Com humildade e alguma timidez, este blog pretende ser: um lugar de divulgação ambientalista. Um espaço para todos aqueles que queiram, comentar, divulgar, expor... MÃE TERRA
quinta-feira, 28 de abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
ALGAS: combustível, alimento e plástico

Trinidad, Califórnia, Estados Unidos, 25 de abril de 2011 (Terramérica).-
Enquanto os combustíveis tradicionais projetam cada vez mais consequências indesejáveis, as algas, essa sujeira dos reservatórios, oferecem uma alternativa simples, de curto prazo e com muito pouco dos custos escondidos de fontes de energia mais complexas. A primeira e mais simples forma de vida, as algas, promete se converter em um recurso fundamental para o futuro do planeta como base de um biodiesel de grande qualidade que – ao contrário do milho – não desvia alimentos dos humanos.
E não são apenas combustíveis. São alimento animal e humano – pensemos na proteica e vitamínica spirulina – e o componente essencial de uma ampla gama de plásticos biodegradáveis para substituir os produzidos a partir do petróleo. As algas fazem tudo isso enquanto crescem absorvendo prodigiosas quantidades de dióxido de carbono, o gás-estufa que mais precisamos reduzir na atmosfera para frear a mudança climática.
No momento não são uma prioridade na pesquisa e no desenvolvimento dos países nem das grandes empresas, mas estão ganhando força no setor privado e acadêmico, na medida em que se revela seu potencial. Já há gigantes da energia pesquisando sobre elas como subprodutos do desenvolvimento do chamado “carvão limpo”, já que absorvem o dióxido de carbono gerado pela queima desse mineral. E o carvão não é mais do que algas de 500 milhões de anos de idade.
Então, por que não deixar de buscar carvão escavando montanhas e dedicar-se, por outro lado, a cultivar algas de rápido crescimento e grande adsorção de dióxido de carbono? Não é um sonho distante. Um fator que coloca as algas acima de quase todas as opções energéticas, convencionais ou alternativas, é sua simplicidade, onipresença e disponibilidade. Os pesquisadores afirmam que, embora existam obstáculos técnicos para uma produção em grande escala de baixo custo em vários de seus usos, nenhum parece intransponível.
Graças à sua capacidade de rápido crescimento, as algas em cultivo não exigem controle rígido. Seu florescimento é natural, e pode ser induzido com a contaminação química e agrícola. A eutrofização asfixia rios e riachos e afeta a vida aquática e marinha, pois bloqueia o fluxo de oxigênio, um processo conhecido como hipoxia. É um problema grave, que deve ser considerado nos cultivos de algas em espaço aberto, em lugar de ambientes controlados como os biodigestores, onde se produz biodiesel. Ao contrário de uma reação nuclear em cadeia, mesmo se a proliferação de algas se tornar excessiva, suas consequências sequer se aproximariam da gravidade de uma fusão atômica.
Em uma visita ao ENN Group, firma chinesa de energia que fica a uma hora de carro de Pequim, este correspondente percorreu um laboratório onde os cientistas desenvolvem microalgas para uma variedade de usos, como parte de um projeto de risco compartilhado entre o ENN e a Duke Energy, uma das maiores prestadoras de serviços públicos dos Estados Unidos.
Em uma ensolarada estufa com paredes cobertas por tubulações de vidro pelas quais circula um lodo verde, o chefe da equipe de algas da ENN, Liu Minsung, apontou para uma fileira de tubos transparentes contendo substâncias de diferentes cores e consistências e levantou uma por uma. “Esta é uma microalga em forma pura. Experimentamos com diferentes formas de microalgas e criando novas variedades para desenvolver aquelas que mais facilmente se adaptam aos nossos propósitos”, explicou.
Então, Liu levantou outro tubo. “Isto é óleo vegetal, muito puro, sem sabor, muito bom para você.” O deixou e pegou outro. “Isto é alimento animal, muito nutritivo”, disse. “Isto é biodiesel. Pode-se usar como combustível de veículos automotores, barcos e jatos”, prosseguiu. As “óleo-algas”, como as chamam alguns, são refinadas em um processo muito barato e já estabelecido.
Liu continuou. “E estas são a base dos bioplásicos. Poderiam substituir todos os plásticos que hoje obtemos do petróleo”, disse. E são biodegradáveis. Quantos anos são necessários para que tudo isto seja viável comercialmente?, perguntei. Pensou um momento, como se consultasse sua agenda. “Consulte-nos no próximo ano”, respondeu.
De fato, em 2012 a Marinha de guerra dos Estados Unidos lançará o que chama Grupo de Combate Verde, uma flotilha de barcos que funcionarão com uma mistura chamada diesel hidroprocessado renovável: metade algas e metade combustível naval destilado Otan F-76. Para 2016, a Marinha prevê lançar a Grande Frota Verde, um grupo de combate de porta-aviões formado por navios híbridos elétricos, aviões movidos a biocombustíveis, inclusive algas, e – já não tão verdes – navios nucleares.
