quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Um quinto dos vertebrados corre risco de extinção

























Agência FAPESP – 

A má notícia é que um número crescente de aves, anfíbios, répteis, peixes e mamíferos tem se aproximado da 
extinção. A boa notícia é que o número poderia ser pior, não fossem as medidas de conservação colocadas em prática em todo o mundo nas últimas décadas.

Nesta terça-feira (26/10), em Nagoia, no Japão, durante a 10ª Conferência das Partes (COP 10) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), foi divulgado o resultado de um grande estudo que procurou avaliar o estado atual dos vertebrados no planeta.

O trabalho foi feito por 174 cientistas de diversos países, entre os quais o Brasil. Os resultados foram publicados na edição on-line da Science e sairão em breve na edição impressa da revista.

Foram analisados dados de vertebrados, incluindo as mais de 25 mil espécies presentes na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). O problema é tão grande que o grupo afirma se tratar da sexta extinção em massa na história do mundo.

O estudo mostra que um quinto dessas espécies pode ser classificado como “ameaçado” e que o número tem aumentado. Em média, 52 espécies de mamíferos, aves e anfíbios se movem de categoria a cada ano, aproximando-se da extinção.

Do total de vertebrados existentes, 20% estão sob alguma forma de ameaça, incluindo 25% de todos os mamíferos, 13% das aves, 22% dos répteis, 41% dos anfíbios, 33% dos peixes cartilaginosos e 15% dos peixes com osso.

Nas regiões tropicais, especialmente no Sudeste Asiático, estão as maiores concentrações de animais ameaçados e, segundo o levantamento, a situação é particularmente séria para os anfíbios. A maior parte dos declínios é reversível, destacam, mas se nada for feito a extinção pode se tornar inevitável...

Observadores temem fracasso na Conferência sobre Biodiversidade



Desde o dia 18 de outubro acontece, em Nagoya, no Japão a décima edição da Conferência das Partes da Convenção da Organização das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP-10). O encontro segue até o dia 29 e reúne 193 países que debaterão sobre questões ambientais importantes para o planeta. O evento também reúne movimentos sociais, ambientalistas e pesquisadores de toda a parte do mundo interessados o resultado dessa conferência.


Nesta segunda-feira (25), o evento foi ma rcado pela irreverência, mas também pela crítica com o "Dodo Award", o Prêmio Dodô. Recebido pelo Canadá e União Européia, o troféu da rede de ativistas e ONGs CBD Alliance não é motivo de alegria. Ele foi entregue para os países que vêm barrando avanços nas negociações que têm o objetivo de diminuir a perda da biodiversidade.


O Brasil passou perto de receber o troféu pelas posturas com relação aos agrocombustíveis. É que o país não aceita barreiras para a produção dos combustíveis feitos de plantas. Há preocupação sobre esse assunto porque os agrocombustíveis são produzidos principalmente em grandes monoculturas, consumindo agrotóxicos e gerando diversos danos para a natureza e às populações.


A conferência da Convenção de Diversidade Biológica (CDB) é um dos espaços de discussão mais importantes para a conservação da natureza no âmbito das Nações Unidas. Ela foi criada no Rio de Janeiro, em 1992, e ratificada pelo Brasil no ano seguinte. Assim, podemos dizer que é uma espécie de irmã da famosa Conferência do Clima, onde se discute o protocolo de Kyoto e as metas de redução de emissões que causam o aquecimento do planeta. A terceira conferência criada na Rio-92 trata do problema da água e da desertificação do planeta.


Há três pontos considerados os mais importantes no debate. Um dos pontos mais importantes em debate nesta décima conferência da CDB é a criação de metas para a diminuição no índice recorde de perda de biodiversidade até 2020. As metas que foram acordadas para 2010, que é o Ano Internacional da Biodiversidade, não foram alcançadas por nenhum país. O Brasil apenas atingiu quatro entre 51 metas completamente. Outras metas, como a criação de áreas protegidas, foram atingidas parcialmente.


O segundo ponto diz respeito a acordos econômicos que garantam a aplicação desta meta até 2020. E o ponto considerado por muitos como o mais polêmico e difícil é o protocolo de Acesso e Repartição de Benefícios da Biodiversidade (ABS). O protocolo é considerado uma lei internacional e neste caso afeta directamente comunidades tradicionais, como os indígenas; e também indústrias, especialmente a de medicamentos e cosméticos.
Livia Duarte, da Pulsar Brasil. 27-10 -
(Envolverde/Adital)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana." . Kafka FranKafka


"O verdadeiro sentimento é como o rio que corre à luz do sol, e depois atravessa a escuridão da noite com o mesmo murmúrio jubiloso" ( Sabedoria Ameríndia)










Haiti: um milhão de pessoas morrendo lentamente

Nove meses depois, o Haiti continua como se o terremoto tivesse acontecido no mês passado. Apenas 2% do entulho foi removido, só 13 mil abrigos temporários foram construídos. Só 15% da ajuda mundial prometida por diversos países e organizações chegou até agora ao país.
A Associated Press dá conta que apenas 2% do entulho foi removido, só 13 mil abrigos temporários foram construídos. Nem um centésimo da ajuda prometida pelos EUA para a reconstrução, chegou ao Haiti. Nos últimos dias os EUA anunciaram que iriam aplicar 10% do 1 bilhão de dólares da ajuda prometida à reconstrução. Só 15% da ajuda mundial prometida por diversos países e organizações chegou até agora ao país.

