quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Mais da metade dos moçambicanos passa fome




Maputo, Moçambique
 – Baptista Macule está sentado sobre um saco de amendoins num poeirento beco perto do mercado de Malanga, na periferia da capital moçambicana. Fecha os olhos diante do Sol, enquanto tenta explicar como a pobreza afecta o seu país. “As pessoas não têm comida suficiente em casa. Não há emprego suficiente, e, quando existem, os salários são baixos. Os salários não sobem, mas os preços aumentam”, afirmou.

Moçambique é um dos países mais pobres da África. Apesar de contar com uma ampla terra arável e um litoral que oferece oportunidades para o comércio marítimo, mais da metade de seus 22 milhões de habitantes passam fome todos os dias. Em Setembro, violentos protestos nas cidades e na periferia da capital deste país da África austral chamaram a atenção internacional. Pelo menos 13 pessoas morreram e centenas ficaram feridas. Três meses depois, os pneus queimados e abandonados nas estradas servem de lembrança do descontentamento popular.

As manifestações aconteceram em alguns dos bairros mais pobres. As pessoas foram às ruas protestar contra os altos preços do pão, da eletricidade e da água. Também exigiam justiça e transparência de um governo acusado de corrupção. Depois de se negar veementemente a controlar os preços, as autoridades finalmente anunciaram um subsídio para o trigo e garantiram que não aumentariam a água nem e a eletricidade.

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