As algas constituem um círculo completo de inovação porque servem a vários usos simultâneos, seguindo uma dinâmica mais bio-lógica do que tecno-lógica. As soluções técnicas se tornaram complexas e caras que, como ocorre com os telefones inteligentes, uma série de aplicações não essenciais acaba esgotando a capacidade básica. Como toda “solução”, as algas têm indubitavelmente lados obscuros que devemos descobrir. Contudo, o maior risco, como o do automóvel elétrico, é não desenvolvê-las.
Você pode criar suas próprias algas, já que crescem por todo lado, menos no Ártico. Se a ciência se dedicar não apenas à grande escala, mas à pequena, as comunidades locais poderão cultivar suas próprias fazendas municipais de algas e obter novas fontes de renda e combustível para suas máquinas e seus motores. A vida na Terra começou com as algas. Elas poderão nos ajudar a resgatar nosso dilema energético?
* Mark Sommer é jornalista norte-americano e dirige o premiado programa de rádio A World of Possibilities (www.aworldofpossibilities.org). Direitos Reservados IPS.
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quinta-feira, 21 de abril de 2011
Nós e o Planeta Terra
O que nos diferencia dos outros seres da natureza não é a inteligência ou a capacidade de ter emoções, de sentir prazer, dor, medo, de nos comunicar ou criar ferramentas, pois isso várias espécies também fazem em diferentes graus de eficiência. O que nos torna únicos é a consciência de nossa individualidade e, entre as conseqüências disso, está o sentimento de separação do mundo, dos outros, da natureza, pois se somos nós não podemos ser o outro.
Ter consciência nos fez também ter subjectividade, um mundo interior, onde construímos e reconstruímos nossa visão de mundo, do outro, de nós próprios. Assim, embora a realidade seja igual para todos, a maneira de perceber, de encarar e interpretar a realidade muda de pessoa para pessoa.
Isso nos obrigou a estabelecer parâmetros do que é aceitável ou não pela sociedade, pois apesar de separados dos outros e das coisas, enquanto seres sociais estamos ligados uns aos outros e tão dependentes quanto todos da natureza. E natureza, aqui, não significa uma visão idealizada de um ser com propósito e intencionalidade, mas o resultado de milhares de anos de evolução sob determinadas condições de clima e calor, distanciamento do sol, inclinação do eixo da Terra, etc. Revela-se então uma outra característica humana que é a tendência de encontrar significado para as questões que não consegue compreender, como se fôssemos incapazes de viver num mundo que não faca sentido. Os gregos antigos, por exemplo, deram à natureza o status de deusa, à qual atribuíram o nome Gaia.
A consciência também nos tornou livres para escolher o que achamos ser melhor para nós, para o mundo, e o livre arbítrio trouxe consigo culpas e responsabilidades, angústias existenciais sobre qual o melhor caminho a tomar. Ao nos vermos livres da natureza, não mais tendo de obedecer aos instintos e compreendendo cientificamente os seus fenómenos, criamos a ilusão de sermos superiores às demais espécies e à própria natureza.
Na tarefa de nos tornar humanos, tivemos e ainda temos de enfrentar a natureza, que age e influencia em nossas escolhas através dos instintos - tão activos em nós quanto em todas as demais espécies, determinando quando temos de lutar ou fugir, comer e parar de comer, por exemplo, e ainda assim, podemos escolher nos manter em situação de estreasse sem tentar fugir e comer sem fome. Este enfrentamento resultou no afastamento maior ainda da natureza. Seguir aos instintos passou a ser um atributo dos animais, algo pouco refinado, embrutecido, motivo de vergonha para os humanos.
Criamos a ilusão de sermos os donos da natureza e dividimos o planeta em territórios, e loteamos cada espaço útil, explorando sem culpas, a ponto de já termos passado do ponto de regeneração natural de diversos ecossistemas. As demais espécies foram destituídas de seus direitos, condicionadas à sua utilidade para nós. Se não for útil, então não tem razão de existir.
Em nossa idealização do mundo, nos demos o papel transcendental atribuído aos deuses, pois se somos superiores à natureza, tínhamos de encontrar um significado para nós fora da natureza.
Quando confrontados com as evidências de nossos actos, alguns de nós preferem buscar desculpas para continuar agindo da mesma forma. Para alguns, a ideia de que a natureza possa sofrer um colapso parece um exagero, pois nada do que façamos irá destruir a natureza, embora possamos nos destruir facilmente. Para outros, a Ciência irá nos salvar descobrindo coisas, inventando novas tecnologias que serão capazes de reciclar nossos restos e descobrir novas fontes de recursos. Outros acham inútil lutar, pois o fim está próximo, conforme revelado em algum texto sagrado e, naturalmente, apenas os que acreditarem nisso serão salvos.
Nossa separação da natureza não aconteceu apenas do ponto de vista psicológico, ético, moral ou espiritual, mas também do ponto de vista físico. Reconstruímos o meio ambiente para adaptá-lo às nossas necessidades onde antes existiam ecossistemas. Construímos cidades às vezes confortáveis, bonitas, às vezes não, de concreto, aço e asfalto e com muita rapidez esquecemos que apesar de muito importantes não são as cidades que produzem a água, o oxigénio, a biodiversidade da qual dependemos para produzir alimentos, medicamentos e obter recursos.