Semear ódio, só produz mais ódio

Mudar o desenvolvimento para salvar a biodiversidade



Por Stephen Leahy, da IPS

Nagoya, Japão, 27/10/2010 – Uma drástica mudança no rumo do desenvolvimento econômico é essencial para evitar o desaparecimento dos ecossistemas do planeta, que são a base da vida, afirma um estudo publicado ontem na revista científica norte-americana Science. A mudança climática, a contaminação, o desmatamento e as transformações no uso da terra empurram as espécies à extinção, reduzindo sua abundância e os lugares que habitam.

“As sociedades e as infraestruturas humanas evoluíram e dependem de espécies e ecossistemas particulares”, disse Paul Leadley, da Universidade de Paris-Sud, que encabeçou o estudo. “Mesmo os cenários mais otimistas para este século sistematicamente preveem a extinção e a redução das populações de muitas espécies”, declarou Paul, da França, à IPS em conversa telefônica. A meta de frear a perda de biodiversidade até 2020 está sendo discutida esta semana nesta cidade japonesa, onde acontece a 10ª Conferência das Partes do Convênio sobre Diversidade Biológica. Porém, o objetivo de 2020 é, tristemente, algo “irreal”, admitiu Paul, baseando-se em cinco recentes estudos ambientais mundiais.

Paul e seu colega Henrique Miguel Pereira, da Universidade de Lisboa, lideraram uma equipe de 23 cientistas de nove países que compararam os resultados dos últimos estudos e uma ampla gama de literatura para avaliar as possíveis mudanças futuras na biodiversidade. A análise traça uma inevitável e contínua perda de biodiversidade no Século 21, mas oferece esperanças de que possa diminuir essa deterioração se forem adotadas as medidas políticas adequadas.

O termo biodiversidade é usado para descrever a ampla gama de variedades de seres viventes – árvores, insetos, plantas, animais – que formam a infraestrutura biológica e nos fornecem saúde, riqueza, alimento, água, combustível e outros serviços úteis. Muitos não entendem o quanto a humanidade é dependente de numerosos serviços proporcionados pela natureza e a rapidez com que isto está mudando, afirmou Paul.

Embora a atenção pública se concentre na extinção de espécies, é a mudança em sua distribuição e no tamanho de suas populações, o ponto mais grave para o bem-estar humano, bem como os melhores indicadores da pressão que é exercida pelas pessoas sobre os ecossistemas, diz o estudo. Nos oceanos, a combinação de pesca em excesso e mudança climática – causada pelas emissões de dióxido de carbono das atividades humanas – está transformando rapidamente a vida marinha a ponto de no futuro haver menos peixes grandes.

Além disso, o desmatamento e o aquecimento global estão transformando as paisagens terrestres. Uma pesquisa na selva amazônica concluiu que, se as temperaturas mundiais aumentarem dois graus centígrados, como parece provável, a mescla de incêndios com desmatamento acabará com a capacidade única dessa região para gerar a metade de sua própria chuva. Sem estas, a selva se converterá em região de pradarias, causando maciça liberação de dióxido de carbono e a perda de muitas espécies.

Mesmo se o desmatamento terminasse, a maior parte da selva amazônica poderia desaparecer em 50 ou 60 anos devido ao aquecimento do planeta, disse o biólogo Thomas Lovejoy, principal conselheiro sobre biodiversidade do presidente do Banco Mundial e membro do painel científico assessor do Fundo para o Meio Ambiente Mundial. “Dois graus de aquecimento será algo duradouro para muitos ecossistemas. As florestas tropicais estarão em dificuldades. Haverá poucos arrecifes de coral, a temperatura das florestas será muito diferente da atual”, afirmou Lovejoy à IPS em Nagoya.

Uma solução para esfriar o planeta e salvar a selva amazônica é restaurar florestas e áreas verdes, com a finalidade de remover dióxido de carbono da atmosfera, acrescentou o cientista. O crescimento econômico deve deixar de focar os lucros que proporciona a conversão de terras e procurá-los por meio da restauração da biodiversidade. Combater a mudança climática é uma forma de frear a perda de diversidade biológica, disse Paul. Colocar preço nas emissões de carbono em todas suas formas, desde a gerada pelo desmatamento até a agricultura seria uma maneira de enfrentar o problema, prosseguiu.

