quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Declínio Ambiental na floresta portuguesa


Implicações da destruição das nossas florestas


Taxa de arborização (floresta) em Portugal.
floresta e as actividades ligadas a ela representam 3% do bolo de lucro da economia (3100 milhões de euros).
Se o declínio da nossa floresta continuar, em breve este lucro deixará de colaborar para uma saudável economia nacional.
Em termos de comércio externo, o saldo da balança comercial é extremamente positivo, chegando aos 1024 milhões de euros (2748 milhões em exportações e 1724 em importações). O declínio da floresta representaria uma grande perda para o país.


Mais de 160 000 pessoas estão empregues em áreas relacionadas com a floresta, representando 3,3% da população activa.
Os problemas que têm vindo a surgir, relacionados com a floresta, podem deixar estas pessoas sem emprego, o que poderá prejudicar milhares de famílias já com rendimentos baixos.
Trata-se de um problema social, mas também económico, já que estimula o aumento da taxa de desemprego.


A nível ambiental, o declínio florestal em Portugal diminui a biodiversidade, pondo algumas espécies em perigo e levando a que outras desapareçam por completo do nosso país.
As áreas que sofreram desflorestação rapidamente se tornam áridas, impedindo que as espécies nativas se reinstalem na região, dando lugar a vegetação de baixo porte ou à propagação de espécies de crescimento rápido, como é o caso do eucalipto.
Por fim, a emissão de dióxido de carbono será maior, e também menor será o dióxido de carbono fixado pelas plantas e no solo, já que não existirão plantas para fazer a remoção do dióxido de carbono da atmosfera para a floresta.
A destruição da floresta leva ao desaparecimento da fauna e da flora dessa região, a uma elevada erosão do solo desprotegido, a uma modificação das bacias hidrográficas, muitas vezes com grandes prejuízos materiais e mesmo de vidas humanas.

]A importância da Floresta e dos recursos florestais

Alguns números relacionados com a floresta, segundo um relatório de Fevereiro de 2003 :
  • Uma área florestal de 3 349 000 ha, equivalendo a 38% do território nacional
  • Cerca de 85% da floresta nacional pertence a privados
  • Contribui para a economia nacional em 3100 milhões de euros, representando 3% das receitas
  • Emprega 160 000 trabalhadores, correspondendo a 3,3% da população activa
Estes dados falam por si mesmos. A floresta é importante para a população e para o país.
De um modo geral, à floresta estão associadas actividades como a produção lenhosa, cortiça, celulose (produção de papel), gema, madeira, silvopastorícia, caça, pesca, apicultura, recreio e lazer, providenciando bens e serviços. Desta forma, são criadas oportunidades de rendimento e de emprego em áreas pouco desenvolvidas. Por exemplo, a celulose é muito importante para o país. Portugal é um dos principais produtores e exportadores na área da indústria do papel.
Também a produção de mobiliário se dá numa escala bastante elevada, estando a matéria-prima no nosso país.
Quanto ao lazer, a existência de floresta no nosso país é uma mais- valia nacional, já que há bastantes países interessados neste tipo de turismo.
Quanto à energia, os resíduos florestais, ou a denominada biomassa, se forem bem aproveitados, podem ser muito importantes para o país. Os subprodutos da floresta ou da exploração da indústria da madeira fornecem matéria-prima capaz de produzir energia térmica ou electricidade. A biomassa é de grande utilidade, sendo uma energia que não polui e que recorre à acção da natureza.
A nível ambiental, a floresta contribui para os ciclos da água, do oxigénio e do carbono, assim como para a manutenção da biodiversidade. À medida que a floresta diminui, o mesmo acontece às suas comunidades, em especial aos seres vivos que aí encontram os seus habitats e nichos ecológicos. A diminuição da biodiversidade, de recursos naturais e de todo o ecossistema é uma perda irreparável.


Medidas de salvaguarda e protecção florestal

A redução gradual e o correcto ordenamento florestal das monoculturas de eucalipto e pinheiro, e o incentivo à preservação e ampliação das áreas de vegetação autóctone, assume um papel primordial na minimização dos efeitos catastróficos dos fogos. Relativamente ao combate a incêndios, o grau de preparação dos bombeiros e outras entidades de protecção civil e a garantia de acesso a áreas de densa arborização são passos necessários, bem como o investimento intenso no estudo das áreas de maior risco. Nas situações em que o incêndio foi causado por negligência, vandalismo ou criminalidade, há que promover campanhas de sensibilização e informação das populações.
Quanto ao abate de árvores, alterações à legislação e desenvolvimento de mecanismos de fiscalização mais eficazes para a reconversão das áreas ardidas, bem como a devida protecção das actuais áreas protegidas e criação de novas Áreas de Protecção Ambiental, poderão ser um passo em frente na protecção dos recursos florestais portugueses.
No caso das chuvas ácidas, é necessário ter cuidado com o nível de emissão de poluentes para a atmosfera, tentando de certa forma controlar a sua concentração, sendo esta uma medida de prevenção a nível mundial.
O assunto também deverá ser analisado em termos políticos, sendo a criação de comissões especializadas compostas por representantes de todas as partes interessadas e por especialistas, uma das formas de intervenção do poder político de forma a unir objectivos ambientais, sociais e económicos.


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