quinta-feira, 7 de outubro de 2010

80% da população mundial é refém da má gestão da água

30/09/2010 - 03h09
Por Fernanda B. Müller, da Carbono Brasil


Visando a proteção dos recursos hídricos ao redor do mundo, um grupo de pesquisadores fizeram um diagnóstico, em escalas locais e globais, considerando em conjunto as perspectivas humanas e as biodiversas sobre a segurança da oferta de água.

Utilizando um enquadramento espacial que quantifica múltiplos elementos de stress, como poluição e densidade de barragens, e contabiliza os impactos a jusante (rio abaixo), pesquisadores de várias universidades concluíram que aproximadamente 80% da população mundial está exposta a altos níveis de insegurança no uso da água.

“Se analisarmos as questões da segurança da água tanto da perspectiva humana quanto da biodiversidade, descobriremos que as ameaças são repartidas e pandêmicas. Mesmo os países ricos, que se esperaria que fossem bons administradores da água, têm algumas das áreas mais stressadas e ameaçadas”, comentou um dos principais autores da análise Charles Vörösmarty, engenheiro civil da Universidade de Nova Iorque, segundo a Nature.

A agricultura intensiva e as cidades densamente povoadas foram identificadas como as causas dos maiores níveis de ameaça. Poucos rios, incluindo partes do Amazonas que passam por áreas de florestas densas,  mostraram-se saudáveis.

Vörösmarty estima que em 2015 seja necessário cerca de US$ 800 bilhões para cobrir os custos anuais em infra-estruturas hídricas.

Investimentos massivos em tecnologias para o tratamento da água permitem que os países ricos mitiguem altos níveis de stress, entretanto sem remediar as suas causas, alegam os cientistas. Em nações mais pobres a situação é ainda mais complicada, o que deixa as populações mais vulneráveis.

No quesito biodiversidade, a ausência destes investimentos na prevenção, causa muita preocupação. Os habitats associados com 65% da descarga continental estão classificados como moderadamente ou altamente ameaçados.

Os cientistas enfatizam a necessidade de limitar as ameaças na sua fonte ao invés de gastar quantias enormes em remediar os sintomas para garantir a segurança no fornecimento de água tanto para humanos quanto para a biodiversidade.

A melhoria na gestão dos recursos hídricos pode passar por soluções simples, que apenas exigem planeamento. Vörösmarty oferece como exemplo o caso das barragens, que ao invés da sua construção seria muito mais adequada a preservação de áreas de planícies alagáveis.

As análises, publicadas na revista científica Nature, foram feitas com base em dados documentados e quantificáveis, resultando em mapas que representam os efeitos cumulativos das diversas ameaças à humanidade e a biodiversidade. Esta é ferramenta pode ser muito útil para a criação de políticas e respostas de manuseamento para situações críticas.

Referência: Nature 467, 555-561 (30 September 2010) | doi:10.1038/nature09440
Créditos da imagem: Fernanda B. Muller, Parque Natural da Camargue - França

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