quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

PredadoresGirafa

O declínio do montado - o caso da Serra de Grândola

 Os montados de sobro e azinho têm sofrido um declínio importante, com graves implicações ecológicas e socio-económicas. Conheça as razões que têm sido apontadas para esse declínio e linhas de investigação que suscitou.
Os montados de sobro e azinho têm sofrido um declínio importante, com graves implicações ecológicas e socio-económicas. Conheça as razões que têm sido apontadas para esse declínio e linhas de investigação que suscitou.

Porque estão em declínio os montados (formações agro-florestais de sobreiro Quercus suber e azinheira Q. rotundifolia), é uma pergunta frequente nos meios agro-florestais. Esta é uma problemática que se insere no quadro de declínio das Quercineas (carvalhos) e que se vem observando um pouco por todo o seu território de distribuição. Vários projectos e linhas de investigação tem procurado a causa que leva a este declínio. Aqui ficam algumas das pistas por onde anda a ciência.


Em entrevista recente, o Dr. Francisco Vázquez (Vázquez, 2000) aborda o tema que por todo o mundo vem sendo definido como "decline oak". Nesta entrevista é descrito um quadro no qual são identificadas as causas ambientais que estarão na origem desta sintomatologia. Alterações climáticas, poluição ou técnicas culturais incorrectas combinam-se, debilitando a arvore até ao ponto em que qualquer desequilíbrio fisiológico a pode levar à morte. Na Península Ibérica são referidas condições de maneio, clima e doenças especificas, às quais se tem dado a designação de "Seca". À "Seca" estão associados todos os processos que interagem sobre o montado (clima, maneio, doenças, pragas, genética, etc) e que dão origem a casos de morte das árvores.

Num outro artigo, publicado na Revista Florestal (Pereira et al., 1999), é revisitada uma das mais divulgadas possíveis causas de mortalidade: o stress hídrico da árvore. Esta é frequentemente considerada como causa primária que predispõe a árvore para o ataque de agentes patogénicos ou insectos (ex. Platypus cylindrus), ou como causa secundária em resultado da predisposição causada pela redução da capacidade de absorção de água em consequência do ataque do fungo Phytophtora cinnamomi. Em todo o caso, é salientado no artigo a falta de resultados experimentais que comprovem estas teorias.


Segundo dados da Direcção-Geral das Florestas (Pereira et al., 1999), uma das áreas mais atingidas pela mortalidade do sobreiro em Portugal é a Serra de Grândola. Esta serra localiza-se no Alentejo Litoral, nos Concelhos de Santiago do Cacém e Grândola, sendo coberta por densos sobreirais. Possui um clima mediterrâneo de influência atlântica, com a precipitação anual média a rondar os 700 mm. A sua área climácica é o Quercion fagineo - Suberis, aliança dominada por carvalhos de folha persistente (Sobreiro e Azinheira), a que se associa o Carvalho cerquinho (Quercus faginea). Nas umbrias menos intervencionadas, aparecem parte considerável das espécies da aliança Quercion fagineo - Suberis, onde se pode observar um matagal mediterrânico riquíssimo. Nas zonas mais empobrecidas, o domínio dos Cistus spp.(arbustos como a Esteva Cistus ladanifer) revelam a aliança Cisto - Lavanduletae, uma etapa degradada do sobreiral. Esta serra é um interessante caso de estudo, onde se tem desenvolvido um conjunto de projectos de investigação que vão permitindo traçar um quadro da evolução e das causas do declínio do montado.


Num estudo realizado pela Estação Florestal Nacional (EFN et al., 1992) na Serra de Grândola, as manchas de montado mais afectadas foram identificadas em solos derivados de xistos, tendo-se constatado que onde o grau de arejamento do solo e a capacidade de infiltração são afectadas acentua-se a ocorrência de sobreiros mortos. No âmbito de um outro estudo (CBA et al., 2000), verificou-se que associado aos solos esqueléticos da serra, as vertentes soalheiras têm uma ocorrência de mortalidade significativamente superior às vertentes umbrias. Em ambos os casos, constata-se que quando sujeito a situações ecológicas extremas, o montado torna-se um ecossistema mais sensível às intervenções no sobcoberto e ao descortiçamento. Nestas situações, observou-se ainda uma correlação positiva entre a incidência de mato de esteva e as situações de mortalidade, situação reveladora de uma regressão do ecossistema.

Apesar dos avanços da ciência, a avaliação das causas que levam ao declínio das quercíneas é um problema ainda sem solução. Este é um problema que se revela a várias escalas e que só a continuação da investigação das inter-relações entre factores como meio ambiente, técnicas de gestão e fisiologia da árvore poderemos vir a alcançar uma resposta.


Bibliografia

CBA, ERENA e CESEE (2000). PRAXIS/PCNA/C/BIA/105/96. Relatório. Lisboa

EFN, DGF e CCAMSC (1992). Determinação das Causas de Morte do Sobreiro nos Concelhos de Santiago do Cacém, Grândola e Sines. Relatório. Lisboa
Pereira, J., Conceição, M. e Rodrigues, J. (1999). As causas da mortalidade do sobreiro revisitadas. Revista Florestal, 12, (1/2).

Vázquez, F. (2000). La seca de las Quercus. Centáurea, Boletim de Información de Tentudia. CEDECO.