O desmatamento e a agricultura contribuem com 35% a 50% de todas as emissões de gás carbono na atmosfera. Também são os principais causadores da conversão de ecossistemas naturais. É necessário um forte peso de impostos sobre as emissões, incentivo aos esforços para capturar carbono e criação de áreas protegidas efetivas. Proteger apenas 20% da terra e 15% do mar, segundo proposto originalmente como meta para 2020 no Convênio, não é suficiente para deter a perda de biodiversidade.

As ações devem ser adotadas com urgência, disseram os cientistas, já que a janela de oportunidades se fecha rapidamente. Medidas imediatas poderiam garantir até 2030 uma ampliação de 15% das áreas florestais do planeta, mas a falta de ações pode gerar uma perda superior a 10% destas até esse ano. O maior desafio continua sendo convencer os políticos.

Os cientistas acreditam que a criação da Plataforma sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES, um mecanismo do grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática - IPCC) poderia fazer uma diferença. “Os temas são tão urgentes e o que está em jogo para a humanidade é tão importante que os cientistas devem unir-se e, por meio do IPBES, e informar os governantes com voz única e autorizada”, disse Henrique Miguel. Delegações governamentais expressaram em Nagoya seu apoio à criação do IPBES, mas alguns negociam seu apoio para conseguir a aprovação de um acordo sobre o acesso equitativo aos recursos biológicos. Envolverde/IPS

(IPS/Envolverde)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010


Espécies em vias de extinção em Portugal e na Europa

AGROQUIMICOS, NÃO!

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O QUE É A AGRICULTURA BIOLÓGICA ?

Biológico (ou Orgânico) refere-se à produção de bons alimentos à moda antiga, usando as plantas como plantas, não as contaminando com químicos nem as alterando geneticamente. 


Agricultura biológica :

    • Alimentos saudáveis, saborosos e naturais, sem pesticidas, fungicidas ou hormonas
    • Alimentos amigos do ambiente, sem técnicas de produção que contaminem o solo ou poluam o lençol freático
    • Os alimentos são extremamente saborosos.São produzidos sem químicos artificiais, pesticidas ou fertilizantes.
    • Os alimentos contêm mais vitaminas, nutrientes e antioxidantes - poderoso anti - cancerígeno.
    • São produzidos sem alterações genéticas
    • São produzidos com o objectivo de reduzir a dependência de recursos não renováveis
    • São amigos do ambiente, protegem a natureza e a vida selvagem.
    • São produzidos com o conhecimento científico moderno da ecologia e ciência dos solos, e ao mesmo tempo baseiam-se nas técnicas tradicionais de rotações de culturas, para assegurar a fertilidade e o controlo de pragas.
    • A agricultura actual não é orgânica porque utiliza químicos e produtos tóxicos prejudiciais à saúde e ao ambiente, pratica monoculturas intensivas, que leva à sobreutilização dos recursos naturais, à redução da biodiversiadade e conduzirá, fatalmente, à esterilidade dos solos e à desertificação.
.A horta é o espaço de perfeita simbiose do agricultor com a Terra ... é a prova de que com o coração, com sabedoria e suor se pode criar um espaço irrepetível no mundo; é uma obra que dignifica o ser humano

MÃE TERRA...