O meio ambiente deixou de ser tudo o que existe, para ser o que existe em torno de nos, como se fosse uma espécie de armazém de recursos inesgotável para atender às nossas necessidades. Necessidades que deixaram de ser apenas físicas, como comer, morar, vestir, mas também espirituais, como a de demonstrar afecto através da troca de presentes materiais, de obter reconhecimento social e se sentir pertencendo a uma sociedade através da exibição de objectos de consumo. O resultado foi uma sociedade que não só super explora a natureza, mas que também super explora seus próprios semelhantes, pois para que uns possam acumular demais outros precisam acumular de menos.
E por que tudo isso? Enquanto as demais espécies submetem-se aos seus destinos, nos angustiamos na busca de respostas, e quando estas não existem, criamos nós próprios utopias e visões de mundo que dê sentido a este mundo reinventado. Qual é o propósito de nossa espécie?
Para que estamos aqui? De onde viemos? Para onde vamos? Por que sofremos com terremotos, vulcões, tsunamis, secas, enchentes, furacões, fome, SIDA, epidemias, etc.? Cometemos algum pecado pelo qual estamos sendo punidos agora? Teremos tempo de evitar um colapso ambiental global? Continuaremos existindo enquanto espécie ou já estamos em declínio rumo à extinção?
Alguns se satisfazem com a ideia de deuses e diabos voluntariosos nos manipulando, outros se amparam na ideia de que somos filhos e filhas de seres de outros planetas que nos visitaram no passado e que alguns acreditam que ainda estão entre nós. Outros acreditam que surgimos do caos e do acaso, não importa, ninguém saberá a verdade final mesmo e, neste particular, qualquer ideia serve, desde que tenha significado e nos permita viver em paz connosco mesmo e com os outros, que nos anime a querer serem pessoas melhores e lutar para termos um mundo melhor.
O facto concreto é que nenhum de nós escapará vivo do Planeta que, ao contrário de nos pertencer, nós é que pertencemos a ele e o compartilhamos com todas as outras espécies. Ou nos reinventamos, imaginando outro jeito de estar no Planeta, ou corremos risco de desaparecer antes do tempo. Uma coisa é certa, o Planeta começou sem nós, e acabará sem nós. A questão que importa não é quando acontecerá o fim, mas o que posso fazer, aqui e agora, enquanto tenho vida e saúde para abreviar este fim e aproveitar este presente que todos os dias o Planeta nos proporciona, o de viver. E a vida é bem curta.
* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br ) e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente ( www.portaldomeioambiente.org.br ). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Rotular e engessar o conceito da sustentabilidade é um desrespeito à busca pelo desenvolvimento sustentável.
Fukushima eleva reação negativa à energia nuclear

A ideia de um plebiscito sobre energia nuclear cresce em vários países. Esta é uma questão de interesse público e segurança colectiva. Tipicamente uma questão que deveria mesmo ser submetida a consulta popular.
sábado, 9 de abril de 2011
AMBIENTE, EDUCAR É PRECISO

Tudo que produzimos, consumimos e usamos, exploramos dos recursos naturais do Planeta — A Terra é uma imensa nave, uma jóia única e rara no Universo, mas, é um sistema fechado —, com exceção da energia solar que é abundante e vem de fora, tudo o resto, significa degradação e perdas para o frágil sistema de vida aqui existente. Este princípio básico e elementar deveria ser o ponto de partida para mudarmos o pensamento das futuras gerações, através da Escola.
No entanto, o sistema de passagem de conhecimentos sócio-ambientais praticado na grande maioria das Escolas é incipiente, fraco e permissivo a ponto de nos levar a compará-lo aos períodos negros da história do homem em que a falta de conhecimento e discernimento eram garantia de longos e tranquilos reinados e impérios. Hoje, temos a dominar-nos, o Império da ganância, do conforto e do desperdício para poucos, o Império da miséria, da fome e da sede para a grande maioria e o aquecimento global e o desequilíbrio ambiental para todos.
USE PAPEL RECICLADO...
Na produção do papel 100% reciclado, não há corte de ÁRVORES.
Assim, 11 ÁRVORES deixam de ser cortadas para cada tonelada de papel
A média mundial de consumo é de 58Kg por ano, o que significa que cada pessoa consome 0,6 árvore ao ano, mas é possível salvá-las comprando papel reciclado. Fonte: Assoc Bras de Celulose e Papel / Blog da Gisele
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
As cidades não estão prontas para as mudanças climáticas

A ONU alerta que o atual modelo de urbanização está em rota de colisão com o clima e que se os governos não agirem rapidamente o aquecimento global poderá fazer com que 200 milhões de pessoas fiquem sem abrigo até 2050.
Se os cálculos das emissões de gases de efeito estufa das cidades englobarem processos como o consumo e a geração de energia, os transportes e a produção industrial, as áreas urbanas aparecerão como as grandes vilãs mundiais, ficando responsáveis por 70% das emissões sendo que ocupam apenas 2% do território do planeta.
É justamente como protagonistas das mudanças climáticas que o relatório Cities and Climate Change: Global Report on Human Settlements 2011 (Cidades e Mudanças Climáticas: Relatório Global sobre as Ocupações Humanas 2011) apresenta as cidades.
Produzido pelo UN-Habitat, programa da ONU direcionado para promover o desenvolvimento social e ambiental das cidades, o documento afirma que o modelo actual de urbanização está a seguir um rumo de alto risco devido às transformações no clima.