Sobreiro - Árvore Nacional de Portugal




A imagem retrata o magnífico sobreiro (Quercus suber L.) da herdade de Pai Anes, freguesia de Póvoa e Meadas, no concelho de Castelo de Vide, classificado como árvore de interesse públicodesde 1993.

Tem uma idade estimada em 500 anos e é revestido por uma impressionante camada de cortiça, em virtude de não ser descortiçado há muitas décadas. 

Aquando da última medição, por parte da Autoridade Florestal Nacional (AFN), em 2006, o perímetro do tronco à altura do peito (PAP) era de 7,28 metros e a altura era de 18 metros. No entanto, neste espaço de tempo, a árvore perdeu uma das suas ramadas principais, pelo que os valores relativos à dimensão da copa se encontram desactualizados. (Nota: Este sobreiro já tinha perdido algumas pernadas durante o famoso ciclone de 1941.)

Um dos objectivos deste movimento é, a médio prazo, ajudar a encontrar, com a colaboração de outras entidades, soluções que permitam prolongar a vida de alguns sobreiros monumentais do nosso país, como é o caso deste extraordinário espécime de Póvoa e Meadas.

Sobre ele, na obra Árvores Monumentais de Portugal, escreveu o engenheiro Ernesto Goes, que deverá ser o mais espectacular do país. Apesar da pernada perdida, partilhamos da mesma opinião.

Saibamos todos, como portugueses, ter a capacidade para lhe garantir um futuro com dignidade.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Ano novo, vida nova, rumo à Sustentabilidade

 Por Vilmar S. D. Berna
As pessoas podem se dividir por seu grau de interesse - ou desinteresse. 
Por mais que alguns se interessem, têm outros que não ligam, e não exatamente por que não se importam, talvez, por não perceberem tão claramente os riscos, ou então por achar que a situação não é tão grave. 
Outros ainda podem não se interessar por achar que já sabem tudo o que precisam saber, ou que não vale a pena saber mais, ou por comodidade mesmo, pois saber dá trabalho, custa tempo e dinheiro, exige esforço, motivação e disposição de se expor a debates e correr o risco de ter as ideias questionadas. Existem pessoas que têm medo de pensar ou agir de forma diferente da maioria para evitar serem rejeitadas ou discriminadas. Outras podem achar que pensar dói, especialmente quando são obrigadas a reverem conceitos e visões de mundo que já não se adequam mais às novas realidades, mas que são crenças consolidadas há muito tempo. Ou quando são obrigadas a encarar os fatos e descobrir que muitos dos problemas actuais foram criados por suas próprias culpas e responsabilidades, por conta de escolhas equivocadas que fizeram ou que prosseguem fazendo. Por outro lado, pessoas interessadas geralmente são líderes, e tanto podem ser parte da solução, por estarem comprometidos com a mudança, quanto podem trabalhar para manter as coisas como estão. Por isso, não temos de aceitar de pronto o que dizem os líderes, na empolgação do momento ou pela beleza dos discursos e promessas, pois podem ser falsas ou nos conduzirem ao desastre. Hitler não chegou aonde chegou se não tivesse a capacidade de encantar ao seu público.