Agricultura Biológica - A opção saudável

O preço de uma produção agrícola destinada ao consumo está a ser pago pela saúde pública. A opção parece estar agora centrada na agricultura biológica. Fique a conhecer um pouco mais e faça a sua escolha.
Cada vez mais o sector primário da nossa sociedade é relegado para segundo plano, a ponto de muitas crianças de zonas urbanas já não saberem a origem dos produtos que lhes chegam às mesas.
Mas o mais grave aconteceu quando, de uma agricultura de subsistência se passou a uma produção de consumo, com todos os riscos que daí advieram para a saúde pública. No final da I Guerra Mundial, muitas empresas usadas para fabricar explosivos e outro material bélico, foram desactivadas e passaram a produzir adubos azotados para a agricultura.
Este foi o primeiro passo para a agricultura moderna, a que se vieram juntar os avanços tecnológicos na indústria dos insecticidas e pesticidas, de forma a uniformizar as práticas e a aumentar os rendimentos.O preço deste acréscimo de produção continua a ser cobrado e é demasiado elevado para a saúde humana: contaminação do solo, das águas, da atmosfera e dos próprios alimentos, desertificação do meio rural, perda da biodiversidade, descaracterização da agricultura e perda de práticas milenares de uma produção sustentável.Todos os anos ocorrem milhares de envenenamentos acidentais devido aos pesticidas.
Apenas agora se começam a conhecer os efeitos mais nefastos para a saúde pública com o aparecimento de cancros, doenças degenerativas do sistema nervoso e infertilidade. Os nitratos são compostos de azoto, solúveis em água e têm como principais origens os adubos (artificiais e naturais), efluentes domésticos e agro-industriais e a decomposição de substâncias (plantas, animais e excrementos).
Estes compostos encontram-se nos solos, nas águas e nos alimentos, havendo um aumento contínuo da sua existência. Algumas das plantas onde é possível encontrar estes nitratos são os espinafres, os brócolos, a beterraba, os agriões, as alfaces e também as couves de folha. Se ingeridos em excesso, é no estômago que os nitratos se alteram em nitritos e se combinam com outras moléculas aí existentes, gerando produtos cancerígenos. Estes compostos podem provocar alterações ao nível dos genes e deformações nos fetos, no intestino e noutros sistemas humanos.
A opção para evitar estes problemas parece passar pela agricultura biológica. Este tipo de agricultura reduz ao máximo a utilização de adubos e pesticidas, embora utilize compostos químicos tais como materiais vivos ou mortos que não sejam produzidos pelo homem em laboratório, não usando adubos minerais nem pesticidas químicos de síntese, que não existem na natureza.
A agricultura biológica, também conhecida como ‘agricultura orgânica’ (no Brasil e países de língua inglesa), ‘agricultura ecológica’ (na Espanha, Dinamarca) ou ‘agricultura natural’ (no Japão) caracteriza-se por possuir uma base ecológica que se baseia no funcionamento do ecossistema agrário e recorre a práticas ancestrais como a rotações culturais, adubos verdes, a luta biológica contra pragas e doenças, que fomentam o equilíbrio e biodiversidade.
Esta solução agrícola visa manter e melhorar a fertilidade do solo a longo prazo, preservando os recursos naturais do solo, água e ar e reduz todas as formas de poluição que possam resultar de práticas agrícolas ao mesmo tempo que utiliza e recicla restos de origem vegetal ou animal de forma a devolver nutrientes à terra, minimizando deste modo o uso de recursos não-renováveis, excluindo quase na totalidade os produtos químicos de síntese como adubos, pesticidas, reguladores de crescimento e aditivos alimentares para animais.
Os principais objectivos da agricultura biológica passam por produzir alimentos de alta qualidade em quantidade suficiente, interagindo de forma construtiva e equilibrada com os sistemas e ciclos naturais. Ao mesmo tempo, promove e desenvolve ciclos biológicos dentro do sistema de produção, envolvendo microorganismos, flora e fauna do solo, as plantas e os animais, o que permite manter ou mesmo aumentar a fertilidade do solo a longo prazo.
A agricultura biológica permite ainda gerir de forma correcta os recursos hídricos e contribuir para a conservação do solo e da água. Os alimentos produzidos pela agricultura biológica têm várias vantagens como um baixo teor de nitratos e um maior teor de vitamina C (anti-cancerígena), assim como maior percentagem de matéria seca, o que resulta que os produtos tenham menos água logo, mais sabor.
Desta forma, é garantida aos consumidores a possibilidade de escolherem consumir alimentos de produção biológica, sem resíduos de pesticidas de síntese e, consequentemente, melhores para a saúde humana e para o ambiente.

domingo, 24 de outubro de 2010

Clima extremo afecta camponeses indianos


21/10/2010
Por Athar Parvaiz, da IPS
Leh, Índia – Quando as nuvens negras se aproximam, paira o medo entre os habitantes desta aldeia, que fica a 3.048 metros de altitude, na província indiana de Ladakh. A mais de mil quilômetros de Nova Délhi, Ladakh  encontra-se na zona ocidental da Cordilheira do Himalaia e da Meseta Tibetana, onde são comuns as condições climáticas extremas, frias e secas. No geral, as precipitações em Ladakh nem mesmo alcançam os 20 centímetros em todo um ano. Entretanto, no dia 6 de agosto ocorreram fortes aguaceiros em apenas uma hora, causando deslizamentos e inundações, provocaram a morte de pelo menos 233 pessoas e deixando outras milhares sem tecto.

“Nunca tínhamos ouvido nada sobre um desastre como esse na história de Ladakh”, disse Pintto Narboo, um dos muitos residentes de Leh traumatizados pela tragédia. Mesmo antes da intensa chuva de agosto, os moradores das 241 aldeias de Ladakh  perguntavam sobre as curiosas mudanças no clima e as temperaturas, que estavam a transformar a vida diária. 

Chewang Norphel ainda lembra claramente como ela e seus vizinhos podiam caminhar pela superfície da geleira Khardungla. Agora, “esta desfez-se por completo, enquanto as outras, como a de Stok Kangri, retrocedem rapidamente”, contou. De fato, Chewang recebeu o apelido de “homem de gelo”, não por causa das suas façanhas sobre superfícies geladas, mas por sua pioneira contribuição para criar geleiras artificiais para uso dos agricultores na fase inicial da temporada de cultivos.

“Pode chamar-se de mudança climática ou atribuir a qualquer outro processo natural, mas estamos a experimentar muitas transformações ”, disse à IPS o Director-executivo do não governamental Projeto de Nutrição para Leh, Lobzang Tsultim. “ A nossa região é conhecida com árida, e temos pequenas geleiras, das quais extraímos a água. Porém, nos últimos anos, muitas delas retrocederam. Como se fosse pouco, vimos secar as nossas limitadas pastagens devido à escassez de água”.