“Nas próximas décadas, as mudanças climáticas irão fazer com que centenas de milhões de pessoas, na sua maioria as mais pobres e marginalizadas, fiquem cada vez mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos de terra e a outros desastres naturais. Esta é a previsão que fazemos baseados na melhor ciência que temos disponível”, alerta Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, no prefácio do relatório.
terça-feira, 29 de março de 2011
SABEDORIA AMERÍNDIA
A TERRA É TUA ANTEPASSADA, É SAGRADA. DEVES RESPEITÁ-LA, AGRADECER-LHE O ALIMENTO E A ALEGRIA DE ESTAR VIVO. SE NÃO VIRES NENHUMA RAZÃO PARA LHE AGRADECER, É EM TI QUE ESTÁ A FALTA
domingo, 27 de março de 2011
ÁGUA OU ÁGUAS

Costumamos repetir que não estamos numa "época de mudanças", mas estamos é numa "mudança de época".
Para muitos cientistas, o aquecimento global é o maior desafio que a humanidade já enfrentou.
Quando a Bíblia fala em "água", está a falar de algo benfazejo, bom, comparando até o próprio Deus da Vida como "um rio de água viva". É a água serena de um rio calmo, de um banho revitalizante, de um copo d'água cristalino quando temos muita sede. Também de uma chuva serena, que irriga a terra e faz a ressurreição da caatinga depois de meses sem chuva. Então tudo reverdece, o que parecia morto revive e a vida explode em toda a sua biodiversidade e beleza.
É essa água que procuramos de modo incessante, assim como o povo do nosso semi-árido solo, guardando-a até numa simples cisterna, para que ela não falte nos períodos em que normalmente não haverá chuvas.
Entretanto, quando a Bíblia fala em "águas", como as do dilúvio, ou as do Mar Vermelho que cobriram o exército dos egípcios, está a falar da sua força devastadora (Sandro Gallazzi).
Em nada essa experiência é diferente do que experimenta hoje a população de Santa Catarina, ou dos morros de Teresópolis, ou a população sertaneja de Pernambuco e Alagoas no Brasil.
Sob as águas e a lama vão as casas, os bens, quando não a própria vida. É a experiência da fúria natural pela força das águas.
O que resta é sempre um cenário de destruição total. Tudo que estava no caminho das águas fica destruído. Reconstruir o patrimônio de famílias, comunidades e de cidades inteiras tem custo e marca o corpo e a alma.
Devido ao aquecimento global os climatologistas já nos avisaram que esses fenómenos vão se tornar cada vez mais constantes e intensos. Portanto, podemos e devemos preparar-nos para o pior, pelo menos até onde é possível chegar essa precaução.
Claro que está em jogo a ocupação de morros, de margens de rios, assim por diante. Porém, a humanidade sempre procurou as margens dos rios, para estar próxima das águas. Mas, as enchentes eram naturais, com ciclos mais regulares, permitindo aos povos desenvolver uma convivência mais pacífica com as variações dos rios.
Campanha da Fraternidade
O tema da Campanha da Fraternidade desse ano é justamente o aquecimento global. Alterando rápida e violentamente o regime das águas. Com mais calor há mais evaporação. Com mais evaporação há, por consequência, mais precipitação e, particularmente, precipitações mais concentradas. A chuva que cai em áreas ambientalmente alteradas pela acção humana, transforma-se em tragédia.
Para muitos cientistas o aquecimento global é o maior desafio que a humanidade já enfrentou. Para James Lovelock, diante desse fenómeno, todos os outros problemas humanos são praticamente irrelevantes. Se a temperatura média da Terra se elevar de dois até seis graus, o planeta vai se tornar um inferno. A mudança no regime das águas será um dos factores mais devastadores como consequência dessas mudanças.
A ocupação das cidades, portanto, deu-se sem qualquer planeamento, a não ser a necessidade de mão-de-obra barata para atender à industrialização. Hoje, cidades assim precárias e injustamente construídas, não têm condição de suportar o aumento na pluviosidade e na precipitação concentradas, geradas pelas mudanças do clima
A sociedade que vivemos, assim como a Terra que vivemos, serão bastante diferentes ao final desse século. Talvez muito piores. Uma verdadeira incógnita
*Roberto Malvezzi é membro da Equipe Terra, Água e Meio Ambiente do CELAM. Publicado na revista Missões, n. 02, Março de 2011.
TERRAMOTO NA ENERGIA

Durante todo o século XX, as potências Imperialistas usaram a força das armas para garantir o controle das fontes de energia. Nada indica que agora agirão de outra forma.
Os dois eventos mais importantes deste início de ano, a rebelião dos povos árabes e o terremoto no Japão, apresentam algo em comum: ambos incluem entre suas consequências o agravamento da crise global da energia.
O impacto da revolta árabe sobre os suprimentos de petróleo reflecte-se no preço desse combustível, que já chegou aos 104 dólares o barril.
A dois anos atrás, custava menos de 40 dólares. O aumento tem a ver com o corte das remessas da Líbia devido à guerra civil, mas expressa também preocupações mais duradouras.