Os quatro pilaresOs responsáveis por definir e aplicar regras e políticas devem saber levar em conta o grau diferenciado de interesses dentro de um colectivo, adotando diferentes estratégias para obter maior eficácia na ação, principalmente quando envolve mudanças. Por exemplo, em primeiro lugar, assegurando espaço para a comunicação, ampla, geral e irrestrita, pois boa parte das pessoas muda de atitude simplesmente ao tomar conhecimento das novas regras. Ser eficaz em comunicação não é falar a mesma coisa para todo mundo, mas primeiro identificar os diferentes graus de interesse de cada público afetado e depois buscar a melhor mensagem, linguagem e forma para se comunicar, partindo da percepção e interesse de cada público e não da percepção do comunicador.
Em segundo, as políticas para a sustentabilidade devem assegurar acesso à educação ambiental, pois às vezes não basta saber sobre as novas regras, é preciso saber o que fazer e como fazer para se adequar a elas, e que novos valores e capacidades serão requeridos pela nova situação
Em terceiro lugar, assegurar mecanismos de incentivo para estimular as pessoas e as organizações, reconhecendo o esforço daqueles que saíram na frente.
Em quarto e último lugar, desenvolver mecanismos justos e eficazes que permitam punir sem desestimular a vontade de mudar. Sabemos que a verdadeira mudança ocorre de dentro para fora, entretanto, o que fazer quando alguns escolhem descumprir as regras deliberadamente depois de já terem recebido as informações, a sensibilização, a capacitação e os incentivos necessários? A sociedade não pode ficar refém de quem escolhe não mudar e deve dispor de mecanismos de ajustamento de conduta, até como forma de ser justa com os que escolheram agir dentro das novas regras.
O papel da resistência - Por outro lado, o direito de desobedecer, desde que pacificamente, deve ser reconhecido e respeitado, embora não deva livrar os desobedientes das penas previstas. Os que desobedecem e resistem sabem dos riscos que correm, mas às vezes assumem tal postura por ser a única forma de serem ouvidos. Os que resistem também cumprem um importante papel social para o processo e mudança. Poderão ser os lideres do amanhã, assim como os lideres de hoje foram os resistentes ou desobedientes do passado. Toda inovação pressupõe certo grau de infracção às regras, caso contrário, apenas chegaríamos aos mesmos lugares que outros já chegaram antes.
Radiografia da mudança A vida é em rede, e as mudanças também. A força de uma rede não se mede pela forca de um de seus fios, mas pelos entrelaçamentos dos fios e nós. Numa rede não existe uma cabeça mais importante. Qualquer um numa rede pode se tornar o líder ao escolher agir e, dependendo de suas escolhas, poderá reforçar ou enfraquecer a rede. Os líderes importantes não são os que vão à frente, mas os que vão junto, que ajudam a reforçar a rede, o colectivo, o grupo como um todo, preocupando-se em sensibilizar, conscientizar, mobilizar os demais. Líderes assim devem ser valorizados. O processo de mudança entre um modelo de desenvolvimento predatório e injusto para outro, justo e sustentável, por exemplo, não se dará por força do acaso muito menos pela acção de pessoas desinteressadas e desmotivadas, mas ao contrário. Será por obra e escolha deliberada de pessoas interessadas que em vez de se deixarem paralisar por qualquer razão ou desculpa, decidem descobrir um jeito de superar as dificuldades. Na vida nada é permanente e, assim como as velhas ideias que serviram no passado devem ser substituídas pelas novas idéias de hoje, certamente, as novas idéias também serão mudadas com o tempo, pois a única coisa permanente que existe é a própria mudança. No início, a mudança pode parecer imperceptível, quase um pequeno desvio à regra ou mesmo uma desobediência, como os tropeiros empreendedores que começaram o mercantilismo fazendo comércio por fora dos muros das cidades feudais, nos lombos dos burros, sujeitos a todo tipo de rapina e assumindo grandes riscos. Venceram e se tornaram os poderosos de hoje, substituindo os poderosos do passado. Hoje, esta nova forma de ver e organizar o mundo, que foi inovadora e moderna em relação ao sistema feudal da Idade Media, tornou-se velha e trouxe a humanidade à beira de sua maior crise sócio ambiental global ao colocar produção e o consumismo exacerbados acima da ética, do humanismo e dos limites da natureza.
Os desafios da sustentabilidadeFomos capazes de mudar no passado. Seremos capazes de mudar novamente. E o novo que chega se chama sustentabilidade, talvez ainda uma idéia em aperfeiçoamento e por isso mesmo ainda mal compreendida, mas que indica um desvio em relação ao sistema que nos trouxe até aqui. Os sinais da sustentabilidade já podem ser notados nas idéias, promessas de boas práticas, em maior ou menos grau, aqui e ali. Eles nos permitem olhar para o futuro com esperança.O desafio, entretanto, é não sabermos direito de quanto tempo ainda temos antes de um difícil, mas não improvável colapso ambiental planetário que poderia colocar em risco a vida como a conhecemos. Entretanto, isso não deve nos assustar por que não temos mesmo alternativas. Precisamos tomar coragem para nos levantar e agir, rompendo com a inércia. Enquanto ainda temos tempo. E, assim que der, aumentar o ritmo e a velocidade da caminhada.

Vilmar é escritor com 15 livros publicados. Na Paulus, publicou “Como Fazer Educação Ambiental”, “Comunicação Ambiental”, “O Desafio do Mar”, “O Tribunal dos Bichos”, entre outros, e na

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Natal?

Israel derruba negociações com palestinianos



Por Mel Frykberg, da IPS

Jerusalém, Israel, – Cada vez mais palestinos pagam o preço da paralisação das conversações sobre a construção ilegal de assentamentos que Israel leva adiante na Cisjordânia e na ocupada Jerusalém oriental. Mohammad Robin Alyyan, de 27 anos, observa a pilha de escombros e metais retorcidos no instável bairro de Issaweya, em Jerusalém oriental. Não restou nada dos dez anos de duro trabalho e poupança junto com seus dois irmãos para montar uma gráfica produtiva.

O futuro é hoje - Carros Híbridos e Eléctricos



Por Sônia Araripe e Carlos Franco, Editores da Plurale

Acesse http://www.plurale.com.br/revista-digital.php e leia a versão digitalizada de Plurale em revista, Edição 20, que já está sendo vendida em bancas.

Editorial

Não são só os filmes de ficção científica que mostram inovações capazes de deixar qualquer um de boca aberta. O futuro já chegou. Hoje, nas ruas é possível encontrar carros que são carregados em potentes bases elétricas ou os híbridos, que combinam motores a combustão e eletricidade.

Este admirável mundo é apresentado nesta Edição 20, em Especial produzido pelo especialista Cláudio Accioli, jornalista aficcionado por máquinas potentes, capazes de fazer corações baterem mais forte e agora, também, garantirem um planeta com menos emissões./... 

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

“O respeito pelo Meio Ambiente é o caminho para a Sustentabilidade”

Entendendo a definição do que seja o meio ambiente e analisando interpretações de alguns pensadores que consideram “o meio no qual estamos inseridos, como sendo o conjunto de condições, leis, influências, alterações e interações de ordem física, química e biológica, onde os problemas são discutidos não apenas ao nível do individuo ou da “natureza”, incluímos  nesse conceito a sociedade pelo fac ato de ser um conjunto de pessoas que interagem entre si constituindo uma comunidade.