“Os Invernos são mais curtos e quentes”, disse o agricultor Tashi Namgiyal. “A neve derrete rapidamente”, acrescentou, lembrando que a popular “rota de Chadar”, nome dado à travessia do Rio Zanskar quando está congelado, que foi feita por gerações durante o inverno, e agora só pode ser percorrida por apenas dois meses. Antes, “era de Dezembro a Março. Agora sofremos inclusive nas aldeias mais altas, enquanto antes era somente nas mais baixas”, disse Tashi, acrescentando que “também podemos ver uma mudança nas nevadas e nas colheitas de cevada”

Os moradores não estão a imaginar coisas. S. N. Mishra, do Departamento Meteorológico Indiano, confirmou que a temperatura média em Ladakh entre novembro e março aumentou um grau, enquanto a máxima para os meses de verão cresceu 0,5ºC. As chuvas de agosto arruinaram as plantações e outras terras cultiváveis. Segundo dados oficiais, 1.420 hectares foram afectados pelas inundações e 51% das plantações, incluindo cevada e verduras, foram severamente prejudicadas.

Até Agosto, “só nos preocupava a falta de água, vendo as geleiras retrocedendo rapidamente. Agora, também tememos por nossa sobrevivência”, disse Pintto. “O dano é muito extenso”, confirmou Robert Folkes, chefe de emergências da organização não governamental Save the Children, referindo-se às últimas inundações. “Os camponeses, sem dúvida, precisam de máquinas e trabalho manual para limpar as camadas de lama de seus campos”, acrescentou. “Também necessitam de ajuda dos governos locais e das organizações não governamentais para reparar o dano causado aos sistemas de irrigação, dos quais depende em grande parte a agricultura de Ladakh”, prosseguiu.

O geógrafo Mohammad Sultan, professor na Universidade da Cachemira, afirmou que um único evento, como as chuvas de Agosto, não representa necessariamente um sinal do aquecimento global, mas, admitiu, “o aumento dos eventos extremos sugere que as condições climáticas estão mudando”. “Como os Invernos ficam mais curtos e mais quentes, e também pelo fato de muitas geleiras pequenas retrocederem rapidamente, não só as pessoas comuns como especialistas em mudança climática vêem isto com preocupação”, disse, por sua vez, Badrinath Balaji, que trabalhou por vários anos neste lugar como silvicultor.

A tragédia de agosto levou aos agricultores o medo de que algum dia tenham de abandonar Ladakh, e hoje estão especialmente preocupados com a escassez de água. “A agricultura é a única arte que conhecemos, e naturalmente nossos filhos dependerão dela”, disse Sonam Tundup, camponês da aldeia de Stakmo. “Se não houver água, não haverá agricultura, e isso significa que nossos filhos terão de abandonar esta terra”, acrescentou.

Lobzang, do Projeto de Nutrição de Leh, afirma que se adaptar à mudança climática é a melhor opção. “Ou se adapta ou se extingue”, disse. “Embora esteja seguro de que não estamos pagando por nenhuma falta nossa, temos de pensar em nos adaptarmos às mudanças, que ocorrem devido às ações do mundo industrializado” que liberam gases que provocam o efeito estufa.
* Este artigo da IPS é parte de uma série apoiada pela Rede de Conhecimento sobre Clima e Desenvolvimento (http://www.edkn.org).

FOTO
Crédito:
 Athar Parvaiz/IPS
Legenda: Stanzin Dolma chora ao ver as ruínas de sua casa, destruída nas inundações de agosto.

FAO: Ligas de Futebol europeias aderem à campanha contra a fome

UNDP football matchAs Ligas de Futebol profissional europeias comprometeram-se, na terça-feira, a apoiar a campanha “Mil milhões de pessoas com fome” (www.1billionhungry.org) lançada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
As Ligas pedem aos seus adeptos que assinem a petição que exorta os governos a atribuírem prioridade à erradicação da fome de que sofrem 925 milhões de pessoas em todo o planeta, refere, na terça-feira, a FAO, num comunicado de imprensa. 24/10/2010
A CADA 6 SEGUNDOS, MORRE UMA CRIANÇA COM FOME
1.000.000.000 de pessoas vive com fome crónica e isso enfurece-me.


Hibiscus

sábado, 23 de outubro de 2010

878698

O homem foi presenteado com a razão e com o poder de criar, acrescentando mais coisas àquilo que já existe. Mas até agora ele não tem sido um criador, só um destruidor. As florestas desaparecem, rios secam, a vida selvagem extingue -se. 
A terra fica mais pobre e mais feia a cada dia que passa.
Anton Chekhov (1860-1904)

Naturalmente, Mãe...



Polinização, Vida

Os Insectos, são nossos amigos

 Sem a Polinização, a vida humana extingue-se!
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Por cada  50 Kg de Cartão Reciclado, evita-se o Abate de uma Árvore! 