Afinal, está em jogo o futuro político de uma região que fornece 37% de todo o petróleo consumido no planeta e abriga no seu subsolo quase 70% das reservas mundiais desse combustível.
Ninguém sabe ainda qual será o alcance do vendaval da rebeldia que está a varrer o mundo Árabe, de Marrocos ao Bahrein.
Mas uma coisa é certa: para o chamado “Ocidente” (EUA e União Europeia), ficará mais difícil exercer o controle sobre o volume e os preços do petróleo do Médio Oriente. De agora em diante os governantes árabes, sejam eles quais forem, tenderão a adotar posturas mais soberanas. E o imperialismo enfrentará obstáculos crescentes para impor seus interesses, entre os quais se destacam o petróleo barato e a defesa incondicional de Israel.
Já a tragédia japonesa afecta a outra ponta do dilema energético. O perigo causado pelos danos em usinas atómicas reaviva a desconfiança global perante a energia nuclear, logo no momento em que ela se fortalecia como alternativa à diminuição da oferta de combustíveis fósseis.
No cenário que se vislumbra, pode-se prever que aumentará o valor estratégico das regiões e países produtores de petróleo e gás, cada vez mais valiosos. Crescerá a pressão política e militar sobre o Irão, a Venezuela e, ao que tudo indica, a Líbia.
Durante todo o século 20, as potências imperialistas usaram a força das armas para garantir o controle das fontes de energia. Nada indica que agora agirão de outra forma.
*Igor Fuser é jornalista, professor de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.
quarta-feira, 16 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
Necessidade vs. ganância: o planeta está no limite

O mundo está a romper os limites no uso de recursos. Com a economia mundial a crescer a 4-5% ao ano, estará num caminho para duplicar em menos de vinte anos. Os 70 trilhões de dólares da economia mundial serão 140 trilhões, antes de 2030, e 280 trilhões antes de 2050, em caso de extrapolarmos as taxas de crescimento de hoje. O nosso planeta não suportará fisicamente esse crescimento econômico exponencial, se deixarmos a ganância ter a vantagem. O crescimento da economia mundial já está a esmagar a Natureza.
O maior líder moral da Índia, Mahatma Gandhi tem a famosa máxima segundo a qual há o suficiente na Terra para suprimir as necessidades de todo mundo, mas não para as ganâncias de todo mundo. Hoje, o insight de Gandhi está a ser posto como teste, mais do que nunca.
O mundo está a romper os limites no uso de recursos. Estamos a sentir diariamente o impacto das enchentes, tempestades e secas – e os resultados aparecem nos preços no mercado. Agora o nosso destino depende de cooperamos ou ficarmos vítimas da ganância autodestrutiva.
Os limites da economia global são novos, resultam do tamanho sem precedentes da população mundial e da disseminação sem precedentes do crescimento econômico em quase todo o mundo. Há no momento sete bilhões de pessoas no planeta; há meio século, eram três biliões.
Por Jeffrey Sachs, da Al Jazeera
quinta-feira, 3 de março de 2011
Seca amazónica de 2010
Riso Politico afecta preço do petróleo
O risco político inerente à atividade petrolífera está a aumentar recorrente e fortemente e pode empurrar os preços para cima.
Um patamar mais alto para os preços do petróleo pode afectar a economia global. A queda de Muamar Khadafi, nos próximos dias, poderia reduzir um pouco o stress do mercado e trazer o preço até abaixo daquele patamar. Mas a instabilidade não desaparece por magia.
A reconstrução em todos esses países de uma ordem institucional que permita governança estável levará meses, em alguns casos, anos.
A Líbia, por exemplo, tem muito pouca institucionalidade. A nova ordem começará praticamente do zero e terá que levar em consideração a distribuição do poder entre chefes tribais. Nada fácil.
Se, ao contrário, a situação acabar em guerra civil, os preços, obviamente baterão picos bem acima desse patamar. Alguns especialistas já falam em US$ 150.00.
terça-feira, 1 de março de 2011
Proteger as florestas ancestrais
Por todo o mundo, as florestas ancestrais estão em crise. Muitas das plantas e animais que vivem nessas florestas enfrentam a extinção, e muitas das pessoas e culturas que dependem dessas florestas para o seu modo de vida estão igualmente ameaçadas. Mas nem tudo são más notícias. Existe uma derradeira oportunidade para proteger essas florestas e a vida que elas sustentam. 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Ditadores do nosso tempo
Gadafi na jurisdição do Tribunal Penal Internacional
Nações Unidas, 24/2/2011 – Se o líder líbio, Muammar Gadafi, sobreviver ao levantamento popular contra seu regime e permanecer no cargo poderá converter-se no segundo chefe de Estado no cargo acusado de crimes de guerra. A morte de mais de 200 manifestantes civis na Líbia nos últimos sete dias motivou uma forte condenação não apenas da Organização das Nações Unidas (ONU), como também de grupos dos direitos humanos e governos de todo o mundo.“Vi cenas muito perturbadoras e fortes, nas quais as autoridades líbias disparavam contra os manifestantes a partir de aviões de guerra e helicópteros. Isto é inaceitável. É Preciso parar imediatamente......
“Irmão” Gaddafi; Tu já acabaste...!