Embora seja essa a definição que entendemos ser a mais abrangente, podemos exemplificá-la trazendo de forma didaticamente esclarecedora esta afirmação acrescentando que:
O meio ambiente se inicia no bem estar físico, moral e social do indivíduo, o que significa saúde, segundo definição das Organizações das Nações Unidas, em que o indivíduo estando bem consigo mesmo, em perfeito equilíbrio e saudável pela sua qualidade de vida,  a que chamamos de “ambiente interno”; 

No relacionamento harmonioso com a família e os entes queridos, que chamamos de “ambiente familiar”;

No seu trabalho, na interacção com seus colegas, no respeito à hierarquia, no relacionamento interpessoal, que chamamos de “ambiente de trabalho”;

Nas relações sociais dos indivíduos em festas, reuniões e comemorações com amigos, que chamamos de “ambiente social”;

E para completar, as relações com as questões globais dos demais seres vivos do ecossistema do planeta que o homem não tem conhecimento de todos que habitam a Terra, pois são os que constituem uma diversidade gigantesca que chamamos de biodiversidade, considerados como os “bens naturais”.  

Esses são os meios ambientes privilegiados que o ser humano se relaciona e preserva a favor de sua subexistência, ou seja, ele pratica esse exercício constantemente e sabe discernir o que é mais importante para o seu bem estar. Dentre esses bens, curiosamente “esse respeito” o ser humano deixa de cumprir com tarefas semelhantes perante os bens naturais como a água, ar, solo, a fauna e a flora, causando irreparáveis danos ao meio ambiente, mas que na maioria das vezes essa agressão é por uma questão de sobrevivência.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cancún, mudança climática e WikiLeaks



Por Amy Goodman*

Graças às mensagens diplomáticas publicadas pelo WikiLeaks recentemente, os Estados Unidos, o maior contaminador da história do planeta, está envolvido em "um negócio muito, muito sujo".
Cancún, México. Nessa semana, sob os auspícios das Nações Unidas, aconteceram negociações de vital importância para reverter o aquecimento global provocado pelos seres humanos. Trata-se da primeira reunião de grande importância desde o fracasso da Cúpula de Copenhague, em 2009, e se desenvolve no final da década mais quente que tenha se tenha registro. 
Apesar de muita coisa estar em jogo, as expectativas são poucas e, segundo temos conhecimento, graças às mensagens diplomáticas publicadas pelo WikiLeaks recentemente, os Estados Unidos, o maior contaminador da história do planeta, está envolvido no que um jornalista aqui classificou de "um negócio muito, muito sujo".
 Um negócio sujo de verdade! No ano passado, em Copenhague, o presidente Barack Obama apenas chegou à cidade, conseguiu isolar um grupo seleto de países do restante da Cúpula, reunião a que somente poderia participar quem tivesse convite, para negociar o que foi divulgado como o "Acordo de Copenhague". 

Esse acordo esboça um plano para que os países "se comprometam" publicamente a reduzir as emissões de carbono, ao mesmo tempo em que aceitam se comprometer com algum tipo de processo de verificação.
 Também, segundo esse acordo, os países ricos e desenvolvidos se comprometeriam a pagar milhões de dólares a países pobres em vias de desenvolvimento para ajudá-los a adaptar-se à mudança climática e para que tenham economias baseadas em energias ecológicas em seu caminho rumo ao desenvolvimento. 

Isso pode soar bem; porém, na realidade o acordo foi desenhado para substituir o Protocolo de Kyoto, um tratado vinculante em âmbito mundial que conta com mais de cento e noventa países signatários. Chama a atenção que os Estados Unidos nunca o assinou.
 As mensagens do Departamento de Estado estadunidense publicados por WikiLeaks ajudam a esclarecer o que aconteceu. Um dos principais críticos dos países desenvolvidos na etapa prévia à Cúpula de Copenhague foi o presidente Mohamed Nasheed, da República de Maldivas, um país formado por pequenas ilhas no Oceano Índico, que finalmente assinou o Acordo de Copenhague. 

Um memorando secreto do Departamento de Estados dos EUA, filtrado através de WikiLeaks, datado de 10 de fevereiro de 2010, resume as consultas feitas pelo recentemente nomeado Embaixador de Maldivas nos Estados Unidos, Abdul Ghafoor Mohamed. O memorando informa que durante seu encontro com o enviado especial adjunto dos Estados Unidos para a mudança climática, Jonathan Pershing, o embaixador disse:
 "As Maldivas gostariam que países pequenos como nós, que estão na primeira linha do debate sobre mudança climática, recebam uma ajuda concreta por parte das economias maiores. 

Dessa maneira, outros países perceberiam que se pode obter vantagens a partir de sua expressão de conformidade". Mohamed pediu cinquenta milhões de dólares para desenvolver projetos para proteger Maldivas do aumento do nível do mar
 Pershing aparece em um memorando relacionado ao de Maldivas, datado uma semana depois, que se refere a uma reunião com Connie Hedegaard, Comissária Europeia de Ação pelo Clima, que desempenhou um papel chave em Copenhague, da mesma forma que agora em Cancún. 

