terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mãe-Terra

                                        
Mãe...
Nunca se falou tanto da Terra como nos últimos tempos.
Parece que a Terra acaba de ser descoberta.
Os seres humanos fizeram um sem número de descobertas, de povos indígenas embrenhados nas florestas remotas, de seres novos da natureza, de terras distantes e de continentes inteiros.
Mas a Terra nunca foi objecto de descoberta. Foi preciso que saíssemos dela e a víssemos a partir de fora, para então descobri-la como Terra e Casa Comum.
Foi a partir dos anos 60 com as viagens espaciais.
Os astronautas revelaram-nos imagens nunca antes vistas. Usaram expressões patéticas, como "a Terra parece uma árvore de Natal, dependurada no fundo escuro do universo", "ela é belíssima, resplandecente, azul-branca", " ela cabe na palma da minha mão e pode ser encoberta com o meu polegar". Outros tiveram sentimentos de veneração e de gratidão e rezaram. 
Todos voltaram com renovado amor pela boa e velha Terra, a nossa Mãe.·
Esta imagem do globo Terrestre visto do Espaço exterior, divulgado diariamente pelas televisões do Mundo inteiro, suscita em nós um novo estado de consciência.
Na perspectiva dos Astronautas, a partir do Cosmos, Terra e Humanidade formam uma única Entidade. 
Nós não vivemos apenas sobre a Terra.
Somos a própria Terra que sente, pensa, ama, sonha, venera e cuida.·
Mas nos últimos tempos anunciaram-se graves ameaças que pesam sobre toda Terra.
Os dados publicados a partir de 2 de Fevereiro de 2007 culminando a 17 de Novembro pelo organismo da ONU  Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, com os impasses recentes em Bali, dão-nos conta  que já entrámos na fase do aquecimento Global com mudanças abruptas e irreversíveis. Pode variar de 1,4 até 6 graus Célsius, dependendo das regiões Terrestres.
As mudanças climáticas possuem origem andrópica, quer dizer, têm no ser humano que inaugurou o processo industrialista selvagem, o seu principal causador.·
Se nada for feito, iremos ao encontro do pior e milhões de seres humanos poderão deixar de viver sobre o Planeta
Como destruímos irresponsavelmente, devemos agora regenerar urgentemente.
A salvação da Terra não cai do céu. Será fruto da nova co-responsabilidade e do renovado cuidado de toda a família Humana
Dada esta nova situação, a Terra tornou-se, de facto, o obscuro e grande objecto do cuidado e do amor Humano. Ela não é o centro físico do Universo como pensavam os nossos antepassados.
Só temos este planeta para nós. É daqui que contemplamos o Universo.
É aqui que trabalhamos, amamos, choramos, esperamos, sonhamos e veneramos.·
Lentamente estamos a descobrir que o valor supremo é assegurar a persistência do Planeta Terra e garantir as condições ecológicas e espirituais para que a espécie Humana se realize e toda a comunidade de vida se perpetue.·
Em razão desta nova consciência. Falamos do princípio Terra.
Ele funda uma nova radicalidade. Cada saber, cada instituição, cada religião e cada pessoa deve colocar-se esta pergunta: que faço eu para preservar a Mãe comum e garantir que tenha futuro, já que ela há 4,3 bilhões de anos está a ser construída e merece continuar a existir.
Porque somos Terra não haverá para nós Céu sem Terra. 

Protecção Ambiental

Uma Abordagem Ética à Protecção Ambiental – Dalai Lama

A paz e a vida na Terra estão ameaçadas por actividades Humanas não comprometidas com valores Humanitários. A destruição da natureza e seus recursos são resultado da ignorância, da cobiça e da falta de respeito pelos seres vivos, incluindo nossos próprios descendentes. As gerações futuras herdarão um Planeta extremamente degradado, caso a paz Mundial não se efective e a destruição da natureza continue neste ritmo
.
Os nossos ancestrais viam a Terra como rica e generosa, o que realmente é. Muita gente no passado também via a natureza como inexoravelmente sustentável. Está comprovado que caso cuidemos bem da Terra, ela pode ser efectivamente uma fonte inesgotável de recursos
.
Não é difícil perdoar a destruição causada à Terra no passado, fruto da ignorância. Hoje, contudo, temos fácil acesso a todo o tipo de informação e é essencial que examinemos eticamente o que herdámos, quais são as nossas responsabilidades e o que passaremos para as gerações vindouras.
Muitas dessas gerações poderão não conhecer habitats, animais, plantas, insectos e microrganismos da Terra. Temos a capacidade e a obrigação de agir e devemos fazê-lo antes que seja tarde demais. O mesmo cuidado que temos em cultivar relações pacíficas com os nossos semelhantes, deve ser estendido ao meio ambiente
.
E não apenas por uma questão moral ou ética, mas pela nossa própria sobrevivência. Para a geração presente e para as futuras, o meio ambiente é fundamental. Se o explorarmos exaustivamente, podemos receber algum benefício hoje, mas, em longo prazo, sofreremos as consequências. Quando o meio ambiente se altera, as condições climáticas também se alteram e, por conseguinte, a nossa saúde está a ser muito afectada. Repetindo, a conservação não é meramente uma questão moral, mas sim da nossa própria sobrevivência.

