quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Protestos nas ruas contra o mercado climático






 – Os atalhos oferecidos pelo sistema da Organização das Nações Unidas às empresas, para que lucrem com as estratégias contra o aquecimento global, foram alvo de duras críticas no Dia de Acção Mundial pela Justiça Climática. Duas manifestações distintas, com  milhares de pessoas, marcaram o dia 7, no trecho final da cúpula sobre as mudanças climáticas que acontece até o dia 10 neste balneário mexicano.

Palavras de ordem referentes ao México, “País petroleiro, o povo sem dinheiro”, focou a causa principal do aquecimento do Planeta: a combustão de combustíveis fósseis, assunto quase marginalizado das discussões da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

A manhã começou com uma marcha pelo centro da cidade por parte de movimentos camponeses e altermundistas deste país e da América Latina, reunidos no Diálogo Climático-Espaço Mexicano. Acompanhados por activistas da Oxfam e da Aliança Social Continental, percorreram a Avenida López Portillo até a sede da prefeitura. Os esquemas de lucro, como a venda de direitos para lançar dióxido de carbono para a atmosfera no chamado “mercado de carbono”, poderiam ser ampliados em Cancún.

Há pré-acordo para incluir a captura e o armazenamento de carbono e a proposta de REDD (Redução das Emissões de Desmatamento das Florestas), discutido pelos países partes da COP 16, poderia incluir incentivos de mercado. “REDD não, REDD não, REDD não”, gritavam os manifestantes.

Nas duas marchas, os grupos sindicais e indígenas dominaram em presença e mobilização as organizações ambientalistas. E as suas reclamações e lemas foram também muito amplas: desde soberania alimentar até aos direitos humanos, passando por denúncias contra a administração do conservador Felipe Calderón. “Governo fascista, estás na nossa lista”, gritavam. “Deem duro nesse bando que se reuniu em Cancún para escravizar a humanidade e arruinar o planeta”, gritava um mexicano com o rosto parcialmente coberto por uma máscara da corporação de alimentos Nestlé.

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