Segundo o memorando, "Hedegaard sugeriuque os países da Aliança de Pequenos Estados Insulares (AOSIS, por suas siglas em inglês) ‘poderiam ser nossos melhores aliados`, já que necessitam financiamento". Em outro memorando, datado de 17 de fevereiro de 2010, foi informado que "HEDEGAARD respondeu que devemos fazer algo a respeito dos países que não cooperam, como a Venezuela ou a Bolívia". 
As declarações provinham de uma reunião com o Assessor Adjunto de Segurança Nacional para Assuntos Econômicos Internacionais, Michael Froman. O memorando continua dizendo: "Froman esteve de acordo em que necessitamos neutralizar, cooptar ou marginalizar a esses e a outros países, tais como Nicarágua, Cuba ou o Equador".

A mensagem é clara: Se jogam com os Estados Unidos, receberão ajuda; se se opõem, receberão castigo
.

Aqui em Cancun, perguntei a Jonathan Pershing e ao principal negociador estadunidense e enviado especial para a mudança climática, Todd Stern, acerca dos memorando e acerca de se o papel dos Estados Unidos equivalia a suborno ou democracia: "Se discute muito aqui, dentro e fora da Cúpula, acerca da coerção que se exerce tanto para que os países assinem o acordo, como para castigar àqueles que não o assinam, como Bolívia e Equador. A pergunta que vem é: ‘Isso é suborno ou democracia?` O que podemos esperar disso? Quais são seus comentários acerca das publicações de WikiLeaks?"
Stern respondeu: "Acerca das publicações de WikiLeaks, em si mesmas, não tenho comentários; é a postura do governo dos Estados Unidos. Em relação à sua pergunta mais ampla, lhe contarei uma breve anedota. Você deve recordar de uma das intervenções mais enérgicas, eloqüentes e fortes da noite final da Cúpula de Copenhague do ano passado, quando o Ministro da Noruega, Eric Solheim, ficou de pé após ter sido acusado diretamente de que a Noruega incorria em suborno por ser tão generosos em suas contribuições de assistência para mitigar os efeitos da mudança climática.

 Solheim ficou de pé e deixou sem argumentos a quem havia sugerido tal coisa, ao dizer-lhe que não podia, por um lado, pedir ajuda e expor uma sólida causa legítima de necessidade de assistência pela mudança climática; e, por outro, dar as costas e acusar-nos de suborno.
 Se desejam acusar-nos de suborno, eliminemos, então, a causa de qualquer acusação de suborno, eliminemos o dinheiro. Estive completamente de acordo com ele nesse momento e continua com a mesma posição agora".
Perguntei-lhe: "Então, o que acontece com os países que foram castigados? Bolívia e Equador...".
Stern disse: "Passemos à próxima pergunta".
O moderador disse: "Creio que passaremos à próxima pergunta, por esse outro lado da sala..."
Sim, essa pergunta se referia aos países que os Estados Unidos retiraram o dinheiro da assistência destinado a minimizar os efeitos climáticos, como Equador e Bolívia, por se opor ao Acordo de Copenhague. 

Tanto ele quanto Pershing, como também o moderador, ignoraram a pergunta.
No entanto, Pablo Solón, embaixador da Bolívia para as Nações Unidas, tem uma resposta. Solón disse que os fatos falam por si mesmos: "Somente posso referir-me aos fatos, porque uma coisa que posso dizer com respeito às publicações de WikiLeaks é que não contêm fatos, portanto não quero julgar a nenhum país com base nisso; porém, posso assegurar-lhes é que cortaram a assistência a Bolívia e ao Equador. Isso é um fato. Além disso, disseram muito claramente: ‘Vamos cortar a ajuda porque vocês não apóiam o Acordo de Copenhague`. E isso é chantagem". O Embaixador Solón não se mostra otimista a respeito do resultado das negociações que se desenvolvem em Cancún.
Solón disse: "Os compromissos propostos nesse momento implicam um aumento da temperatura de quatro graus Celsius. Isso é uma catástrofe para a vida humana e para a Mãe Terra".

*Amy Goodman é apresentadora do Democracy Now!, noticiário internaciona diário transmitido em mais de 700 emissoras de radio e TV nos Estados Unidos e no mundo.

**Traduzido e publicado em Adital(http://www.adital.org.br/site/index.asp?lang=PT)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A ÁGUA...




Sabemos que água doce é um bem natural finito, correspondendo a menos de 1% dos recursos hídricos do Planeta. 
Para fazer uma comparação bem simples, imaginemos toda a água do Planeta dentro de uma garrafa de um litro. Somente uma gota dessa água estaria disponível para matar a sede da humanidade.

Por Márcia 

Crise nas alturas andinas



A água  proporcionada pelo
gelo dos Andes, está em perigo por causa do aquecimento global.


Cancún.- As áreas montanhosas dos países andinos fornecem água às cidades do litoral, abrigam biodiversidade e são barreiras naturais, mas o aquecimento global ameaça estas regiões, habitadas por milhões de pessoas. “O degelo é nítido, e algumas comunidades dizem que o clima está a mudar. 
As precipitações estão mais instáveis, e nas cidades da costa há problemas de abastecimento de água”, disse o ministro Peruano do Meio Ambiente, Antonio Brack.

No Peru, Equador, Chile e na Bolívia as geleiras são a fonte principal de água , e seu degelo causa, entre outras consequências, menor disponibilidade para as cidades de vales e zonas costeiras. 