P

Pobreza Infantil em Portugal

 

     Eurostat : Subida da incidência de pobreza infantil
Uma em cada quatro crianças portuguesas vive em condições de pobreza. A incidência de pobreza infantil no nosso país é de 23%. A subida de dois pontos percentuais, num ano, representa mais 43 mil crianças pobres.
Vinte anos após a assinatura da convenção sobre os direitos da criança, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, as crianças continuam a ver-se privadas de bens e direitos essenciais. Algumas dessas crianças vivem na nossa cidade, na nossa rua ou são nossas vizinhas, apesar de todas as crianças com cinco anos frequentarem o ensino pré-escolar, os responsáveis da rede anti-pobreza nacional defendem uma maior intervenção ao nível das famílias, por parte do Estado


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Transgénicos?


Transgénicos  são organismos que, mediante técnicas de engenharia genética, contêm materiais genéticos de outros organismos. A geração de transgénicos visa a criação de organismos com características novas ou melhoradas relativamente ao organismo original. Resultados na área de transgenia já são feitos desde a década de 1970, na qual foi desenvolvida a técnica do DNA recombinante.
A manipulação genética recombina características de um ou mais organismos de uma forma que provavelmente não aconteceria na natureza. Por exemplo, podem ser combinados os DNAs de organismos que não se cruzariam por métodos naturais.
A aplicação mais imediata dos organismos transgénicos (e dos organismos geneticamente modificados em geral) é a sua utilização na investigação científica. A expressão de um determinado gene de um organismo num outro pode facilitar a compreensão da função desse mesmo gene.
.No caso das plantas, por exemplo, espécies com um reduzido ciclo de vida podem ser utilizadas como "hospedeiras" para a inserção de um gene de uma planta com um ciclo de vida mais longo. Estas plantas transgênicas poderão depois ser utilizadas para estudar a função do gene de interesse mas num espaço de tempo muito mais curto. Este tipo de abordagem é também usado no caso de animais, sendo a mosca da fruta um dos principais organismos modelos.
Noutros casos, a utilização de transgénicos é uma abordagem para a produção de determinados compostos de interesse comercialmedicinal ou agronómico, por exemplo. O primeiro caso público foi a utilização da bactéria E. coli, que foi modificada de modo a produzir insulina humana em finais da década de 1970. Um exemplo recente, já em 2007, foi o facto de uma equipa de cientistas conseguir desenvolver mosquitos bobucha resistentes ao parasita da malária, através da inserção de um gene que previne a infecção destes insectos pelo parasita portador da doença

Alimentos transgénicos, são alimentos cujo embrião foi modificado em laboratório, pela inserção de pelo menos um gene de outra espécie. Alguns dos motivos de modificação desses alimentos são para que as plantas possam resistir às pragas (insectosfungosvírus, bactérias,...) e a herbicidas. O mau uso de pesticidas pode causar riscos ambientais, tais como o aparecimento de plantas resistentes a herbicidas e a poluição dos terrenos e lençóis de água. Porém, deve-se ressaltar que o uso de herbicidas, inseticidas e outros pesticidas diminui imensamente com o uso dos transgénicos, já que eles tornam possível o uso de produtos químicos correctos para o problema. Uma lavoura convencional de soja pode utilizar até 5 aplicações de herbicida, enquanto que uma lavoura transgênica Roundup Ready (resistência ao herbicida glifosato) utiliza apenas 1 aplicação.
Polémica  
Actualmente existe um debate bastante intenso relacionado à inserção de alimentos geneticamente modificados (AGM) no mercado. Alguns mercados mundiais, como o Japão, rejeitam fortemente a entrada de alimentos com estas características, enquanto que outros, como o Norte e Sul-Americanos e o Asiático têm aceite estas variedades agronómicas.
Desde 2004, após seis anos de proibição, a União Européia autorizou a importação de produtos transgênicos. No dia 2 de março de 2010, a União Européia aprovou a plantação de batata e milho transgénicos no continente, após solicitações dos Estados Unidos. A batata transgénica será destinada para a fabricação de papel, adesivos e têxteis. O milho atenderá a indústria alimentícia. Cada país da União Europeia poderá ser responsável pelo cultivo transgénico nas suas fronteiras em votação marcada para o meio do ano

Transgénicos

Mau para o produtor e para o consumidor

 A introdução de transgênicos na natureza expõe a nossa biodiversidade em sérios riscos, como a perda ou alteração   do património genético de nossas plantas e sementes e o aumento dramático no uso de agroquimicos. Além disso, ela torna a agricultura e os agricultores reféns de poucas empresas que detêm a tecnologia, e põe em risco a saúde de agricultores e consumidores. O Greenpeace defende um modelo de agricultura baseado na biodiversidade agrícola e que não se utilize de produtos tóxicos, por entender que só assim teremos agricultura para sempre.

Rio morto... OMS: vazamento tóxico na Hungria foi controlado

21/10/2010 - 


Por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York


A missão da agência da ONU concluiu a visita ao país com recomendações de curto e longo prazo para minimizar impacto com a saúde após o incidente com lodo tóxico de uma Usina de alumínio.