O jogo não termina antes que acabe, , quando um ditador bombardeia com aviões o próprio povo desarmado, civil, e ataca áreas da própria capital do próprio país. É ir longe demais até para os insuperavelmente alucinados padrões dos ditadores apoiados pelo Ocidente no Mundo Árabe.Vê-se logo que a festa (macabra) pode ter acabado, quando Sheikh Yousef al-Qaradawi, uma das autoridades sunitas mais populares em todo o planeta, e não só porque mantém um programa de televisão na rede al-Jazeera, lança uma sentença de morte, uma fatwa ‘ao vivo’ –
Nações Unidas, 24/2/2011 – Se o líder líbio, Muammar Gadafi, sobreviver ao levantamento popular contra seu regime e permanecer no cargo poderá converter-se no segundo chefe de Estado no cargo acusado de crimes de guerra. A morte de mais de 200 manifestantes civis na Líbia nos últimos sete dias motivou uma forte condenação não apenas da Organização das Nações Unidas (ONU), como também de grupos dos direitos humanos e governos de todo o mundo.“Vi cenas muito perturbadoras e fortes, nas quais as autoridades líbias disparavam contra os manifestantes a partir de aviões de guerra e helicópteros. Isto é inaceitável. É Preciso parar imediatamente......
“Irmão” Gaddafi; Tu já acabaste...!
O jogo não termina antes que acabe, , quando um ditador bombardeia com aviões o próprio povo desarmado, civil, e ataca áreas da própria capital do próprio país. É ir longe demais até para os insuperavelmente alucinados padrões dos ditadores apoiados pelo Ocidente no Mundo Árabe.Vê-se logo que a festa (macabra) pode ter acabado, quando Sheikh Yousef al-Qaradawi, uma das autoridades sunitas mais populares em todo o planeta, e não só porque mantém um programa de televisão na rede al-Jazeera, lança uma sentença de morte, uma fatwa ‘ao vivo’ –
2011 ANO INTERNACIONAL DAS FLORESTAS - O Greenpeace é uma organização não-governamental com sede em Amesterdão, e escritórios espalhados por quarenta e um países.Actua internacionalmente em questões relacionadas à preservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com campanhas dedicadas às áreas de florestas (Amazônia no Brasil), clima, nuclear, oceanos, engenharia genética, substâncias tóxicas, transgênicos e energia renovável.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
CARTA DA TERRA
CARTA DA TERRA
PREÂMBULO
Estamos num momento crítico da história da Terra, numa época em que a humanidade tem de escolher o seu futuro. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil, o futuro encerra, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para avançar, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana, e uma só comunidade na Terra, com um destino comum. Devemos conjugar forças para gerar uma sociedade global sustentável, baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça económica, e numa cultura da paz. Para alcançar este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos a nossa responsabilidade uns para os outros, para com a grande comunidade da vida, e para com as gerações futuras.
PREÂMBULO
Estamos num momento crítico da história da Terra, numa época em que a humanidade tem de escolher o seu futuro. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil, o futuro encerra, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para avançar, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana, e uma só comunidade na Terra, com um destino comum. Devemos conjugar forças para gerar uma sociedade global sustentável, baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça económica, e numa cultura da paz. Para alcançar este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos a nossa responsabilidade uns para os outros, para com a grande comunidade da vida, e para com as gerações futuras.
Terra, a Nossa Casa
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, a nossa casa, está viva como comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da sobrevivência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação das comunidades vivas, e o bem-estar da humanidade, dependem da manutenção de uma biosfera saudável em todos os seus sistemas ecológicos, uma enorme diversidade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O ambiente global com seus recursos não renováveis, é uma preocupação comum a todas as pessoas. A protecção da beleza, diversidade e vitalidade da Terra é um dever sagrado.
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, a nossa casa, está viva como comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da sobrevivência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação das comunidades vivas, e o bem-estar da humanidade, dependem da manutenção de uma biosfera saudável em todos os seus sistemas ecológicos, uma enorme diversidade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O ambiente global com seus recursos não renováveis, é uma preocupação comum a todas as pessoas. A protecção da beleza, diversidade e vitalidade da Terra é um dever sagrado.
A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão a provocar a devastação dos ecossistemas, a redução drástica dos recursos, e uma explosiva extinção de espécies. As comunidades estão a ser minadas. Os benefícios do desenvolvimento não são partilhados equitativamente, e o fosso entre ricos e pobres aumenta colossalmente. A injustiça, a pobreza, a iliteracia e os conflitos armados têm aumentado, e são a causa de muitos sofrimentos. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológicos e sociais.
As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas mas evitáveis.
Desafios para o futuroOs padrões dominantes de produção e consumo estão a provocar a devastação dos ecossistemas, a redução drástica dos recursos, e uma explosiva extinção de espécies. As comunidades estão a ser minadas. Os benefícios do desenvolvimento não são partilhados equitativamente, e o fosso entre ricos e pobres aumenta colossalmente. A injustiça, a pobreza, a iliteracia e os conflitos armados têm aumentado, e são a causa de muitos sofrimentos. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológicos e sociais.
As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas mas evitáveis.