A superfície total dos gelos montanhosos peruanos caiu 22% nos últimos 35 anos, com redução do volume de água de 12%, segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente do país.

Diante das ameaças que pairam sobre os Andes, as nações da região criaram o Consórcio para o Desenvolvimento Sustentável da Ecorregião Andina (Condesan), vinculado à Aliança para as Montanhas, criada em 2002. 

Até agora, 50 países, 16 organizações intergovernamentais e 107 organizações da sociedade civil formam a Aliança, apoiada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).



Amazónia perdeu 153 km² de floresta em Outubro, mas o desmatamento mantém a tendência de queda

O Mundo caminha sobre um recurso delicado





 França – Mais de um bilião de pessoas sofrerão escassez de água no futuro próximo devido a contaminação, superpopulação e consequências das mudanças climáticas que afectam as fontes deste recurso vital e aumentam a importância dos aquíferos. 
“A competição pelos recursos compartilhados aumentará e será uma fonte de conflito”, disse Alice Aureli, especialista de programa da Divisão de Ciências Hídricas da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Governos e comunidades devem aumentar seu compromisso com a gestão sustentável da água subterrânea porque é “importante para o desenvolvimento humano e para um ambiente natural”, disse Alice, que presidiu uma conferência de três dias sobre o tema na sede da Unesco, em Paris. 
Mais de 400 cientistas, advogados e políticos de todo o mundo participaram do encontro “Aquíferos Transfronteiriços: Desafios e Novas Diretrizes”.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Efeito de Estufa



O efeito de estufa  é um processo que ocorre quando uma parte da radiação solar refletida pela superfície terrestre é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera. Como consequência disso, o calor fica retido, não sendo libertado para o espaço. 
O efeito de estufa dentro de uma determinada faixa é de vital importância pois, sem ele, a vida como a conhecemos não poderia existir. Serve para manter o planeta aquecido, e assim, garantir a manutenção da vida.
O que se pode tornar catastrófico é a ocorrência de um agravamento do efeito de estufa que destabilize o equilíbrio energético no planeta e origine um fenómeno conhecido como aquecimento global. O IPCC (Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas, estabelecido pelas Organização das Nações Unidas e pela Organização Meteorológica Mundial em 1988) no seu relatório mais recente diz que a maior parte deste aquecimento,observado durante os últimos 50 anos, se deve muito provavelmente a um aumento dos gases do efeito estufa.
Os gases de estufa (dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), Óxido nitroso (N2O), CFC´s (CFxClx) absorvem alguma radiação infravermelha emitida pela superfície da Terra e radiam por sua vez alguma da energia absorvida de volta para a superfície. Como resultado, a superfície recebe quase o dobro de energia da atmosfera do que a que recebe do Sol e a superfície fica cerca de 30 °C mais quente do que estaria sem a presença dos gases «de estufa».
Um dos piores gases é o metano, cerca de 20 vezes mais forte que o dióxido de carbono, é produzido pela flatulência dos ovinosbovinos, sendo que a pecuária representa 16% da poluição mundial.

Mensagem

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Protestos nas ruas contra o mercado climático






 – Os atalhos oferecidos pelo sistema da Organização das Nações Unidas às empresas, para que lucrem com as estratégias contra o aquecimento global, foram alvo de duras críticas no Dia de Acção Mundial pela Justiça Climática. Duas manifestações distintas, com  milhares de pessoas, marcaram o dia 7, no trecho final da cúpula sobre as mudanças climáticas que acontece até o dia 10 neste balneário mexicano.

Palavras de ordem referentes ao México, “País petroleiro, o povo sem dinheiro”, focou a causa principal do aquecimento do Planeta: a combustão de combustíveis fósseis, assunto quase marginalizado das discussões da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

A manhã começou com uma marcha pelo centro da cidade por parte de movimentos camponeses e altermundistas deste país e da América Latina, reunidos no Diálogo Climático-Espaço Mexicano. Acompanhados por activistas da Oxfam e da Aliança Social Continental, percorreram a Avenida López Portillo até a sede da prefeitura. Os esquemas de lucro, como a venda de direitos para lançar dióxido de carbono para a atmosfera no chamado “mercado de carbono”, poderiam ser ampliados em Cancún.

Há pré-acordo para incluir a captura e o armazenamento de carbono e a proposta de REDD (Redução das Emissões de Desmatamento das Florestas), discutido pelos países partes da COP 16, poderia incluir incentivos de mercado. “REDD não, REDD não, REDD não”, gritavam os manifestantes.

Nas duas marchas, os grupos sindicais e indígenas dominaram em presença e mobilização as organizações ambientalistas. E as suas reclamações e lemas foram também muito amplas: desde soberania alimentar até aos direitos humanos, passando por denúncias contra a administração do conservador Felipe Calderón. “Governo fascista, estás na nossa lista”, gritavam. “Deem duro nesse bando que se reuniu em Cancún para escravizar a humanidade e arruinar o planeta”, gritava um mexicano com o rosto parcialmente coberto por uma máscara da corporação de alimentos Nestlé.

A última coisa que África precisava



Por Stephen Leahy, da IPS

Cidade do México
 – A África será uma das regiões mais afectadas pela mudança climática, e isso ameaçará a segurança alimentar do continente, alerta um estudo que será divulgado este mês. Já para 2035 a previsão é que, se as temperaturas mundiais aumentarem dois graus, a África Austral poderá chegar a uma elevação média de 3,5 graus.