Especialistas da Organização Mundial da Saúde, OMS, encerraram uma visita à Hungria, onde analisaram o impacto do vazamento do lodo tóxico ocorrido em 4 de Outubro.

Segundo a OMS, nove pessoas morreram e mais de 150 ficaram feridas, a maioria com queimaduras por causa do elevado índice de PH 12 espalhado com a lama avermelhada.


A equipa contou com membros do Centro Europeu da OMS para Meio Ambiente e Saúde, peritos da Grã-Bretanha e da Itália especializados em incidentes químicos e estudos de impacto ambiental.

O vazamento do lodo tóxico danificou mais de 300 casas em três vilas do Oeste da Hungria.

Com a diminuição da lama e dos índices de PH 12, o risco para a saúde foi bastante reduzido.

Cerca de 4 mil profissionais e voluntários participaram da operação de limpeza. Psicólogos húngaros estão a aconselhar várias pessoas traumatizadas com o incidente e ainda os que perderam familiares no vazamento.

Os peritos da OMS afirmaram que não existe qualquer perigo no consumo da água local. A lama tóxica contaminou o rio Danúbio e pode ter chegado aos países vizinhos pela corrente das águas.

Mas de acordo com a agência, a qualidade da água do Danúbio não foi afectada.


(Envolverde/Rádio ONU)


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Para refectir


      Para  produzir 1kg de arroz são necessários 4500 litros de água

     "           "          1 kg de trigo            "              1500            "              "

    "            "          1 kg de aço             "                 300            "              "

   "             "          1 kg de papel           "                250            "              "


M. Palace

Aquecimento Global, o que é?

O aquecimento global é um assunto de grande relevância nos dias actuais. É preciso conhecer bem o que está a acontecer antes de tomarmos decisões. Aqui tento explicar como funciona o processo, principalmente, o efeito-estufa.


O que causa o aquecimento global?
O Planeta possui oscilações normais de temperatura ao longo dos tempos, com altas e baixas temperaturas. Nos últimos anos, podemos observar um aumento significativo da temperatura de todo o Planeta, o que vem preocupando os especialistas em clima, já que ocorre a um ritmo muito acelerado. A causa mais provável do aquecimento é o efeito-estufa, pois a concentração de carbono na atmosfera tem aumentado junto à temperatura do planeta.
Efeito estufa
 O que é o efeito-estufa?
É o processo de reflexão da radiação solar,  que causa o aumento da temperatura do Planeta. Essa reflexão é causada por uma barreira formada por diversos gases, sendo o dióxido carbono o mais importante.

Ao contrário do que muitos pensam, o efeito estufa é um processo essencial para a vida no planeta Terra, pois sem ele o planeta teria temperaturas tão baixas que o tornaria inabitável. Sendo assim, uma certa quantidade de Co2 é essencial na atmosfera, sendo que seu excesso causa um aumento excessivo na temperatura. E é exactamente isso que temem os cientistas.
Afinal, de onde vem o Co2 da atmosfera?
O Planeta possui um certo número de átomos de carbono, que são indestrutíveis e indivisíveis, mas são transformáveis, assim como qualquer outro átomo.
São tantas e inúmeras as formas com as quais podemos encontrar os átomos de carbono, dentre elas estão: Dióxido carbono, Metano, compostos do petróleo, além de muitos outros compostos orgânicos, presentes em todos os seres vivos do planeta.
Queima de combustíveis fósseis
A queima de combustíveis fósseis


O petróleo é na realidade um super concentrado de compostos de carbono, sendo que grande parte do carbono do Planeta se encontra nele, preso nos seus compostos químicos. Esse carbono, preso há milhões de anos na forma de combustíveis fósseis, é o que possibilitou a redução do efeito estufa, possibilitando a vida no Planeta Terra.
Ao queimarmos o petróleo e os seus derivados, libertamos toda aquela alta carga de carbono, transformando-o principalmente em dióxido carbono. Com isso, o planeta tende a sofrer um novo aumento drástico do efeito-estufa, voltando ao estado inicial do Planeta, quando era inabitável devido às altíssimas temperaturas causadas pelo excesso de dióxido  carbono (gás carbónico) na atmosfera. Como os combustíveis fósseis demoram milênios para se recomporem, são considerados não renováveis.

Outra parte considerável do carbono está preso nos seres vivos, em especial nas matas, nas algas e nos microrganismos marinhos. 
A queima ou decomposição destes liberta o carbono preso nos seres vivos, transformando-os em gás carbónico, sendo libertado para atmosfera. Mas é preciso lembrar que quando queimamos matas, basta replantarmos a floresta, que o carbono, prende-se novamente aos seres vivos, diferentemente dos combustíveis fósseis. (Sem considerar impactos ambientais)
Como combater o efeito estufa?
Muitos programas do control do efeito-estufa têm sido realizados em todo o Planeta. A maioria deles  baseia -se na redução da queima de combustíveis fósseis, bem como na plantção e conservação das reservas florestais.
Um dos principais acordos mundiais de combate ao aquecimento global é o Tratado de Kyoto, que regula a emissão do carbono nos países desenvolvidos e estimula acções ambientais em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.