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou pôr em risco a nossa existência e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais nos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas estiverem ao alcance de todos, o desenvolvimento humano estará voltado, primariamente, a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer todos e reduzir os impactes sobre o ambiente. O crescimento de uma sociedade civil global está a criar novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Os nossos desafios em questões ambientais, económicas, políticas, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos estabelecer soluções que incluam todos estes aspectos.
Responsabilidade UniversalPara aceitarmos estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade global, bem como com as nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e do mundo, no qual as dimensões locais e globais estão ligadas. Cada um partilha da responsabilidade pelo bem-estar actual, e o futuro da humanidade e de todo o mundo vivo. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com todas as formas de vida é fortalecido quando vivemos com reverência pelo mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade, considerando o lugar que ocupa o ser humano da Natureza.
Necessitamos urgentemente de uma visão conjunta de valores básicos, para proporcionar um fundamento ético à comunidade global emergente. Por isso, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como objectivo comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será guiada e avaliada.
Necessitamos urgentemente de uma visão conjunta de valores básicos, para proporcionar um fundamento ético à comunidade global emergente. Por isso, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como objectivo comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será guiada e avaliada.
domingo, 23 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Carro eléctrico português será produzido em 2012

O Mobicar, carro eléctrico português, deve começar a ser produzido apenas no segundo semestre de 2012. O projecto ligado ao Mobi-e (plano de distribuição de energia para carros) ainda não tem preço definido.
A intenção é que o primeiro protótipo esteja pronto em outubro deste ano e que até março do ano que vem 10 protótipos estejam a circular em fase de teste. Se tudo ocorrer bem, a produção comercial começa no segundo semestre de 2012.
A montagem será da responsabilidade da empresa VN Automóveis. O Mobicar terá três lugares, é 100% eléctrico, com uma autonomia de 100 quilômetros e uma velocidade máxima de 80 quilômetros por hora.
A intenção é que o primeiro protótipo esteja pronto em outubro deste ano e que até março do ano que vem 10 protótipos estejam a circular em fase de teste. Se tudo ocorrer bem, a produção comercial começa no segundo semestre de 2012.
A montagem será da responsabilidade da empresa VN Automóveis. O Mobicar terá três lugares, é 100% eléctrico, com uma autonomia de 100 quilômetros e uma velocidade máxima de 80 quilômetros por hora.
Por Gisele Eberspächer, Atitude Sustentável
Aumento da fome nos próximos 10 anos

Se o ritmo actual do aquecimento Global continuar, países como a Índia poderão perder até 30% da sua capacidade agrícola já em 2020, o que aumentará o deficit entre a produção e a procura por alimentos.
Num planeta mais quente, países que são hoje grandes produtores de alimentos apresentarão uma forte queda na sua agricultura, enquanto regiões que actualmente sofrem com invernos rigorosos serão mais férteis, criando novas fronteiras agrícolas.
Porém, com o aumento populacional, o déficit entre a oferta e a procura de alimentos deverá crescer, chegando a deixar 20% da população mundial faminta.
É o que afirma o estudo “"The Food Gap -- The Impacts of Climate Change on Food Production: A 2020 Perspective” (A Falta de Alimento – Os Impactos das Mudanças Climáticas na Produção de Alimentos: uma Perspectiva para 2020), publicado nessa semana pela Fundação Ecológica Universal (FEU), uma organização sem fins lucrativos criada em 1990 na Argentina e que conta com o cientista climático Osvaldo Canziani, vencedor do Prêmio Nobel de 2007 em conjunto com o Painel Inter governamental para Mudanças Climáticas (IPCC).
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
O Carbono absorvido pelos ecossistemas está ser super estimado

Segundo um novo estudo publicado na revista Science, os métodos actuais da contabilização do carbono que pode ser absorvido pelos ecossistemas terrestres estão equivocados.
Ao não levar em conta a libertação de cerca de 2,05 biliões de toneladas métricas de carbono ao ano, proveniente da emissão natural do metano por rios, reservatórios, córregos e lagos, os métodos actuais estariam superestimando significativamente na quantidade de carbono absorvida pelos ecossistemas.
Considera-se que todos os ecossistemas terrestres absorvam cerca de 2,6 bilhões de toneladas métricas de carbono anualmente. De acordo com o autor do estudo, este é “grande erro de cálculo”.
Por Fernanda B. Müller, da Carbono Brasil |
Tragédia no Rio de Janeiro - O preço de não escutar a Natureza

Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais.
O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, a destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca cobertura do solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assente sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.
Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que distribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo, há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.
A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco, pois oferece-nos tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, considera-mo-la como um objecto qualquer, entregue ao nosso belo-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação, serem lhe darmos alguma retribuição. Ao contrario, tratamo-la com violência, arrancando tudo o que podemos dela para o nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira dos nossos dejectos.
Pior ainda: nós não conhecemos a sua natureza e a sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.
Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam nas suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está a ser contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e a elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. A nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam. Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, tornou-se técnica para dominar a natureza e acumular.
No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre pode ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles enviam-nos que é: não construir casas nas encostas; não morar junto dos rios e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta zona não se pode construir ou morar.
Estamos a pagar um alto preço pelo nosso descanso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.
Só controlamos a natureza na medida em que a obedecermos e soubermos escutar as suas mensagens e ler os seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.
