quinta-feira, 31 de março de 2011

As cidades não estão prontas para as mudanças climáticas

 


A ONU alerta que o atual modelo de urbanização está em rota de colisão com o clima e que se os governos não agirem rapidamente o aquecimento global poderá fazer com que 200 milhões de pessoas fiquem sem abrigo até 2050.

Se os cálculos das emissões de gases de efeito estufa das cidades englobarem processos como o consumo e a geração de energia, os transportes e a produção industrial, as áreas urbanas aparecerão como as grandes vilãs mundiais, ficando responsáveis por 70% das emissões sendo que ocupam apenas 2% do território do planeta.

É justamente como protagonistas das mudanças climáticas que o relatório Cities and Climate Change: Global Report on Human Settlements 2011 (Cidades e Mudanças Climáticas: Relatório Global sobre as Ocupações Humanas 2011) apresenta as cidades. 

Produzido pelo UN-Habitat, programa da ONU direcionado para promover o desenvolvimento social e ambiental das cidades, o documento afirma que o modelo actual de urbanização está a seguir um rumo de alto risco devido às transformações no clima.

“Nas próximas décadas, as mudanças climáticas irão fazer com que centenas de milhões de pessoas, na sua maioria as mais pobres e marginalizadas, fiquem cada vez mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos de terra e a outros desastres naturais. Esta é a previsão que fazemos baseados na melhor ciência que temos disponível”, alerta Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, no prefácio do relatório.

terça-feira, 29 de março de 2011

SABEDORIA AMERÍNDIA


   A TERRA É TUA ANTEPASSADA, É SAGRADA. DEVES RESPEITÁ-LA, AGRADECER-LHE O ALIMENTO E A   ALEGRIA DE ESTAR VIVO. SE NÃO VIRES NENHUMA RAZÃO PARA LHE AGRADECER, É EM TI QUE ESTÁ A FALTA 



domingo, 27 de março de 2011

ÁGUA OU ÁGUAS




Costumamos repetir que não estamos numa "época de mudanças", mas estamos é  numa "mudança de época". 
Para muitos cientistas, o aquecimento global é o maior desafio que a humanidade já enfrentou.
Quando a Bíblia fala em "água", está a falar de algo benfazejo, bom, comparando até o próprio Deus da Vida como "um rio de água viva". É a água serena de um rio calmo, de um banho revitalizante, de um copo d'água cristalino quando temos muita sede. Também de uma chuva serena, que irriga a terra e faz a ressurreição da caatinga depois de meses sem chuva. Então tudo reverdece, o que parecia morto revive e a vida explode em toda a sua biodiversidade e beleza.
É essa água que procuramos de modo incessante, assim como o povo do nosso semi-árido solo, guardando-a até numa simples cisterna, para que ela não falte nos períodos em que normalmente não haverá chuvas.
Entretanto, quando a Bíblia fala em "águas", como as do dilúvio, ou as do Mar Vermelho que cobriram o exército dos egípcios, está a falar da sua força devastadora (Sandro Gallazzi).
Em nada essa experiência é diferente do que experimenta hoje a população de Santa Catarina, ou dos morros de Teresópolis, ou a população sertaneja de Pernambuco e Alagoas no Brasil. 

Sob as águas e a lama vão as casas, os bens, quando não a própria vida. É a experiência da fúria natural pela força das águas.
O que resta é sempre um cenário de destruição total. Tudo que estava no caminho das águas fica destruído. Reconstruir o patrimônio de famílias, comunidades e de cidades inteiras tem custo e marca o corpo e a alma.
Devido ao aquecimento global os climatologistas já nos avisaram que esses fenómenos vão se tornar cada vez mais constantes e intensos. Portanto, podemos e devemos  preparar-nos para o pior, pelo menos até onde é possível chegar essa precaução.

Claro que está em jogo a ocupação de morros, de margens de rios, assim por diante. Porém, a humanidade sempre procurou as margens dos rios, para estar próxima das águas. Mas, as enchentes eram naturais, com ciclos mais regulares, permitindo aos povos desenvolver uma convivência mais pacífica com as variações dos rios.
Campanha da Fraternidade
O tema da Campanha da Fraternidade desse ano é justamente o aquecimento global.  Alterando rápida e violentamente o regime das águas. Com mais calor há mais evaporação. Com mais evaporação há, por consequência, mais precipitação e, particularmente, precipitações mais concentradas. A chuva que  cai em áreas ambientalmente alteradas pela acção humana, transforma-se em tragédia.

Para muitos cientistas o aquecimento global é o maior desafio que a humanidade já enfrentou. Para James Lovelock, diante desse fenómeno, todos os outros problemas humanos são praticamente irrelevantes. Se a temperatura média da Terra se elevar de dois até seis graus, o planeta vai se tornar um inferno. A mudança no regime das águas será um dos factores mais devastadores como consequência dessas mudanças.
A ocupação das cidades, portanto, deu-se sem qualquer planeamento, a não ser a necessidade de mão-de-obra barata para atender à industrialização. Hoje, cidades assim precárias e injustamente construídas, não têm condição de suportar o aumento na pluviosidade e na precipitação concentradas, geradas pelas mudanças do clima
A sociedade que vivemos, assim como a Terra que vivemos, serão bastante diferentes ao final desse século. Talvez muito piores. Uma verdadeira incógnita

*Roberto Malvezzi é membro da Equipe Terra, Água e Meio Ambiente do CELAM. Publicado na revista Missões, n. 02, Março de 2011.

