sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A Superpotência em Biodiversidade, com tantos dilemas...



Por Marcela Valente, da IPS

Buenos Aires, Argentina, 2010
Para continuar a sustentar o crescimento económico, a América Latina está diante da decisão de colocar em risco sua rica biodiversidade ou ser o líder mundial da oferta de serviços gerados nos seus ecossistemas. A mensagem surge do  “América Latina e Caribe. Uma superpotência da biodiversidade”, lançado ontem, véspera do início da 20ª Cúpula Iberoamericana, que por dois dias será realizada na cidade argentina de Mar del Plata, 400 quilómetros ao sul de Buenos Aires.

O vasto estudo de mais de 400 páginas, no qual trabalhou uma equipa de 500 pessoas durante dois anos, foi elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e outros organismos regionais e internacionais. O objectivo foi informar as autoridades e empresas da região sobre oportunidades e riscos económicos envolvidos em actividades produtivas como agricultura, mineralogia, pesca ou reflorestamento que afectam a biodiversidade e os serviços ambientais.

As Nações Unidas declararam 2010 Ano Internacional da Diversidade Biológica, para conscientizar sobre o grave problema da perda de biodiversidade e para promover iniciativas que detenham o ritmo dessa queda, para preservar a vida humana.

As conclusões são optimistas porque, apesar de o estudo registar subsídios com impactos negativos no meio ambiente, também são destacados incentivos que funcionam favoravelmente para os ecossistemas e a economia. “A região abriga seis dos países com maior diversidade do mundo, Brasil, Colômbia, Equador, México, Peru e Venezuela”, disse à IPS Emma Torres, conselheira do Pnud para meio ambiente e energia na América Latina.

Estes países ocupam 10% da superfície terrestre, mas possuem 70% das espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios, plantas e insectos, segundo o estudo. No seu território  estende-se a área de maior biodiversidade do planeta, a selva amazónica. Na América do Sul encontra-se 40% da diversidade biológica da Terra, além de um quarto de suas florestas. Já a América Central, apesar de cobrir apenas 0,5% da massa terrestre, contém 10% de sua diversidade biológica. No Caribe, 50% da vida vegetal é endêmica, isto é, não é encontrada em nenhum outro lugar do planeta...

Este patrimônio cultural contribui efetivamente para as economias dos seus países. Porém, na medida em que esse desenvolvimento não seja sustentável o capital estará em risco. Daí  valorizar a natureza e recomendar caminhos. Por exemplo,  no México, as áreas protegidas proporcionam US$ 3,5 bilhões anuais à economia asteca, o que equivale dizer que cada peso mexicano investido em parques nacionais gera outros 52 pesos...

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