*Leonardo Boff é filósofo e teólogo.
ONU: danos nos ecossistemas vão afectar a economia mundial brevemente
Danos aos ecossistemas naturais de todo o planeta devem começar a atingir a economia em breve, alertou um importante relatório da Oeganização das Nações Unidas (ONU). A terceira edição do Global Biodiversity Outlook (Perspectivas da Biodiversidade Global, tradução livre), o GBO-3, alerta para o facto de que alguns ecossistemas estarem próximos de atingir um ponto preocupante, tornando-se cada vez menos úteis à humanidade. Alguns factores agravantes seriam a rápida diminuição das florestas, a dificuldade de recuperação dos cursos de águas e a morte em massa de recifes de corais.
No último mês, cientistas confirmaram que os governos não conseguiriam alcançar as suas metas para travar a perda da biodiversidade até o fim de 2010. "As novidades não são boas", disse Ahmed Djoglaf, secretário executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas. "Continuamos a perder biodiversidade a um ritmo nunca antes visto na história - a velocidade da extinção deve se tornar 1.000 vezes mais rápida do que a esperada." De acordo com a ONU, a abundância de vertebrados - grupo que inclui mamíferos, répteis, aves, anfíbios e peixes - diminuiu cerca de um terço entre 1970 e 2006.
Metas não cumpridas - As metas para 2010 de travar significativamente o ritmo da perda de biodiversidade foi acordada em Joanesburgo, em 2002. Elas incluem medidas como: travar o ritmo da perda e degradação dos habitats naturais, proteger pelo menos 10% das regiões ecológicas do planeta, controlar a proliferação de espécies invasivas e garantir que o mercado internacional não leve espécies à extinção.
O GBO-3 concluiu que nenhuma das 21 metas complementares foram atingidas no âmbito global. Nenhum país que submeteu relatórios ao grupo da convenção sobre biodiversidade mostrou ter cumprido suas metas para 2010. Apesar de haver progresso em algumas regiões, a falha global significa que o número de espécies ameaçadas cresceu na Lista Vermelha das Nações Unidas.
"Vinte por cento de todos os mamíferos, 30% de todos os anfíbios, 12% de todas as aves e 27% dos recifes de corais estão ameaçados de extinção", disse Bill Jackson, diretor geral da União Internacional para a Conservação da Natureza, que mantém a Lista Vermelha.
Consequências para a economia - A relação entre a perda da natureza e os danos à economia é muito mais do que apenas figurativa, segundo as Nações Unidas. Um projecto em curso, conhecido como Economia de Ecossistemas e Biodiversidade (The Economics of Ecosystems and Biodiversity, TEEB), é responsável por quantificar o valor monetário de vários serviços que a natureza provém, como purificar a água e o ar, proteger costas de tempestades e manter a vida selvagem para o eco turismo. Quando esses serviços desaparecerem, eles terão de ser substituídos por fundos da sociedade. O TEEB calculou que as perdas anuais das florestas são equivalentes a 2 a 5 trilhões de dólares.
fonte = http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia-tecnologia/onu-danos-aos-ecossistemas-vao-afetar-economia-mundial-breve-557807.shtml
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Pessoas melhores para um mundo melhor

Sonhamos com um mundo melhor, mais fraterno, pacífico, ecológico, democrático, para nós e os nossos filhos. Mas, estamos a ser pessoas melhores e estamos a educar os filhos melhores para este mundo novo? Ou continuamos a fazer escolhas que nos mantém com os dois pés no mundo velho enquanto ano a ano renovamos nossos votos num mundo melhor que só existe, na verdade, nas nossas utopias, mas que não nos dispomos a por em prática?
Tendemos a julgar os outros por nós, para o bem e para o mal. Se desejamos e escolhemos um mundo melhor, sustentável, imaginamos que os outros também estão a ter a mesma percepção e propósito. O problema de pensar assim é não tomarmos as precauções contra oportunistas, gananciosos, egoístas, por não imaginar, nas nossas utopias, que tais pessoas possam existir, e pode ser tarde demais ao descobrir que a realidade pode ser bem mais cruel e perversa do que sonha a nossa imaginação.
O 'Profeta' Gentileza repetia a frase 'gentileza gera gentileza' que alguns tomam ao pé da letra, como se fosse possível a mudança de fora para dentro. A frase do 'profeta' é um desejo e não uma revelação de como as coisas funcionam na prática.
Uma pessoa gentil, generosa tende a imaginar e mesmo a gostar da idéia de viver num mundo onde as pessoas são gentis e generosas também. O mundo torna-se cor de rosa. A verdade é bem diferente. O mundo não é cor de rosa muito menos branco e preto, mas está mais para o cinzento, onde as cores estão todas misturadas
Seria bom demais se a gentileza, o amor, tivessem este poder de mudança de fora para dentro, se ao sermos generosos e amorosos conseguíssemos tornar também as outras pessoas generosas e amorosas. Infelizmente, não é assim que acontece no mundo real. Pessoas egoístas, mesquinhas, gananciosas só tenderão a tornarem-se ainda mais estúpidas e aproveitarão ainda mais a situação se não encontrarem resistência
.Por Vilmar Berna*, do Portal do Meio Ambiente
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