Canadá exclui indígenas das negociações -.Biodiversidade -

Por Stephen Leahy, da IPS


Nagoya, Japão, 22/10/2010 –
 O Canadá deverá ser culpado se não se chegar a um tratado vinculante para deter a rápida perda de espécies, segundo delegados indígenas desse país presentes na 10ª Conferência das Partes do Convênio sobre Diversidade Biológica. Este ponto de vista é uma resposta à referência que os representantes canadenses fizeram sobre os direitos dos povos indígenas na reunião que acontece nesta cidade até o dia 29.

“O Canadá está atrasar os avanços aqui, enfraquecendo os nossos direitos e a lutar contra um protocolo legalmente vinculativo sobre acesso e benefícios compartilhados”, disse Armand MacKenzie, director-executivo do Conselho Innu de Nitassinan, os habitantes indígenas do nor-nordeste canadense. “ A sua oposição ameaça a biodiversidade mundial... É preciso que as pessoas se manifestem”, disse Armand à IPS.

Um protocolo para conseguir acesso à biodiversidade e compartilhar os seus benefícios sem uma garantia dos direitos dos povos indígenas e das comunidades locais “seria totalmente vazio”, disse Paulino Franco de Carvalho, que lidera a delegação brasileira. “O Brasil não aceitará nenhuma acordo sobre biodiversidade sem um protocolo justo sobre acesso e benefícios compartilhados”, afirmou numa entrevista coletiva.

Esse tipo de protocolo é um dos três pilares do Convênio sobre a Diversidade Biológica. O segundo é um plano estratégico com 20 objetivos específicos a serem alcançados até 2020, como o de não desmatamento e eliminação dos subsídios. O terceiro é a mobilização de suficientes recursos financeiros e de outro tipo para apoiar os dois anteriores. Refere-se à maneira como o material genético de plantas, animais e micróbios pode ser usado para elaborar alimentos, remédios, produtos industriais, cosméticos e outros elementos. O uso destes materiais deve muito ao conhecimento tradicional dos povos indígenas.

O acesso refere-se a como obter esse material genético, e compartilhar os benefícios significa dividir os benefícios, tanto financeiros como de outro tipo, derivados de seu uso. Os povos originários afirmam que são os possuidores ou cuidadores de boa parte da biodiversidade do mundo e dos conhecimentos tradicionais, e que omitir as referências a esta realidade é um mau começo para eles e para a maioria dos países. “O governo canadense está a prejudicar os direitos humanos dos povos indígenas do mundo desde 2006”, disse Paul Joffe, representante do Grande Conselho dos Crees, uma grande nação originária do centro do Canadá.

Os delegados indígenas canadenses expressaram seus pontos de vista aos representantes governamentais desse país, mas sua posição é que não se pode fazer referência aos direitos dos povos originários no protocolo final sobre acesso e benefícios compartilhados, disse Paul à IPS. “O governo nunca nos consultou. Isto chegou totalmente de surpresa”, destacou.

Poucos representantes indígenas participam da reunião em Nagoya porque o Canadá e muitos outros governos não fornecem ajuda financeira necessária para que possam participar como observadores. Os povos aborígines não têm um papel oficial nesta reunião e só podem apresentar os seus pontos de vista quando solicitados.

“Estamos à mercê dos governos”, disse Ellen Gabriel, presidente da Mulheres Nativas de Quebec. “Os povos indígenas dependem totalmente da biodiversidade como meio de sustento”, acrescentou. Para ela, o Canadá está a praticar “uma nova forma de colonialismo. Somos os povos com os direitos aos recursos genéticos da biodiversidade”, afirmou.

A posição do Canadá reflete uma ideologia e é uma decisão política tomada pelo governo actual, afirmou Paul. Em reuniões internacionais anteriores, foi considerado um país “obstrucionista”. De fato. Na 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP 15), realizada em Dezembro em Copenhague, a sociedade civil internacional outorgou ao Canadá o “Prêmio Fóssil Colossal”, pelo pior comportamento naquelas negociações.

Não surpreende que, este mês, muitos Estados-membros da Organização das Nações Unidas se negassem a apoiar o Canadá na sua tentativa de obter um desejado posto no Conselho de Segurança. Segundo Paul, esta negociação é simplesmente um assunto político para o governo do primeiro-ministro Stephen Harper, e exigirá pressão política e pública. Neste momento, não há meios de comunicação do Canadá em Nagoya, nem nenhum credenciado, segundo os organizadores.

Paulino está optimista quanto a se chegar a um acordo sobre acesso e benefícios compartilhados em matéria de biodiversidade no fim da próxima semana, quando terminar a Conferência. Para a ocasião, espera-se que 120 ministros do Meio Ambiente tenham chegado ao Japão para assinar um novo tratado internacional. “Penso que podemos chegar a um bom resultado”, afirmou.
 Envolverde/IPS