O Centro Hadley do britânico Escritório Meteorológico alertou para as temperaturas mundiais médias podem chegar a aumentar quatro graus até 2060, se não pararem as emissões de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa. “A previsão para a agricultura e a segurança alimentar na África subsariana, quatro graus mais quente é funesta”, escrevem os autores de uma edição especial do Philosophical Transactions of the Royal Society, que será publicada em janeiro.

“Uma elevação de quatro graus será horrível, e deve ser evitada a todo custo”, disse Philip Thornton, do Instituto Internacional de Pesquisa em Pecuária de Nairóbi e coautor de um informe para essa publicação especial, intitulado “Quatro Graus e Mais: o Potencial de um Aumento de Quatro Graus nas Temperaturas Mundiais e suas Implicações”. E “esta edição especial é um chamada à acção, para que possamos evitar semelhante futuro”, disse Thornton à IPS/TerraViva.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O que é a Pegada Ecológica ?


O uso excessivo de recursos naturais, o consumismo exagerado, aliado a uma grande produção de resíduos, são marcas de degradação ambiental das sociedades humanas actuais que ainda não se identificam como parte integrante da Biosfera. Foi a pensar na dimensão crescente das marcas que deixamos e na forma de quantificá-las, que os especialistas William Rees e Mathis Wackernagel desenvolveram, em 1996, o conceito de Pegada Ecológica. A Pegada Ecológica foi criada para nos ajudar a perceber a quantidade de recursos naturais que utilizamos para suportar o nosso estilo de vida, onde se inclui a cidade e a casa onde moramos, os móveis que temos, as roupas que usamos, o transporte que utilizamos, o que comemos, o que fazemos nas horas de lazer, os produtos que compramos, entre outros.

Acidificação dos Mares ameaça a alimentação Mundial



Por Fernanda B. Müller, da Carbono Brasil

Durante a convenção do clima em Cancún, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) alertou sobre a possibilidade dos oceanos estarem acidificando na maior taxa em 65 milhões de anos.

Um quarto das crescentes emissões de dióxido de carbono (CO2) é absorvida pelos oceanos, seja através do fitoplâncton ou da dissolução.

Segundo revisões de literaturas científicas realizadas para o relatório ‘Conseqüências ambientais da acidificação dos oceanos’ do PNUMA, o aumento do CO2 atmosférico já causou uma queda de 30% no pH dos oceanos resultando em águas mais ácidas.

As implicações desta acidificação para as três bilhões de pessoas que dependem da pesca, devido aos impactos na cadeia alimentar marinha, ainda são desconhecidas, enfatizou o PNUMA. Muitos países pobres dependem exclusivamente da pesca para alimentar seu povo.

Porém, uma série de potenciais ameaças são elencadas pela ONU, como a redução no crescimento e efeitos sobre o desenvolvimento de peixes pequenos. O senso olfativo e de orientação do peixe palhaço, por exemplo, pode ser prejudicado tornando-os mais vulneráveis aos predadores.

“Se continuarmos na mesma taxa, teremos um aumento de 120% na acidez até o fim do século”, comentou a principal autora do relatório Carol Turley, que também é coordenadora no Programa de Pesquisas sobre Acidificarão dos Oceanos - Reino Unido.
Até quando?.

...





(Envolverde/Carbono Brasil)

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Homem e o Meio

Emissões de CO2




Em termos absolutos, o mundo emitiu 31,5 bilhões de toneladas de CO2 de origem fóssil em 2008.


 A China respondeu por 21% das emissões mundiais (6,5 bilhões de toneladas), seguida pelos Estados Unidos (19%), Rússia (5,5%), Índia (4,8%) e Japão (3,9%). Esses cinco países representam 53,4% das emissões planetárias. 
A China aumentou suas emissões em praticamente um bilhão de toneladas entre 2005 e 2008! O Brasil, com 428 milhões de toneladas anuais, ficou em 17º lugar (1,4%), bem atrás da Alemanha, Canadá, Inglaterra, Irã, Itália, África do Sul, Austrália, México, Indonésia e outros.

A Austrália e os Estados Unidos são líderes da emissão de CO2 por habitante/ano: 20,3 e 19,9 toneladas e só perdem para alguns países produtores de petróleo como Qatar (74 t) ou Emirados Árabes (43t). Em seguida vêm o Canadá (17,9 t), a Holanda (17 t), a Estônia (16 t), a Bélgica (14,9 t) e a Rússia (11,7t). Com 17 t, a Holanda é uma das campeãs européias das emissões por habitante. 

E o Brasil? Cada brasileiro emite 2,1 toneladas de CO2 por ano. Não basta plantar apenas duas ou três árvores por pessoa para retirar esse carbono da atmosfera. Mas emitimos dez vezes menos do que australianos e norte-americanos, quatro vezes menos do que os europeus e metade da média mundial. Ocupamos a posição de 86º no mundo, muito atrás, de muita gente.


** Parte de um texto que é parte integrante da revista ECO 21, edição 168, de novembro de 2010. Para conhecer acessehttp://www.eco21.com.br/. Para assinar acesse http://www.eco21.com.br/assinaturas/assinaturas.asp.