Portanto, para conseguirmos protecção e conservações ambientais mais eficazes, é essencial que o ser humano desenvolva um equilíbrio interno. O desconhecimento em relação à importância da preservação do meio ambiente causou graves danos à humanidade. Precisamos agora ajudar as pessoas a compreenderem a necessidade urgente da protecção ambiental para a nossa sobrevivência.

Se você quer ser egoísta, então seja sábio e não mesquinho no seu egoísmo. A chave está no nosso senso de responsabilidade universal. Essa é a verdadeira fonte de luz, a verdadeira fonte de felicidade.
Se esgotarmos tudo o que estiver disponível na Natureza, como árvores, água e sais minerais, e não fizermos um planeamento adequado para as próximas gerações, para o futuro, certamente estaremos em falta. Entretanto, se tivermos um verdadeiro senso de responsabilidade universal como força motriz, as nossas relações com o meio ambiente e com os nossos vizinhos serão bem mais equilibradas.

Por último, a decisão de salvar o meio ambiente deve brotar do coração do homem. Clamemos a todos para que desenvolvam um senso de responsabilidade universal fundamentado no amor, na compaixão e na clareza de consciência.
A minha mensagem é a prática do amor, da compaixão e da bondade. Estas qualidades são muito úteis para vivermos nosso quotidiano mais harmoniosamente, e também muito importantes para a sociedade humana como um todo.

Uma profunda compaixão é a raiz de todas as formas de adoração.
Onde quer que eu vá, sempre aconselho as pessoas a serem altruístas e bondosas. Tento concentrar toda a minha energia e força espiritual na disseminação da bondade. É o que há de mais essencial.
A bondade é o que realmente importa. A bondade, o amor e a compaixão combinados são sentimentos que levam à essência da fraternidade. São os alicerces da Paz interior.
Com sentimentos de ódio e rancor, é muito difícil alcançar a paz interior. Neste sentido, as religiões e crenças são convergentes. Em todas as grandes religiões do Mundo, a ênfase é no espírito de fraternidade.

São os inimigos que verdadeiramente nos ensinam a vivenciar sentimentos de compaixão e tolerância. As guerras surgem porque não há compreensão do lado humano das pessoas. Ao invés de conferências e encontros políticos, por que não convocar as famílias a fazerem um piquenique para que se conheçam mutuamente, enquanto as suas crianças brincam juntas?

Nos tempos antigos, quando havia uma guerra, o embate era corpo a corpo. O vitorioso entrava em contacto directo com o sangue e o sofrimento do inimigo durante a batalha. Hoje, as guerras adquiriram uma proporção muito mais horrenda. Um homem, sentado numa sala, aperta um botão e mata milhões de pessoas instantaneamente, sem ao menos ver o sofrimento humano que infligiu. A mecanização da guerra e a automatização dos conflitos humanos são, cada vez mais, uma ameaça à paz Mundial.

Dalai Lama

Declaração do Chefe Índigena Seatlle

Declaração feita pelo Chefe Índigena Seatlle, proferido em 1854 em resposta  a oferta de compra por parte do Presidente dos EUA, Srº  Franklin Pierce, de grande parte das suas terras, oferecendo como contrapartida a concessão de outra reserva
- Usado pelo Programa da ONU para o meio ambiente-PNUMA-  

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia  parece-nos estranha. Se não possuímos a frescura do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e insecto a zumbir são sagrados na memória e experiência do meu povo. Seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos dos homens branco esquecem a sua terra de origem, quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais se esquecem desta bela terra, pois ela é Mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos radiosos, os sulcos húmidos no campo, o calor do corpo do potro, e o homem—todos pertencem a mesma família.
Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar a nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos.
Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.
Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue dos nossos antepassados. Se lhe vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar às vossas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.
Os rios são nossos, saciam nossa sede. Os rios carregam as nossas canoas e alimentam as nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar-se e ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos, e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende os nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus filhos. A sepultura de seus antepassados não o incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua Mãe, a Terra, o seu irmão, e o céu, como coisas que se possam  comprar, saquear e vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
Eu não sei, os nossos costumes são diferentes dos vossos. A visão das vossas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um insecto. Mas, talvez seja porque eu sou selvagem e não compreenda. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite?
Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro_ o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos a nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar-se que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda vida que mantém. O vento que deu ao nosso avô o seu primeiro inspirar também recebe o seu último suspiro. Se lhes vendermos a nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.
Portanto, vamos meditar sobre a sua oferta de compra ar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi milhares de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, brevemente acontecerá com o homem. Há uma ligação em tudo.
Vocês devem ensinar às crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às vossas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.
Isto sabemos: a terra pertence ao homem: o homem pertence à terra.
Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O
que ocorrer com aterra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode ser isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: Nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que o possuem, como desejam possuir nossa terra: mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e a sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra é preciosa, e feri-la é desprezar o seu criador. Os brancos também passarão, talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem as vossas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejectos.
Mas quando da vossa desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por alguma razão especial vos deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados de cheiro de muitos homens e a visão dos morros obstruída por fios que falam.
Onde está o arvoredo? Desapareceu! É o final da vida e o início da sobrevivência” 

Mãe Terra

Ensinem aos vossos pais que a terra é nossa mãe...