TERRAMOTO NA ENERGIA




Durante todo o século XX, as potências Imperialistas usaram a força das armas para garantir o controle das fontes de energia. Nada indica que agora agirão de outra forma. 
Os dois eventos mais importantes deste início de ano, a rebelião dos povos árabes e o terremoto no Japão, apresentam algo em comum: ambos incluem entre suas consequências o agravamento da crise global da energia.
O impacto da revolta árabe sobre os suprimentos de petróleo  reflecte-se no preço desse combustível, que já chegou aos 104 dólares o barril. 

A dois anos atrás, custava menos de 40 dólares. O aumento tem a ver com o corte das remessas da Líbia devido à guerra civil, mas expressa também preocupações mais duradouras.
 Afinal, está em jogo o futuro político de uma região que fornece 37% de todo o petróleo consumido no planeta e abriga no seu subsolo quase 70% das reservas mundiais desse combustível.
Ninguém sabe ainda qual será o alcance do vendaval da rebeldia que está a varrer o mundo Árabe, de Marrocos ao Bahrein. 

Mas uma coisa é certa: para o chamado “Ocidente” (EUA e União Europeia), ficará mais difícil exercer o controle sobre o volume e os preços do petróleo do  Médio Oriente. De agora em diante os governantes árabes, sejam eles quais forem, tenderão a adotar posturas mais soberanas. E o imperialismo enfrentará obstáculos crescentes para impor seus interesses, entre os quais se destacam o petróleo barato e a defesa incondicional de Israel.
Já a tragédia japonesa afecta a outra ponta do dilema energético. O perigo causado pelos danos em usinas atómicas reaviva a desconfiança global perante a energia nuclear, logo no momento em que ela se fortalecia como alternativa à diminuição da oferta de combustíveis fósseis.
No cenário que se vislumbra, pode-se prever que aumentará o valor estratégico das regiões e países produtores de petróleo e gás, cada vez mais valiosos. Crescerá a pressão política e militar sobre o Irão, a Venezuela e, ao que tudo indica, a Líbia.
Durante todo o século 20, as potências imperialistas usaram a força das armas para garantir o controle das fontes de energia. Nada indica que agora agirão de outra forma.

*Igor Fuser é jornalista, professor de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.

sábado, 12 de março de 2011

Necessidade vs. ganância: o planeta está no limite




O mundo está a romper os limites no uso de recursos. Com a economia mundial a crescer  a 4-5% ao ano, estará num caminho para duplicar em menos de vinte anos. Os 70 trilhões de dólares da economia mundial serão 140 trilhões, antes de 2030, e 280 trilhões antes de 2050, em caso de extrapolarmos as taxas de crescimento de hoje.  O nosso planeta não suportará fisicamente esse crescimento econômico exponencial, se deixarmos a ganância ter a vantagem. O crescimento da economia mundial já está  a esmagar a Natureza.

O maior líder moral da Índia, Mahatma Gandhi tem a famosa máxima segundo a qual há o suficiente na Terra para suprimir as necessidades de todo mundo, mas não para as ganâncias de todo mundo. Hoje, o insight de Gandhi está a ser posto como teste, mais do que nunca.

O mundo está a romper os limites no uso de recursos. Estamos a sentir diariamente o impacto das enchentes, tempestades e secas – e os resultados aparecem nos preços no mercado. Agora o nosso destino depende de cooperamos ou ficarmos vítimas da ganância autodestrutiva.

Os limites da economia global são novos, resultam do tamanho sem precedentes da população mundial e da disseminação sem precedentes do crescimento econômico em quase todo o mundo. Há no momento sete bilhões de pessoas no planeta; há meio século, eram três biliões.

 Por Jeffrey Sachs, da Al Jazeera

quinta-feira, 3 de março de 2011

Seca amazónica de 2010


A seca registada na floresta amazônica no ano passado foi ainda mais devastadora do que a de 2005, considerada, até então, a mais agressiva dos últimos cem anos. Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Brando, responsável pelo estudo, dois ciclos climáticos que causam secas na floresta: o El Niño e o aquecimento do Atlântico Norte.

Em entrevista à IHU On-Line, concedida por telefone, ele explica que a cada 30 anos, a Amazônia passa por ciclos de secas severas como as que aconteceram recentemente. O desafio, no entanto, é descobrir se as últimas secas fazem parte desse processo ou são ocasionadas em função das mudanças climáticas.

Riso Politico afecta preço do petróleo


A probabilidade de que os preços do petróleo permaneçam no intervalo US$90.00 – US$100.00 por várias semanas, talvez meses, é crescente. 
O risco político inerente à atividade petrolífera está a aumentar recorrente e fortemente e pode empurrar os preços para cima. 
Um patamar mais alto para os preços do petróleo pode afectar a economia global. A queda de Muamar Khadafi, nos próximos dias, poderia reduzir um pouco o stress do mercado e trazer o preço até abaixo daquele patamar. Mas a instabilidade não desaparece por magia. 
A reconstrução em todos esses países de uma ordem institucional que permita governança estável levará meses, em alguns casos, anos. 
A Líbia, por exemplo, tem muito pouca institucionalidade. A nova ordem começará praticamente do zero e terá que levar em consideração a distribuição do poder entre chefes tribais. Nada fácil.

Se, ao contrário, a situação acabar em guerra civil, os preços, obviamente baterão picos bem acima desse patamar. Alguns especialistas já falam em US$ 150.00.

terça-feira, 1 de março de 2011

Proteger as florestas ancestrais


Por todo o mundo, as florestas ancestrais estão em crise. Muitas das plantas e animais que vivem nessas florestas enfrentam a extinção, e muitas das pessoas e culturas que dependem dessas florestas para o seu modo de vida estão igualmente ameaçadas. Mas nem tudo são más notícias. Existe uma derradeira oportunidade para proteger essas florestas e a vida que elas sustentam. Protect ancient forests