quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O antropocentrismo: uma nova era geológica



Por Leonardo Boff*

As crises clássicas conhecidas, como por exemplo a de 1929, afectaram profundamente todas as sociedades. A crise actual é a mais radical,  atacando o nosso Modus Essendi: as bases da vida e da nossa civilização. Antes,  a Terra estava aí, intacta e com recursos inesgotáveis. Agora não podemos  contar com uma Terra sã e abundante em recursos. Ela é finita, está degradada e com febre e não suporta mais um projecto infinito de progresso.

A presente crise desmascara a enganosa compreensão dominante da história, da Natureza e da Terra. O ser humano fora e acima da Natureza com a excepcionalidade da sua missão, a de dominá-la. Perdemos a noção de todos os povos originários e de que pertencemos à Natureza. Hoje diríamos, somos parte do sistema solar, de nossa galáxia que, por sua vez, é parte do universo. Todos surgimos ao longo de um imenso processo evolucionário. Tudo é alimentado pela energia de fundo e pelas quatro interações que sempre actuam juntas: a gravitacional, a eletromagnética e a nuclear fraca e forte. A vida e a consciência são emergências desse processo. Nós humanos, representamos a parte consciente e inteligente da Via-Láctea e da própria Terra, com a missão, não de dominá-la mas de cuidar dela para manter as condições ecológicas que nos permitem levar avante a nossa vida e a civilização.

Estas condições estão a ser minadas pelo actual processo produtivo e consumista. Já não se trata de salvar nosso bem estar, mas a vida humana e a civilização. Se não moderarmos a nossa voracidade e não entrarmos em sinergia com a natureza dificilmente sairemos da actual situação. Ou substituímos estas premissas equivocadas por melhores ou corremos o risco da nossa extinção. A consciência do risco não é ainda colectiva. 

Por Leonardo Boff

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