COP 16: entre o cão e as pulgas

 Diana Cariboni, da IPS

Cancun,  (IPS/TerraViva) – O que para alguns é um avanço modesto mas firme na negociação sobre mudança climática, que entrou na sua segunda semana neste balneário mexicano, para outros não passa de fumaça ou “falsas soluções”. A secretaria da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática anunciou no fim de semana três “avanços”. O primeiro é um pré-acordo para incluir a captura e o armazenamento do carbono entre as opções financiáveis pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto, “desde que cumpridas uma série de rígidas avaliações sobre risco e segurança”. 

Trata-se de capturar o dióxido de carbono (CO²) que esquenta a atmosfera e depositá-lo em “sumidouros”, que podem ser os oceanos, as florestas ou o subsolo. Além de cultivar florestas e conservá-las, há várias tecnologias para bombear CO² atmosférico para o subsolo ou para o leito marinho, até agora pouco testadas e inclusive perigosas. O MDL permite aos países ricos compensar em parte suas emissões de gases-estufa investindo em projetos limpos nas nações em desenvolvimento.

A captura de carbono “é o que chamamos de soluções falsas”, disse ao TerraViva o ambientalista chileno Eduardo Giesen, um dos coordenadores latino-americanos da Gaia (Aliança Global Contra Incineradores) e membro integrante da Aliança pela Justiça Climática do Chile. Assim “não se resolve o problema. Em lugar de reduzir o dióxido de carbono lançado na atmosfera procura-se enterrá-lo, adiando a solução”, acrescentou. Além disso, estas técnicas têm “um alto grau de incerteza tecnológica”, ressaltou.

...O acordo neste ponto será entregue esta semana aos ministros dos países partes da Convenção que chegam para
assumir as discussões de alto nível da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que termina no dia 10. Falta muito pouco para 2012, quando expira o primeiro prazo do Protocolo de Kyoto para realizar reduções obrigatórias de gases-estufa. Essas metas não foram atingidas e a humanidade não tem à vista nenhuma ferramenta clara para enfrentar um problema global que, segundo os cientistas, poderia ter proporção de cataclismo. Mas as conversações, ao menos as feitas publicamente, seguem perdidas nos detalhes.

...Enquanto em Cancun a presidente da COP 16, a chanceler mexicana, Patricia Espinosa, estimava que os pré-acordos obtidos “demonstram claramente que os países vieram de boa fé” negociar, para Barry a contagem de êxitos equivale a “quase nada. Em lugar de agarrar o cachorro,  lança-mo-nos sobre pulgas”, disse ao TerraViva. Envolverde/IPS

domingo, 5 de dezembro de 2010

...estranhas imagens

Que lugar para o ambiente em tempos de crise financeira e social?

A sociedade civil vê-se hoje confrontada com uma crise abrangente e insidiosa que desenha contornos sombrios para o futuro. Um futuro que, por isso mesmo, se entrevê com um misto de pessimismo e de incerteza.
Aparentemente ninguém está a salvo. Todos os sectores laborais, todas as profissões vão sendo abalados, a insegurança espreita mesmo os empregos de uma vida inteira e quem ontem tinha uma profissão de futuro pode, amanhã, ver o seu saber converter-se em nada.
Ora este estado de coisas, à primeira vista, parece remeter a problemática ambiental para um papel subordinado. Perante o desemprego e as profundas crises sociais daí decorrentes, quem se importará com a extinção dos tigres ou as alterações climáticas? Numa palavra qual o lugar do ambiente neste catastrófico cenário económico-político-social?
Atrevemo-nos a dizer que é nele que, provavelmente, residirá a "salvação". Os sinais sucessivos de alarme que nos envia, convocam-nos para uma resposta global, inteira, que não residirá na vã e desesperada tentativa de salvar o sistema tal como está, mas na capacidade de proceder a mudanças profundas nos estilos de vida e de,  criativamente, inventar modos alternativos de produção económica.
É isto, afinal que está em causa. Esse sistema alimentado artificialmente por uma banca especulativa, por uma economia focada no crescimento à conta do consumismo e do lucro a todo o custo; uma economia que, para isso, vampiriza hordas de escravos no 3º mundo tanto quanto  a natureza, expõe-se agora, afinal,  em toda a sua vulnerabilidade .
E de nada servirá a tentativa desesperada que reclama a cabeça dos mais fracos a fim de se manter à tona. A Natureza não dispõe de recursos ilimitados.E, ao invés,  desenha cenários de catástrofe por todo o lado. Os prejuízos financeiros de toda a negatividade provocada pela exploração abusiva do mundo natural  a breve trecho serão incomensuráveis.
Daí que a saída desta profundíssima crise tenha necessariamente de passar pelo ambiente.
Porque no fundo, o planeta é o espelho da nossa acção, o nosso espelho. O  seu equilíbrio ou desequilíbrio reflecte igualmente o nosso próprio equilíbrio ou desequilíbrio. É, por isso, que a crise do ambiente não é tanto do ambiente mas, sobretudo, a crise da humanidade.
Salvar os tigres é salvar a floresta. Salvar a floresta é preservar a biodiversidade. Preservar a biodiversidade é salvarmo-nos a nós também.
Não tanto a pele, mas a nossa humanidade