. Imagine que só de formigas existem mais de 10.000 espécies. E se pensar em todos os insectos – libelinhas, gafanhotos, borboletas, moscas, percevejos, abelhas, vespas e formigas – na terra existem mais de 800 mil espécies.
 Apesar de existirem muitos animais e plantas, muitos não foram protegidos a tempo e desapareceram da face da Terra. Como o Dodó, uma ave não voadora, caçado pelo Homem e a que os porcos, os ratos e os macacos destruíram os seus ninhos. Agora já não existem Dodós, estão extintos.
 Por tudo isso, temos de proteger os animais e as plantas para que não desapareçam da Terra.
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O DNA da Biodiversidade

.Nagoya, Japão - Os delegados na 10º Conferência sobre Diversidade Biológica aprovaram um plano raquítico para a enorme tarefa de travar o desaparecimento de espécies. O pacto sobre recursos genéticos foi a excepção.
Os representantes de mais de 190 países concordaram em colocar sob regime de proteção 17% das terras e 10% dos mares e oceanos até 2020. Atualmente, estão protegidos menos de 10% das terras e menos de 1% dos mares.
O objetivo inicial era chegar a 25% e 15%, respectivamente.
No acordo está incluído o Protocolo de Nagoya de Acesso e Participação nos Benefícios dos Recursos Genéticos, o êxito mais notável da COP 10, que de todo modo foi negociado por 18 anos. Este documento estabelece mecanismos para utilizar o material genético de plantas, animais e micróbios na produção de alimentos, remédios, insumos industriais, cosméticos e em muitas outras aplicações.

Por “acesso” entende-se a forma como esses recursos são obtidos, e “a divisão dos benefícios” significa como são distribuídos os ganhos provenientes desse uso.
No acordo está incluído o Protocolo de Nagoya de Acesso e Participação nos Benefícios dos Recursos Genéticos, o êxito mais notável da COP 10, que de todo modo foi negociado por 18 anos. Este documento estabelece mecanismos para utilizar o material genético de plantas, animais e micróbios na produção de alimentos, remédios, e em sumos industriais, cosméticos e em muitas outras aplicações.

O aproveitamento dos recursos genéticos deve muito aos conhecimentos empíricos adquiridos pelos povos indígenas durante séculos de uso e observação.
Os povos originários consideram-se depositários e protectores de boa parte da biodiversidade do mundo e dos conhecimentos tradicionais. Sem um acordo internacional formal como este, é impossível terem esse papel reconhecido e que seja detida a exploração de materiais e técnicas, que ocorre há décadas diante dos seus narizes.
“O Protocolo de Nagoya coloca os povos indígenas em condições de falar directamente aos Estados sobre os nossos direitos aos recursos genéticos e o valor do conhecimento tradicional no uso dos mesmos”, disse Hardison ao Terramérica. China e Índia queriam nacionalizar os recursos genéticos fronteiras adentro. União Europeia (UE), Canadá e Austrália, que possuem grandes indústrias farmacêuticas e cosméticas, apresentaram dura resistência às tentativas de incluir os produtos bioquímicos derivados de plantas e outras espécies, destacou Hardison.

Embora pareça incrível, este documento pode ser o mais forte dos três pilares do Convênio sobre a Diversidade Biológica. O segundo pilar é o plano estratégico com 20 objectivos a cumprir antes de 2020, e cuja finalidade central é chegar a esse ano com um ritmo de extinção de espécies que seja a metade do actual.
“Acreditamos que ainda são necessárias metas muito mais ambiciosas para sustentar a ampla gama de serviços essenciais que os ecossistemas prestam ao bem-estar humano”, disse Russell Mittermeier, presidente da organização não governamental Conservation International, com sede nos Estados Unidos. “A conservação e o uso sustentável da biodiversidade precisa que o sector público realize investimentos catalisadores, estratégicos e bem dirigidos”, disse Mittermeier  num comunicado
Talvez, o pilar mais fraco seja o terceiro, o financiamento para implementar o Protocolo e o plano estratégico. No momento são destinados US$ 3 bilhões anuais à assistência ao desenvolvimento em matéria de biodiversidade e conservação. Os especialistas concordam que a quantia deveria ficar entre US$ 30 bilhões e US$ 300 bilhões. Contudo, em Nagoya não se conseguiu esse compromisso. “Precisamos de aproveitar a energia desta reunião, onde vimos compromissos significativos e uma renovada vontade política, bem como dinheiro real” procedente de, por exemplo, Japão, disse Jane Smart, da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Uma viagem às minhas origens, Angola

Amigos, seguidores e visitantes, venho por este meio pedir desculpa por durantes alguns dias não ter feito qualquer actualização no blogue
Encontro-me neste momento em Angola e durante alguns dias não tive hipotese de acesso a internet...
Prometo dentro do possivél ir dando mais algumas dicas nos proximos dias
Obrigado pela compreensão, num abraço écologico