A sociedade civil vê-se hoje confrontada com uma crise abrangente e insidiosa que desenha contornos sombrios para o futuro. Um futuro que, por isso mesmo, se entrevê com um misto de pessimismo e de incerteza.
Aparentemente ninguém está a salvo. Todos os sectores laborais, todas as profissões vão sendo abalados, a insegurança espreita mesmo os empregos de uma vida inteira e quem ontem tinha uma profissão de futuro pode, amanhã, ver o seu saber converter-se em nada.
Ora este estado de coisas, à primeira vista, parece remeter a problemática ambiental para um papel subordinado. Perante o desemprego e as profundas crises sociais daí decorrentes, quem se importará com a extinção dos tigres ou as alterações climáticas? Numa palavra qual o lugar do ambiente neste catastrófico cenário económico-político-social?
Atrevemo-nos a dizer que é nele que, provavelmente, residirá a "salvação". Os sinais sucessivos de alarme que nos envia, convocam-nos para uma resposta global, inteira, que não residirá na vã e desesperada tentativa de salvar o sistema tal como está, mas na capacidade de proceder a mudanças profundas nos estilos de vida e de, criativamente, inventar modos alternativos de produção económica.
É isto, afinal que está em causa. Esse sistema alimentado artificialmente por uma banca especulativa, por uma economia focada no crescimento à conta do consumismo e do lucro a todo o custo; uma economia que, para isso, vampiriza hordas de escravos no 3º mundo tanto quanto a natureza, expõe-se agora, afinal, em toda a sua vulnerabilidade .
E de nada servirá a tentativa desesperada que reclama a cabeça dos mais fracos a fim de se manter à tona. A Natureza não dispõe de recursos ilimitados.E, ao invés, desenha cenários de catástrofe por todo o lado. Os prejuízos financeiros de toda a negatividade provocada pela exploração abusiva do mundo natural a breve trecho serão incomensuráveis.
Daí que a saída desta profundíssima crise tenha necessariamente de passar pelo ambiente.
Porque no fundo, o planeta é o espelho da nossa acção, o nosso espelho. O seu equilíbrio ou desequilíbrio reflecte igualmente o nosso próprio equilíbrio ou desequilíbrio. É, por isso, que a crise do ambiente não é tanto do ambiente mas, sobretudo, a crise da humanidade.
Salvar os tigres é salvar a floresta. Salvar a floresta é preservar a biodiversidade. Preservar a biodiversidade é salvarmo-nos a nós também.
Não tanto a pele, mas a nossa humanidade

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